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O que é necessário para ser um bom corretor imobiliário?

Reconhecendo um mercado cada vez mais competitivo e complexo, Faculdade Cesusc abre a primeira turma de graduação presencial em negócios imobiliários da Grande Florianópolis

21/07/2022 - 08h27

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Por Estúdio NSC
De acordo com o Creci-SC, há hoje 40.367 registros ativos de profissionais desse setor no Estado; no ano passado, eram 34.053.
De acordo com o Creci-SC, há hoje 40.367 registros ativos de profissionais desse setor no Estado; no ano passado, eram 34.053.
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Mesmo enfrentando um período de recessão econômica no cenário nacional, o estado de Santa Catarina continua com o mercado de compra e venda de imóveis em pleno crescimento. Com a construção e inauguração de diversos empreendimentos, especialmente no litoral, esse segmento tem grande impacto na economia das cidades, movimentando negociações que muitas vezes chegam à casa das centenas de milhares de reais.

Dados que demonstram esse fortalecimento do setor são os do Índice FipeZAP+ de Venda Residencial, divulgados em fevereiro deste ano. Segundo o levantamento, quatro das oito cidades com o metro quadrado residencial mais caro do país estão localizadas no litoral catarinense: Balneário Camboriú, Itapema, Florianópolis e Itajaí. Ao longo de doze meses, contados a partir de fevereiro de 2021, a valorização acumulada dos imóveis dessas cidades foi de 16,35% na capital, 23,72% em Balneário Camboriú e 25,29% em Itapema. Outras cidades que também apresentaram valorização foram São José (18,37%) e Blumenau (10,12%).

Com um mercado tão competitivo, o cenário exige que os profissionais que atuam na área estejam cada vez mais alinhados com as necessidades do público, sejam compradores que buscam realizar o sonho da casa própria ou investidores em busca de bons negócios. De acordo com o Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Santa Catarina (Creci-SC), há hoje 40.367 registros ativos de profissionais desse setor no Estado; no ano passado, eram 34.053.

O presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis de SC (Sindimóveis-SC), Sérgio Luiz Platt Nahas, destaca que esse contexto impulsiona a busca por atuação na profissão de corretor imobiliário:

— O corretor não é simplesmente um vendedor. É um consultor, aquele que deve dar segurança e transparência. É ele quem vai analisar toda a documentação do imóvel e dos vendedores, negociar com equilíbrio para as partes envolvidas, elaborar contratos, acompanhar na escritura, fazer registros, entre outras atividades. O mercado em expansão da região continua atraindo muitas pessoas para residir e trabalhar, com dezenas de empreendimentos sendo lançados. Oportunidades não faltam.

> Entenda como profissionais de diversas áreas podem se beneficiar com a neurociência

Atualmente, além de estar a par da legislação específica sobre o mercado imobiliário, é preciso ter expertise em vendas e atuar de acordo com a ética profissional. No entanto, como ressalta o presidente do Creci-SC, Fernando Amorim Willrich, o aperfeiçoamento é uma necessidade crescente:

— Temos sempre ressaltado que, com as exigências crescentes do mercado, cada vez mais competitivo e complexo, é fundamental o permanente aperfeiçoamento da carreira, com cursos de graduação e pós-graduação. Isso faz muita diferença para o profissional, que hoje tem a responsabilidade de conhecer a fundo muitos temas para melhor atender seus clientes.

Mercado atrativo e crescente

Outro fator que torna a profissão atraente tanto para quem já atua nesse segmento quanto por profissionais de outras áreas que buscam migrar para o setor imobiliário é o pagamento por comissão, que costuma ficar em torno de 6% do valor de imóveis residenciais e de 10% quando o que está em negociação são terrenos.

Contudo, como alerta o advogado Edson Telê Campos, que atua há mais de 30 anos no mercado imobiliário, apesar da grande procura por imóveis na Grande Florianópolis e no litoral do Estado, bem como do aumento no número de corretores, o segmento exige cada vez mais dos profissionais da área:

— Muita gente pensa que é fácil, porque aqui há uma procura muito grande. No entanto, muitas acabam desanimando porque não estão preparadas. Apenas dominar o processo de compra e venda não é o suficiente.

O presidente do Creci-SC, Fernando Willrich, complementa:

— O corretor precisa ter o entendimento que a carreira não é feita da noite para o dia. É necessário muito estudo, dedicação e qualificação. Dentro do mercado imobiliário há muitas especialidades. Pode se dedicar ao alto padrão, Casa Verde Amarela, incorporação, imóveis usados, comerciais ou residenciais, e até mesmo em empresas de vistoria e manutenção. Isso só para citar alguns exemplos. Ou seja, a exigência de especialização e conhecimento é grande no mercado.

Qual é o diferencial do bom corretor?

Além dos cursos e do credenciamento ao Conselho da região de atuação, o corretor de imóveis precisa ter, segundo Edson Telê Campos, algumas características: entre as “soft skills” que fazem um bom corretor estão a capacidade de se articular bem com vendedores e clientes, ter diligência, ser responsável e cauteloso antes de efetuar qualquer transação imobiliária.

São necessários também conhecimentos sobre cartórios, procedimentos para registros públicos e certidões, bem como da legislação que rege as negociações de bens imóveis. Outro diferencial é o conhecimento da legislação ambiental, pois, em cidades como Florianópolis, é necessário estar a par dessas leis para a venda de terrenos e para as permissões de construção. É o corretor que faz essa ponte para o comprador, prestando todas as informações necessárias. E, além de trabalhar na compra ou venda, o corretor pode auxiliar na locação ou administração, prestar assessorias até em loteamentos.

— Além de ser resiliente e comunicativo, o corretor precisa estar sempre otimista, tem que ser perseverante. Mesmo que possa perder um negócio, não pode tratar mal nenhum cliente e precisa se adaptar ao ambiente digital — completa Campos.

Pensando na necessidade de capacitação de profissionais para esse mercado cada vez mais exigente e competitivo, está em elaboração, pelo Conselho Federal de Corretores de Imóveis (COFECI), um projeto para exigir não apenas um curso técnico, mas um curso superior de formação para corretores. E, buscando promover a qualificação desse mercado em Santa Catarina, estado em que as vendas de imóveis estão em alta e as oportunidades se multiplicam, a Faculdade Cesusc, que já tem mais de 16 anos de atuação na pós-graduação voltada para o segmento, abre em 2022 o primeiro curso de graduação em Tecnologia em Negócios Imobiliários da capital.

Graduação específica na área

Lançado em abril, o novo curso de graduação em Tecnologia em Negócios Imobiliários da Faculdade Cesusc iniciará as aulas presenciais em agosto, com uma matriz curricular voltada para diversas necessidades da profissão, desde gestão e marketing até avaliação de imóveis e consultoria em mercado imobiliário.

De acordo com Edson Telê Campos, que é coordenador do já consolidado curso de pós-graduação e assume também essa função no curso de graduação, é extremamente importante que o profissional da área tenha um curso superior voltado às suas necessidades, visto que a exigência do Conselho Federal pode surgir a qualquer momento.

— O mercado é muito competitivo e a pessoa precisa estar pronta para concorrer. Se o profissional não tiver experiência e conhecimento prático e teórico, não vai conseguir se manter no mercado. Com a graduação, o corretor pode desempenhar a profissão com mais eficiência, pois as áreas de atuação são diversas. Pode trabalhar com compras, vendas, locação, administração, dar consultoria para loteadoras, incorporadoras, assessorias de documentação imobiliária. É um campo de trabalho muito amplo, mas é necessário ter uma capacitação para isso.

O curso tem certificação do Creci-SC e pode ser completado em quatro semestres. Os profissionais que desejarem continuar os estudos após a graduação podem optar por seguir se especializando em cursos da Cesusc, com a pós-graduação em Direito e Negócios Imobiliários. Na pós-graduação, os professores são, em sua maioria, advogados com especialização, mestrado e doutorado, bem como ampla vivência profissional e conhecimento teórico sobre o conteúdo ministrado.

— O curso teórico-prático está sempre sendo aprimorado, tendo em vista que o direito imobiliário é muito dinâmico. É preciso lidar com direito civil, direito ambiental, registral, uma série de normas que se complementam — explica o coordenador.

A décima turma de pós-graduação está com inscrições abertas e o início das aulas será em setembro. Já a segunda turma organizada de forma remota terá o início do semestre letivo em agosto.

Saiba mais sobre os cursos de graduação e pós voltados ao mercado imobiliário no site da Cesusc.

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