nsc
    dc

    Epidemia

    O que já se sabe sobre o coronavírus

    Números já mostram que o novo coronavírus é mais transmissível que o da SARS, que causou epidemia entre 2002 e 2003, mas menos letal

    29/01/2020 - 10h39 - Atualizada em: 31/01/2020 - 22h44

    Compartilhe

    Lucas
    Por Lucas Paraizo
    Coronavírus China
    Movimentação de chineses em estação de trem em Pequim
    (Foto: )

    As informações do coronavírus começam a ficar claras: ele é menos mortal que o da SARS (Síndrome Respiratória Aguda Severa), mas mais transmissível - aparentemente, mesmo antes da aparição dos sintomas -, enquanto a comparação com seu parente dá pistas de como combater a epidemia. Entre 2002 e 2003 a SARS contaminou 5.327 pessoas na China e deixou 774 mortos no mundo.

    Segundo os dados mais atualizados (às 21h desta sexta-feira, dia 31), 213 pacientes morreram de um total de 9.783 casos na China continental (sem contar Hong Kong). Nenhum paciente morreu fora da China, enquanto 142 doentes foram registrados em outros 25 países, da Ásia e Austrália à Europa e América do Norte.

    O novo vírus, batizado 2019-nCoV, e o da SARS pertencem à mesma família de coronavírus e no plano genético têm 80% de semelhanças.

    Segundo a OMS, a epidemia de SARS deixou 774 mortos em 8.096 casos no mundo em 2002/2003, antes de ser interrompida, ou seja, uma taxa de mortalidade de 9,5% (comparado a 34,5% de outra epidemia causada por um coronavírus, a Mers).

    A taxa de mortalidade do novo coronavírus "é atualmente inferior a 5%", considerou nesta terça a ministra francesa da Saúde, Agnès Buzyn.

    No entanto, esse número é apenas indicativo: o número real de pessoas infectadas é desconhecido porque os pacientes com pouco ou nenhum sintoma não são contados.

    Leia mais: Santa Catarina registra dois casos suspeitos de coronavírus

    Transmissão

    Especialistas tentam estimar o número de pessoas contaminadas por uma pessoa infectada. Os cientistas do Imperial College de Londres estimam que "em média, cada caso (de um paciente portador do novo coronavírus) infectou 2,6 pessoas a mais".

    No caso da SARS, estima-se que cada caso tenha infectado uma média de 2 a 3 pessoas (como a gripe), mas com grandes disparidades: havia "super transmissores" capazes de contaminar dezenas de pessoas.

    No caso do novo vírus, há uma pergunta crucial: em que estado de infecção o paciente se torna contagioso? "O contágio é possível durante o período de incubação", ou seja, antes mesmo que os sintomas apareçam, disse Ma Xiaowei, diretora da Comissão Nacional de Saúde da China, no domingo.

    Essa hipótese, no entanto, baseia-se na observação de vários primeiros casos e ainda não está confirmada.

    Coronavírus
    (Foto: )

    Sintomas

    A doença causada pelo novo coronavírus e a SARS apresentam sintomas comuns, de acordo com a observação dos 41 primeiros casos detectados na China. Todos os pacientes sofriam de pneumonia, quase todos tinham febre, três em cada quatro tossiam e mais da metade apresentava dificuldades respiratórias.

    A idade média dos 41 pacientes é de 49 anos, e menos de um terço sofreu doenças crônicas (diabetes, problemas cardiovasculares...). Quase um terço teve uma condição respiratória aguda e seis morreram.

    Embora não se possam tirar conclusões gerais devido aos poucos pacientes controlados, essas observações permitem elaborar um primeiro quadro clínico da doença, muito útil, pois o novo coronavírus apresenta sintomas semelhantes aos da gripe de inverno, dificultando o diagnóstico.

    Não existe vacina ou medicamento para o coronavírus e a assistência médica é para tratar os sintomas.

    Como prevenir o novo coronavírus?

    O Ministério da Saúde orienta cuidados básicos para reduzir o risco geral de contrair ou transmitir infecções respiratórias agudas, incluindo o novo coronavírus. Entre as medidas estão:

    - evitar contato próximo com pessoas que sofrem de infecções respiratórias agudas;

    - realizar lavagem frequente das mãos, especialmente após contato direto com pessoas doentes ou com o meio ambiente;

    - utilizar lenço descartável para higiene nasal;

    - cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir;

    - evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca;

    - higienizar as mãos após tossir ou espirrar;

    - não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas;

    - manter os ambientes bem ventilados;

    - evitar contato próximo a pessoas que apresentem sinais ou sintomas da doença;

    - evitar contato próximo com animais selvagens e animais doentes em fazendas ou criações.

    - Profissionais de saúde devem utilizar medidas de precaução padrão, de contato e de gotículas (mascára cirúrgica, luvas, avental não estéril e óculos de proteção).

    Para a realização de procedimentos que gerem aerossolização de secreções respiratórias como intubação, aspiração de vias aéreas ou indução de escarro, deverá ser utilizado precaução por aerossóis, com uso de máscara N95.

    Situação no Brasil

    Nesta terça-feira (28) o Ministério da Saúde divulgou os primeiros casos suspeitos do coronavírus no Brasil e subiu a situação do país para um alerta de "perigo iminente". Três casos suspeitos foram anunciados: um em Belo Horizonte (MG), um em Curitiba (PR) e um em São Leopoldo (RS). Os pacientes se enquadram nos sintomas descritos pela Organização Mundial da Saúde e também estiveram na China, em locais de transmissão ativa, nos últimos 14 dias.

    O boletim mais recente foi divulgado na tarde desta sexta-feira (31), quando o Ministério da Saúde confirmou a existência de 12 casos suspeitos no país. Os pacientes estão nos Estados de São Paulo (7), Rio Grande do Sul (2), Paraná (1), Ceará (1) e Santa Catarina (1).

    Santa Catarina ainda tem um caso suspeito

    O caso de Santa Catarina que ainda é considerado suspeito é o de um morador de Brusque, no Vale do Itajaí. Ele procurou um hospital particular na terça-feira (28) com sintomas de problemas respiratórios e gripe. Ele retornou de uma viagem à China no último dia 21 de janeiro. O paciente foi isolado e está internado, aguardando o resultado que pode confirmar ou descartar a doença.

    Na quarta-feira, Santa Catarina chegou a ter outros dois casos suspeitos informados pelo Ministério da Saúde, mas os casos foram descartados menos de uma hora depois, com a divulgação do resultado dos exames. Os casos suspeitos envolviam um casal de São José, na Grande Florianópolis, que voltou de uma viagem à Tailândia e fizeram escala em Pequim, na China. O resultado dos testes deu positivo para a contaminação pelo vírus Infuenza B, um dos causadores da gripe, o que fez os médicos descartarem a suspeita de coronavírus.

    Diante de um caso de suspeita, o protocolo determina que primeiro sejam testados outros possíveis quadros respiratórios, como gripe, em exames nos laboratórios centrais dos Estados. Somente se esses exames derem negativo para as outras doenças é que uma amostra é remetida para o laboratório da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, responsável por fazer o exame específico do coronavírus. Outros dois laboratórios, em São Paulo e no Pará, também devem começar a fazer esses exames a partir da próxima semana.

    Em todo o país, o Ministério da Saúde distribuiu para todos os Estados uma série de orientações sobre como tratar casos suspeitos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também intensificou as medidas de fiscalização nos aeroportos e portos de todo o país. Hospitais de referência nos Estados para possíveis casos confirmados também já foram definidos.

    Controle da epidemia

    A epidemia de SARS na década passada foi contida em vários meses, graças à extensa mobilização internacional. A China impôs rígidas medidas de higiene à sua população, além de dispositivos de isolamento e quarentena.

    O país também proibiu o consumo de gatos da algália, um mamífero pelo qual o vírus foi transmitido ao homem. No caso do novo vírus, não se sabe até agora qual animal desempenha esse papel intermediário. Enquanto isso, a China proibiu o comércio de todos os animais selvagens.

    Os especialistas destacam a importância de "medidas de barreira", eficazes para outras doenças virais, como a gripe: lavar as mãos com frequência, tossir ou espirrar na dobra do cotovelo ou no lenço, evitar tocar o rosto, etc.

    O que é coronavírus?

    Coronavírus é uma grande família de vírus que causam infecções respiratórias de leves a moderadas em seres humanos e animais. Os primeiros coronavírus humanos foram identificados em meados da década de 1960.

    Como o novo coronavírus é transmitido?

    As investigações sobre transmissão do novo coronavírus ainda estão em andamento, mas a disseminação de pessoa para pessoa, ou seja, a contaminação por contato, está ocorrendo. É importante observar que a disseminação de pessoa para pessoa pode ocorrer de forma continuada.

    Alguns vírus são altamente contagiosos (como sarampo), enquanto outros são menos. Ainda não está claro com que facilidade o novo coronavírus se espalha de pessoa para pessoa. Apesar disso, a transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como:

    - gotículas de saliva;

    - espirro;

    - tosse;

    - catarro;

    - contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão;

    - contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

    Os coronavírus apresentam uma transmissão menos intensa que o vírus da gripe e, portanto, o risco de maior circulação mundial é menor. O vírus pode ficar incubado por duas semanas, período em que os primeiros sintomas levam para aparecer desde a infecção.

    Como é feito o diagnóstico do novo coronavírus?

    O diagnóstico do novo coronavírus é feito com a coleta de materiais respiratórios (aspiração de vias aéreas ou indução de escarro). É necessária a coleta de duas amostras na suspeita do coronavírus. As duas amostras serão encaminhadas com urgência para o Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen). Uma das amostras será enviada ao Centro Nacional de Influenza (NIC) e outra amostra será enviada para análise de metagenômica.

    Para confirmar a doença é necessário realizar exames de biologia molecular que detecte o RNA viral. O diagnóstico do novo coronavírus é feito com a coleta de amostra, que está indicada sempre que ocorrer a identificação de caso suspeito. Orienta-se a coleta de aspirado de nasofaringe (ANF) ou swabs combinado (nasal/oral) ou também amostra de secreção respiratória inferior (escarro ou lavado traqueal ou lavado bronca alveolar).

    Importante: Os casos graves devem ser encaminhados a um Hospital de Referência para isolamento e tratamento. Os casos leves devem ser acompanhados pela Atenção Primária em Saúde (APS) e instituídas medidas de precaução domiciliar.

    Como é feito o tratamento do novo coronavírus?

    Não existe tratamento específico para infecções causadas por coronavírus humano. No caso do novo coronavírus é indicado repouso e consumo de bastante água, além de algumas medidas adotadas para aliviar os sintomas, conforme cada caso, como, por exemplo:

    Uso de medicamento para dor e febre (antitérmicos e analgésicos). Uso de humidificador no quarto ou tomar banho quente para auxiliar no alívio da dor de garanta e tosse. Assim que os primeiros sintomas surgirem, é fundamental procurar ajuda médica imediata para confirmar diagnóstico e iniciar o tratamento.

    *Fonte: Ministério da Saúde.

    *Com informações da AFP.

    Deixe seu comentário:

    Últimas notícias

    Loading... Todas de Saúde

    Colunistas