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Piora a qualidade da água na bacia do rio Cachoeira em Joinville

Índice de qualidade caiu de 45,8 para 40,1 pontos em quatro anos, numa escala que vai de 0 a 100. Ampliação da rede de esgoto é estratégia para recuperação

14/08/2019 - 18h00 - Atualizada em: 15/08/2019 - 10h54

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Luan
Por Luan Martendal
Monitoramento mostra piora nos últimos quatro anos na qualidade da água do Rio Cachoeira
Monitoramento mostra piora nos últimos quatro anos na qualidade da água do Rio Cachoeira
(Foto: )

O índice de qualidade da água (IQA) da bacia do rio Cachoeira, em Joinville, caiu de 45,8 para 40,1 pontos nos últimos quatro anos, numa escala que vai de 0 a 100. É o que sugere um comparativo de um estudo feito em 2015 pelo mestre em saúde e meio ambiente, Thiago Zschornack, com os dados do último monitoramento da Companhia Águas de Joinville. O resultado indica um revés na crescente evolução das condições do rio, que entre os anos de 2011 e 2015 teve IQA geral passando de 27,5 para os 45,8 pontos, quando saiu da zona de classificação ruim para razoável. Apesar disso, o Cachoeira mantém, em 2019, média de qualificação da água em situação aceitável e apresenta perspectiva de recuperação.

A Bacia Hidrográfica do Rio Cachoeira é a que contempla a maior parcela da população dentre as seis bacias joinvilenses e foi justamente às margens dele que a cidade se desenvolveu desde a chegada dos primeiros colonizadores do município. Com o passar dos anos, o crescimento trouxe o aumento gradual da poluição para o rio, que, aliada à crescente demanda por maior cobertura da rede de esgoto sanitário em seu entorno, representa um desafio para tratá-lo e mantê-lo em boas condições.

A última análise da Companhia Águas de Joinville sobre a situação da bacia do Cachoeira é de junho deste ano (tendo em vista que os dados de julho levam em torno de 20 dias para serem ajustados). O monitoramento avalia o impacto dos esgotos domésticos em suas águas e demonstra que a qualidade da água é imprópria para consumo ou para banho. Dentre os fatores considerados para determinar a qualidade do rio estão a análise da quantidade de nitrogênio, fósforo e oxigênio dissolvido, além da cor, turbidez e a presença de coliformes na água.

Segundo a amostragem mais recente, o ÍQA médio alcança 40,12% dos 100% possíveis na bacia hidrográfica do rio Cachoeira. Os melhores indicadores são os pontos do rio Mirandinha, no pontilhão da rua Rio Negrinho (43,21/100); rio Morro Alto no pontilhão da rua Orestes Guimarães (42,88/100); e rio Bom Retiro, no pontilhão da rua General Câmara (42,85/100).

Já os pontos de maior atenção, ou seja, os mais críticos são o rio Mirandinha, no pontilhão da rua Dona Francisca (37,32/100); rio Cachoeira, no pontilhão da Rua Alicia Bittencourt Ferreira (38,06/100); e rio Jaguarão, na altura do pontilhão da rua Urussanga (38,98/100).

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Trecho do rio Jaguarão, na rua Urussanga, apresenta óleo e sujeira
Trecho do rio Jaguarão, na rua Urussanga, apresenta óleo e sujeira
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De acordo com a Companhia Águas de Joinville, as ligações clandestinas e o despejo de poluentes no curso da bacia — que representa 7,3% da área de Joinville e concentra em suas margens metade da população da cidade — são os grandes vilões para a manutenção do Cachoeira. Em visitas de campo para colher amostragem da água, são comuns aos funcionários da Águas de Joinville encontrarem pedaços de madeira, móveis e outros descartes nas margens e na própria água do rio — denotando a importância de conscientização da população em cuidar do bem natural.

Como contrapartida, para conter e tentar reverter a queda de qualidade da água algumas medidas vêm sendo adotadas pela companhia. Primeiro houve o aumento de 13 para 19 o número de pontos analisados, além disso a periodicidade de coleta das amostras passou de seis meses para aferição mensal, feita por ao menos uma dezena de profissionais.

— Essas mudanças foram adotadas diante dos últimos índices obtidos e buscam reunir uma base mais consistente e padronizada dos dados e resultados. Além disso, um dos fatores que pode estar influenciando (na queda de qualidade) é o despejo clandestino de esgoto, por isso a fiscalização também será aumentada — aponta Patrícia Helena Eggert Karnopp, responsável pelo laboratório de Controle de Qualidade da Cia Águas de Joinville.

— O compromisso da companhia é manter os rios vivos e limpos e para isso a gente precisa da ajuda da população para conseguir atingir este objetivo — completa.

Ações de resgate

A Prefeitura de Joinville destaca estar atenta a situação. Em nota, a administração municipal informou à reportagem que são realizadas ações de limpeza no rio Cachoeira em áreas avaliadas de riscos e que podem comprometer com a vazão das águas. “A principal ação de despoluição no momento são os investimentos realizados pela Companhia Águas de Joinville para a expansão do tratamento de esgoto”, aponta.

Conforme dados da companhia, na área da Bacia Hidrográfica do Rio Cachoeira existem 85.600 economias com ligação de água ativa e 57.184 economias com ligação de esgoto ativa. Esses números indicam índice de cobertura de esgoto da bacia em 66,8%, bem acima dos 49,27% de 2015.

Segundo a Águas, a tendência é aumentar esse percentual nos próximos anos, tendo em vista que há investimentos ocorrendo na rede na Zona Sul no bairro Boa Vista, o que leva a expectativa de que a cidade como um todo (não só na região compreendida pelo rio) tenha 50% de cobertura em 2022.

Ainda conforme a Prefeitura, a Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente também faz ações de fiscalização para monitorar possíveis danos ambientais que possam comprometer a qualidade da água. Há ainda a previsão de realização da revisão do Plano Municipal de Saneamento Básico. De acordo com o poder público, a revisão deve iniciar em setembro e vai dar os direcionamentos a respeito da ampliação das ações de saneamento,que irão refletir na melhoria da qualidade da água do rio Cachoeira.

Alguns pontos do Cachoeira apresentam boas condições, como este trecho no bairro América, na ponte na rua Aracaju
Alguns pontos do Cachoeira apresentam boas condições, como este trecho no bairro América, na ponte na rua Aracaju
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Comitê acompanha evolução da qualidade da água do rio

A Universidade da Região de Joinville (Univille) é outro meio de garantia do monitoramento das águas do rio Cachoeira. O centro universitário comporta a assessoria técnica do Comitê de Gerenciamento dos Recursos Hídricos das bacias hidrográficas dos rios Cachoeira e Cubatão, sob coordenação da Pró-Reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Univille, Therezinha M. Novais de Oliveira.

O comitê faz monitoramento mensal da qualidade da água em três pontos de amostragens, também com o intuito de manter informações atualizadas e gerar dados que possam promover uma melhor gestão das condições do rio.

Nos pontos avaliados pela Univille, os resultados das amostras são mais satisfatórios e mostram no mês de junho, qualidade razoável da água numa faixa que varia de péssima a ótima: João Pessoa (IQA 49/100); Prefeitura (48/100) e Ponte do Trabalhador (45/100).

Para Therezinha Oliveira, para aumentar o IQA do Cachoeira “é essencial investir na ampliação da rede de coleta e o tratamento do esgoto sanitário, bem como ampliar a fiscalização na área de resíduos sólidos evitando que as pessoas joguem resíduos no rio ou nas margens”. Ela cita ainda a necessidade de fiscalização mais eficaz, em cumprimento a resolução 430 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que versa sobre os padrões de lançamento de efluentes.

Outro tema controverso quanto a despoluição do Cachoeira é a possibilidade de dragagem do lodo depositado no leito do rio. “Caso o rio tenha que passar por dragagem é importante que seja respeitada a resolução 454/2012 do Conama, para que haja destinação correta dos sedimentos”, justifica a especialista.

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