A Polícia Federal (PF) cumpriu, na manhã deste sábado (27), dez mandados de prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica por tentativa de golpe de Estado. A ação ocorre por decisão determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, um dia após a prisão de Silvinei Vasques, no Paraguai, quando ele tentava fugir para El Salvador.

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Entre os alvos das ordens de prisões domiciliares, conforme apurou a TV Globo, estão:

  • Filipe Martins, ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro
  • Ângelo Denicoli, major da reserva do Exército;
  • Bernardo Romão Corrêa Netto, coronel do Exército;
  • Fabrício Moreira de Bastos, coronel do Exército;
  • Giancarlo Rodrigues, subtenente do Exército;
  • Guilherme Marques Almeida, tenente-coronel do Exército;
  • Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros, tenente-coronel do Exército;
  • Marília Alencar, ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça;
  • Ailton Gonçalves Moraes Barros, ex-major do Exército;
  • Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal.

No total, oito dos 10 mandados foram cumpridos. Carlos Cesar Moretzsohn Rocha não foi encontrado no endereço informado à Justiça e é considerado foragido pela PF. Já Guilherme Marques Almeida estava em um estado diferente do informado, mas entrou em contato com as autoridades e está em direção à sua residência para cumprir prisão domiciliar.

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Os alvos passarão por audiências de custódia na tarde deste sábado.

Os alvos terão de usar tornozeleira eletrônica, além de cumprir outras medidas restritivas, como proibição do uso de redes sociais, contato com outros investigados, entrega de passaportes, e proibição de recebimento de visitas. Moraes também determinou a suspensão dos documentos de porte de arma de fogo.

Prisão de Silvinei Vasques

Ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, foi preso no Paraguai tentanto embarcar para El Salvador com passaporte falso, na sexta-feira (26). Horas depois, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, decretou a prisão preventiva dele.

De acordo com informações da Polícia Federal enviadas ao ministro do STF, Silvinei Vasques deixou o condomínio onde mora em São José na noite de quarta-feira (24), véspera de Natal, por volta das 19h, antes de a tornozeleira parar de funcionar. Ele deixou a cidade em um carro alugado, levando pertences e o seu cachorro.

Silvinei usou documentos paraguaios para tentar fugir do Paraguai rumo a El Salvador. Os agentes de imigração perceberam, porém, que a numeração e as impressões digitais não eram as mesmas do passageiro. Ao ser abordado, ele confessou que os documentos não eram dele.

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Vasques foi encaminhado pela polícia paraguaia até Foz do Iguaçu, onde passou a noite de sexta (26). Neste sábado (27), ele foi transferido para Brasília, onde deve passar por audiência de custódia.

Veja fotos do caso

Vasques foi condenado pelo STF a 24 anos e seis meses

No último 16 de dezembro, Silvinei foi condenado a 24 anos e seis meses por envolvimento em cinco crimes durante a trama golpista pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a acusação, ele integrou o chamado “núcleo 2” da organização criminosa e atuou para impedir a votação de eleitores, especialmente no Nordeste, por meio de operações da PRF no segundo turno das eleições.

No mesmo dia da condenação, Silvinei Vasques solicitou exoneração do cargo de secretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação de São José, na Grande Florianópolis.