As equipes de resgate na Turquia e no norte da Síria prosseguiam nesta terça-feira (7) em sua luta contra o tempo e contra o frio para encontrar sobreviventes entre os escombros após o terremoto de segunda-feira que matou mais de 7,3 mil pessoas.

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A ajuda internacional deve começar a chegar hoje às zonas afetadas pelo terremoto e por seus tremores secundários. O primeiro abalo, na madrugada de segunda-feira, atingiu 7,8 graus de magnitude e foi sentido inclusive no Líbano, no Chipre e no norte do Iraque.

Na Turquia, o número de mortos subiu para 5.434, conforme último balanço das autoridades, enquanto na Síria faleceram ao menos 1.872 pessoas, totalizando 7.306 vítimas fatais.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, decretou estado de emergência por três meses nas 10 províncias do sudeste atingidas pelo terremoto.

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Com base nos mapas da região afetada, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que “23 milhões de pessoas estão expostas às consequências do terremoto, incluindo cinco milhões de pessoas vulneráveis”.

— A OMS está ciente da forte capacidade de resposta da Turquia e considera que as principais necessidades não atendidas podem estar na Síria, no imediato e no médio prazo — disse a diretora de Emergências da OMS, Adelheid Marschang, ao conselho executivo da agência da ONU.

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Já o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou para a urgência da situação:

— Agora é uma corrida contra o relógio.

Apesar da falta de ferramentas, os bombeiros prosseguiram com a dramática busca por sobreviventes durante a noite, desafiando o frio, a chuva, ou a neve, assim como o risco de novos desabamentos.

Em Jindires, uma localidade síria na fronteira com a Turquia, uma recém-nascida, ainda com o cordão umbilical ligado a sua mãe, foi encontrada viva nos escombros de um prédio.

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Mais ao sul, em Aleppo, Mahmud al Ali aguarda ao lado de um edifício destruído.

— Minha sogra, meu sogro e dois de seus filhos (estão presos) — conta. — Estamos aqui, sentados, no frio e na chuva, esperando que a equipe de resgate comece a cavar.

Em Hatay, sul da Turquia, as equipes de emergência resgataram com vida uma menina de 7 anos que estava bloqueada sob uma montanha de escombros.

— Onde está minha mãe? — perguntou a criança, com um pijama de cor rosa manchado pela poeira, no colo de um socorrista.

O jogador ganês Christian Atsu, ex-atleta do Chelsea e que assinou contrato em setembro com o Hatayspor, foi encontrado vivo nos escombros de um imóvel.

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Ajuda internacional

As condições meteorológicas na região de Anatolia dificultam os trabalhos de resgate e prejudicam as perspectivas dos sobreviventes, que se aquecem em barracas, ou ao lado de fogueiras improvisadas.

A ajuda internacional para a Turquia deve começar a chegar nesta terça-feira, com as primeiras equipes de socorristas procedentes da França e do Catar.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, prometeu a seu homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan, “toda a ajuda necessária, seja qual for”.

O contingente francês pretende chegar a Kahramanmaras, próximo ao epicentro do terremoto, uma região de acesso difícil e que sofre com a neve.

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A China anunciou o envio de uma ajuda de US$ 5,9 milhões, enquanto os Emirados Árabes Unidos prometeram US$ 100 milhões para a Síria e a Turquia. Por sua vez, a Arábia Saudita anunciou uma ponte aérea para fornecer ajuda.

Segundo Erdogan, 45 países ofereceram ajuda, incluindo a Ucrânia, que anunciou o envio de 87 socorristas para a Turquia, apesar de estar em plena guerra com a Rússia.

O pedido de ajuda do governo da Síria recebeu, por enquanto, resposta da Rússia, aliada de Damasco, que prometeu enviar equipes de emergência nas próximas horas. E 300 militares russos que já estavam na região ajudam nos resgates.

A ONU também reagiu, mas insistiu em que a ajuda deve chegar a toda a população síria, incluindo a parte que não está sob controle de Damasco.

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O Crescente Vermelho sírio fez um apelo para que a União Europeia (UE) retire as sanções contra o regime sírio para permitir o envio de ajuda.

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Dormir ao relento

Os balanços de vítimas dos dois lados da fronteira não param de aumentar e, levando-se em consideração a magnitude da destruição, a tendência deve persistir.

Apenas na Turquia, as autoridades contabilizaram quase 5 mil imóveis desabados.

Além das condições já dramáticas, a queda da temperatura representa um risco adicional de hipotermia para os feridos e as pessoas bloqueadas nos escombros.

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Na segunda-feira, foram registrados pelo menos 185 tremores secundários, além dos dois terremotos principais: um de 7,8 graus durante a madrugada (4H17), e outro, de 7,5 graus de magnitude, ao meio-dia.

Os tremores secundários prosseguiram durante a madrugada de terça-feira. O mais forte, de magnitude 5,5, aconteceu às 6h13 (0h13 de Brasília) a nove quilômetros de Gölbasi (sul da Turquia).

As autoridades turcas adaptaram ginásios, escolas e mesquitas para abrigar os sobreviventes. Mas, com medo de novos terremotos, muitos moradores preferiram passar a noite ao relento.

— Todo mundo está com medo — disse Mustafa Koyuncu, um homem de 55 anos que passou a noite com a esposa e os cinco filhos no carro da família em Sanliurfa (sudeste da Turquia).

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Este foi o terremoto mais devastador na Turquia desde o registrado em 17 de agosto de 1999, que deixou 17 mil mortos, incluindo mil em Istambul.

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