O mercado de consumo se vê diante de um ponto de virada inédito, que vai exigir das marcas muita capacidade de percepção e sensibilidade para compreender o que seus clientes desejam a partir de agora, tanto do ponto de vista da praticidade diária quanto do fator emocional.

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Os períodos mais intensos de isolamento, vividos principalmente no ano passado, modificaram completamente a relação das pessoas com o ato de comprar, potencializaram tendências ensaiadas e criaram necessidades novas também. E a transformação não se restringiu ao modo de compra, mas mexeu nas prioridades e no relacionamento com as empresas.

Passada essa onda de mudança, especialistas sabem que o mercado de consumo não vai simplesmente voltar no tempo e retornar, por exemplo, à perspectiva que havia em 2019. Resta saber quais destes novos comportamentos, muitos deles impostos pelas circunstâncias, serão adotados naturalmente a partir de agora.

A WARC, uma autoridade mundial em pesquisas de mídia, divulgou recentemente o Marketer’s Toolkit 2022, um relatório de tendências globais, apontando que 97% dos profissionais de marketing consultados apostam que o comportamento dos consumidores durante a pandemia será mantido no próximo ano. A locomotiva desta mudança é, inquestionavelmente, a presença digital. O comércio online caminha para se tornar a principal atividade das marcas, abrindo espaço para que as compras físicas ganhem uma outra profundidade, voltadas à experiência sensorial.

Os consumidores se renderam em massa ao e-commerce: de acordo com um estudo da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), mais de 20 milhões de brasileiros fizeram sua primeira compra pela internet em 2020. Ainda segundo a associação, no ano passado o varejo virtual cresceu 68% em relação ao ano anterior. Mas apostar apenas na transição das lojas físicas para o meio online seria uma conclusão simplista demais para avaliar o novo comportamento que surgiu de um período tão delicado e cheio de nuances.

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Nasceu também um desejo de proximidade, de valorização do comércio local e uma preocupação mais urgente com o meio ambiente. Necessidades também sociais e emocionais, que o mercado tem a oportunidade de traçar e a responsabilidade de se alinhar a elas.

Afinal, o que querem os consumidores?

Compras mais simples

Seja no meio online ou físico, as vendas vão fluir mais quanto mais simples for este processo. Um estudo da consultaria WGSN, sobre o consumidor do futuro, apontou uma verdade dura e inquestionável: as pessoas estão exaustas. Parte deste cansaço se deve à quantidade de decisões que é preciso tomar todos os dias. Em tempos de sobrecarga emocional e profissional, ter opções demais para escolher torna o ato da compra mais uma batalha para o cérebro. Encurtar este processo economiza tempo e é mais prazeroso para o consumidor. A tendência é imprimir simplicidade desde os rótulos até o passo a passo das compras online.

Atenção para o local

As compras pela internet não tiraram dos clientes o olhar para o comércio local. Aliás, muitos passaram a valorizar e a zelar mais por este setor. O mercado vê surgir um perfil comunitário de consumidor que prioriza as lojas locais e a nova economia circular, e que costuma refletir sobre quais sistemas econômicos as suas compras estão alimentando.

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Bem-estar

Despressurizar é um novo anseio, que também pode ser trazido para o consumo. Períodos de insegurança e estresse geraram uma maior procura por momentos de bem-estar, como um alívio para as incertezas diárias. Essa tendência se traduz de várias formas – desde oferecer uma experiência tranquila de compras ou prestação de serviços até produtos criados especialmente para instantes de prazer e indulgência. Um indicador desta tendência é o aumento de espaços comerciais projetados com mais iluminação natural, plantas e móveis confortáveis.

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Presença qualificada em vários canais

É o conceito omnichannel: uma empresa que está disponível em vários canais de atendimento, como loja física, online e nos dispositivos eletrônicos. Esta disponibilidade se tornou obrigatória tanto para pequenos comércios como para grandes varejos. A estratégia já vem sendo testada nos últimos anos, mas o passo adiante é integrar estes canais e fundi-los em um sistema, unificando a forma de comunicação com o cliente. Isto cria uma experiência homogênea de compra. As redes sociais seguem fortalecidas como a vitrine dos desejos – as marcas ganham muita visibilidade nelas em campanhas focadas para um determinado público.

Responsabilidade ambiental

Empresas que vinham ignorando a urgência das práticas sustentáveis não terão como se esconder por muito tempo. Crises como a pandemia têm o poder despertar comportamentos mais conscientes e deixam claro que nossas atitudes podem ganhar escalas globais. Clientes estão mais atentos à responsabilidade ambiental das marcas e ficam alertas para as práticas de greenwashing – expressão usada quando as empresas criam uma falsa imagem de sustentabilidade. A preservação do meio ambiente se tornou um valor inegociável para muitos consumidores.

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