A proposta do governador Jorginho Mello (PL) de criar um novo feriado em homenagem à Santa Catarina de Alexandria colocou novamente o nome da padroeira do Estado em evidência. O projeto foi enviado à Assembleia Legislativa (Alesc) no dia 2 de fevereiro e vem provocando reações entre empresários catarinenses.

Continua depois da publicidade

“A instituição do feriado estadual não se limita a um aspecto religioso. Ela reconhece oficialmente um marco histórico e cultural, reforçando a memória coletiva, o pertencimento e o respeito às raízes que formaram Santa Catarina”, argumenta o governador, no projeto.

Por que a proposta causou polêmica em SC?

Entidades empresariais, no entanto, reagiram à proposta. A AEMFLO e a CDL de São José encaminharam ofício aos deputados estaduais alertando para os impactos econômicos de mais um feriado, especialmente em novembro, mês que já concentra outras datas comemorativas e paralisações.

“Não se trata de questionar a relevância histórica e religiosa da padroeira de Santa Catarina, mas de alertar para os impactos práticos que mais um feriado pode causar aos setores produtivos, especialmente em um mês já marcado por paralisações”, afirmou a presidente da AEMFLO e CDL de São José, Cintia Pieri, no documento.

Caso o projeto seja aprovado ainda em 2026, o novo feriado cairia em uma quarta-feira e seria o quarto do mês de novembro. As entidades defendem que, se a proposta avançar, o feriado seja transferido para o domingo subsequente quando coincidir com dia útil, conforme prevê a legislação estadual vigente.

Continua depois da publicidade

Quem foi Santa Catarina de Alexandria

Santa Catarina de Alexandria nasceu por volta do ano 287, no Egito, em uma família aristocrática. Segundo a tradição cristã, era filha de um imperador e de uma princesa e recebeu educação refinada, tornando-se conhecida pela inteligência e eloquência. Viveu em Alexandria, um dos maiores centros culturais e comerciais da Antiguidade.

Ainda jovem, Catarina se converteu ao cristianismo e passou a professar a fé de forma pública, em um período marcado por perseguições religiosas no Império Romano. O martírio, aos 18 anos, ocorreu no século IV, durante o governo do imperador Maximino Daia, após ela se recusar a renegar suas crenças. Catarina de Alexandria também é conhecida como Santa Catarina da Roda, referência ao instrumento de tortura associado à sua sentença de morte.

Veja imagens da santa em SC

Qual a importância da santa em SC?

O dia 25 de novembro marca a data em que a santa teria sido morta e, historicamente, sempre foi um marco religioso em Santa Catarina. Desde 1908, com a criação da Diocese de Florianópolis, o mês de novembro passou a ser reservado às homenagens à padroeira do Estado. A santa é patrona da Arquidiocese e cotitular da Catedral.

Continua depois da publicidade

Florianópolis abriga três relíquias consideradas de “primeira classe” de Santa Catarina de Alexandria — fragmentos retirados do próprio corpo da santa. Elas estão na capela ecumênica do Tribunal de Justiça, na Igreja Ortodoxa Grega São Nicolau e na Catedral Metropolitana.

Na capela do TJ e na igreja ortodoxa, encontram-se fragmentos da costela direita da santa, com 1.733 anos. Já na Catedral Metropolitana, a relíquia foi incorporada ao altar principal em 2022, após ser doada pela Arquidiocese de Milão.

Para o vigário geral paroquial da Catedral, padre Dyego Delfino, a devoção passou por períodos de menor visibilidade ao longo da história da Igreja Católica.

— A reforma litúrgica de 1969 retirou Santa Catarina de Alexandria do calendário romano. O argumento foi que faltavam documentos que efetivamente comprovem a sua existência. No entanto, em 2002, foi feita uma revisão e ela retornou ao Missal Romano. Hoje, retomamos o louvor com muita devoção — afirmou o padre, em entrevista dada em novembro de 2024 à repórter Ângela Bastos.

Continua depois da publicidade