Entraram em vigor as novas regras de segurança do Pix estabelecidas pelo Banco Central (BC), trazendo mudanças importantes no combate a golpes e fraudes financeiras. Entre as principais novidades está a possibilidade de bloqueio automático de contas bancárias suspeitas, além de um rastreamento mais amplo do caminho do dinheiro transferido de forma irregular.

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As medidas fazem parte da atualização do Mecanismo Especial de Devolução (MED), criado para facilitar a recuperação de valores em situações de fraude, coerção ou erro operacional das instituições financeiras.

Veja detalhes do Pix automático

Bloqueio imediato em casos de suspeita de fraude

Com as novas regras, bancos e instituições de pagamento passam a ter autorização para reter valores e bloquear contas de forma preventiva, assim que houver denúncia ou indício consistente de irregularidade — sem necessidade de aguardar a conclusão total da análise.

Esse bloqueio automático pode ocorrer em situações como:

  • Denúncia de fraude feita pela vítima;
  • Suspeita de movimentação atípica;
  • Indícios de uso da conta para golpes ou crimes financeiros;
  • Transações incompatíveis com o perfil do cliente.

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A intenção é evitar que o dinheiro seja rapidamente pulverizado entre várias contas, prática comum em crimes financeiros.

Dinheiro passa a ser rastreado entre várias contas

Outra mudança relevante é a ampliação do rastreamento das transferências. Antes, o MED permitia o bloqueio apenas da conta que recebeu inicialmente o valor. Agora, o sistema consegue acompanhar toda a cadeia de transações, mesmo quando o dinheiro é transferido rapidamente para contas intermediárias.

Segundo o Banco Central, essa atualização deve aumentar de forma significativa a taxa de recuperação dos valores. Especialistas citados pelo próprio BC estimam que a nova regra pode reduzir em até 40% o sucesso dos golpes envolvendo Pix.

Devolução mais rápida e integração entre bancos

Com o novo modelo, o prazo para devolução dos valores também foi reduzido. A expectativa é que o dinheiro possa ser recuperado em até 11 dias após a contestação, tempo menor do que o praticado anteriormente.

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Além disso, houve reforço na troca de informações entre bancos, instituições de pagamento e órgãos de segurança, permitindo ações coordenadas e mais rápidas no bloqueio e restituição dos recursos.

Contestação agora é feita direto no aplicativo

Desde outubro, todas as instituições que operam o Pix são obrigadas a oferecer o botão de contestação do MED nos aplicativos bancários. Com as novas regras, esse autoatendimento ganha mais importância.

O processo funciona da seguinte forma:

  1. O cliente registra a contestação no aplicativo;
  2. O banco de origem comunica a instituição recebedora em até 30 minutos;
  3. Os valores são bloqueados preventivamente;
  4. As instituições analisam o caso;
  5. Confirmada a fraude, o dinheiro é devolvido;
  6. Se não houver indícios, o valor é liberado ao recebedor.

Atenção aos limites do mecanismo

O Banco Central reforça que o MED não se aplica a todos os casos. A devolução automática só é permitida quando há fraude, suspeita de fraude ou falha operacional da instituição.

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Transferências feitas por erro do próprio usuário — como envio para uma chave Pix digitada incorretamente — não entram nas regras de devolução automática.

Criado em 2021, o MED é um dos pilares da segurança do Pix. Com a versão 2.0 agora obrigatória, o BC espera desestimular o uso recorrente de contas para crimes financeiros e ampliar a proteção dos usuários do sistema de pagamentos instantâneos.

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