O Banco Central (BC) segue trabalhando na chamada “agenda evolutiva do PIX” e prepara novas funcionalidades para o sistema de transferências em tempo real. (veja abaixo quais as mudanças planejadas)

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Lançada em 2020, a plataforma voltou a ser alvo de críticas nesta quarta-feira (1º) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — sob o argumento de que o sistema seria prejudicial às grandes empresas de cartão de crédito, como Visa e Mastercard.

Orientado pelo ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência, Sidônio Palmeira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu prontamente e afirmou que “ninguém” fará o governo brasileiro mudar o PIX.

Diante disso, o Banco Central também prevê novas funcionalidades para o PIX neste ano.

Veja detalhes do Pix automático

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Quais são as novidades estudadas para o PIX?

  • Cobrança híbrida: inclusão no regulamento do PIX da possibilidade de pagamento, por meio de QR Code, de uma cobrança que também pode ser quitada via boleto. A modalidade já é oferecida de forma facultativa, mas a previsão é que se torne obrigatória a partir de novembro deste ano.
  • Duplicata: funcionalidade que permitirá o pagamento de duplicatas escriturais (títulos de crédito) via PIX, facilitando a antecipação de recebíveis, com informações atualizadas em tempo real e redução de custos operacionais. A proposta é que funcione como alternativa aos boletos bancários.
  • Split tributário: adequação da ferramenta, até o fim do ano, ao sistema de pagamento de impostos em tempo real que vem sendo desenvolvido pela Receita Federal no contexto da reforma tributária sobre o consumo. A partir de 2027, a CBS (tributo federal sobre o consumo) será paga no momento da compra, desde que a transação seja feita por meio eletrônico.

Quais são as previstas para 2027?

  • PIX internacional: modalidade já aceita em alguns países, como Argentina, Estados Unidos (Miami e Orlando) e Portugal (Lisboa), entre outros. O BC avalia que o uso atual do PIX no exterior ainda é parcial, concentrado em estabelecimentos específicos. A proposta é viabilizar, no futuro, pagamentos transfronteiriços de forma definitiva entre países, interligando sistemas de pagamento instantâneos.
  • PIX em garantia: modalidade de crédito voltada a trabalhadores autônomos e empreendedores do setor privado. A proposta é permitir o uso de recebíveis futuros — valores a serem recebidos via PIX — como garantia em empréstimos bancários, possibilitando acesso a crédito com juros mais baixos.
  • PIX por aproximação (modelo offline): proposta para permitir pagamentos por aproximação mesmo sem conexão com a internet, ou seja, sem acesso a Wi-Fi ou 5G no momento da transação.

Além disso, o Banco Central segue discutindo o lançamento, no futuro, das regras para o chamado PIX Parcelado.

O parcelamento via PIX já é oferecido por diversas instituições financeiras como uma linha de crédito formal, mas o BC pretende padronizar as regras, o que tende a aumentar a concorrência entre bancos e reduzir os juros. Essa padronização ainda não tem prazo definido.

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PIX movimentou R$ 35,36 trilhões em 2025

A ferramenta de transferências do Banco Central segue em expansão. No ano passado, o PIX movimentou R$ 35,36 trilhões, estabelecendo um novo recorde.

O sistema também impulsionou a economia, especialmente entre pequenos negócios — presenciais e digitais — que antes enfrentavam mais dificuldades para receber pagamentos por seus produtos e serviços.

Em novembro de 2025, quando o PIX completou cinco anos, o diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central, Renato Gomes, afirmou que o país estava próximo de ter toda a população adulta utilizando a ferramenta.

— Muita gente não utilizava as contas que tinha. Ou apenas recebia o salário, sacava tudo e usava dinheiro. Depois do PIX, as pessoas perceberam a conveniência de pagar contas pelo celular e mudaram esse comportamento, passando, de fato, a usar suas contas — afirmou Gomes em novembro do ano passado.

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Quais foram as evoluções do PIX nos últimos anos?

Reconhecida internacionalmente, a ferramenta de transferências em tempo real do Banco Central evoluiu ao longo dos últimos cinco anos. Veja os avanços:

  • PIX Cobrança: passou a desempenhar o papel do boleto, permitindo que empresas e prestadores de serviço emitam e recebam pagamentos de forma mais rápida, com conciliação automática e comunicação direta com o cliente.
  • PIX Saque e PIX Troco: estabelecimentos comerciais passaram a funcionar como pontos de saque, descentralizando o acesso ao dinheiro e reduzindo custos ao incentivar pagamentos eletrônicos.
  • PIX Agendado: facilitou pagamentos recorrentes e transferências com datas programadas, ganhando relevância entre empregadores, autônomos e profissionais liberais pela previsibilidade e organização financeira.
  • PIX por Aproximação: inicialmente disponível apenas para Android, trouxe ao ambiente digital a experiência de pagamentos por contato físico, semelhante aos cartões por aproximação.
  • PIX Automático: democratizou os pagamentos recorrentes ao ampliar o acesso ao equivalente ao débito automático, antes concentrado em grandes instituições, facilitando cobranças de serviços contínuos.
  • Integração com o Open Finance: ampliou o alcance das transações digitais ao permitir a iniciação de pagamentos por diferentes plataformas, especialmente em compras online e via celular.