Portugal colocou em marcha uma das maiores intervenções costeiras recentes do país para tentar conter o avanço do mar sobre o litoral do Algarve, principal destino turístico português. A operação prevê a movimentação de cerca de 2,2 milhões de toneladas de areia para ampliar em aproximadamente 37 metros a faixa de praia em um dos trechos mais vulneráveis à erosão costeira da região.
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O projeto ocorre entre Quarteira e Garrão, no município de Loulé, no sul do país. A obra prevê a transferência de cerca de 1,4 milhão de metros cúbicos de sedimentos ao longo de 6,7 quilômetros de litoral, com investimento estimado em 14,8 milhões de euros, o equivalente a 86,7 milhões de reais. A expectativa é concluir os trabalhos antes do início da temporada de verão europeia.
Veja fotos do projeto português
A intervenção busca enfrentar um problema que se tornou cada vez mais evidente no Algarve. A erosão costeira, fenômeno natural agravado pelos efeitos das mudanças climáticas, tem provocado a redução gradual das praias da região, considerada um dos principais motores da economia portuguesa. O recuo da linha de costa e a perda de areia levaram o governo a apostar novamente na chamada alimentação artificial de praias, técnica utilizada em diversos países, inclusive no Brasil, para recuperar áreas costeiras.
Na prática, a estratégia consiste em retirar areia de uma jazida submarina previamente estudada e transportá-la até a costa por meio de dragagem. O material é então distribuído ao longo da praia para recompor o perfil natural do litoral e aumentar a proteção contra a ação das ondas e das tempestades.
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A obra foi planejada em etapas e passou por avaliação ambiental. Além do controle sobre a deposição dos sedimentos, o projeto também considerou a preservação do patrimônio arqueológico subaquático existente na área de extração da areia.
Experiência lembra alargamentos de praias de SC
A aposta portuguesa em alargamentos de praia encontra paralelo em diversas cidades brasileiras, especialmente em Santa Catarina, onde a técnica ganhou espaço nos últimos anos como resposta à erosão costeira e também como estratégia de valorização urbana.
O caso mais conhecido é o de Balneário Camboriú, que concluiu em 2021 o alargamento da Praia Central. A faixa de areia passou de cerca de 25 metros para até 70 metros em alguns trechos.
Outros municípios catarinenses seguiram o mesmo caminho. Navegantes concluiu recentemente uma megaobra de recuperação costeira, enquanto Balneário Piçarras executa sua quarta intervenção do tipo em menos de três décadas. Já Itapoá conduz um dos maiores projetos de alargamento do país, em uma praia que chegou a perder grande parte da faixa de areia devido ao avanço do mar.
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Apesar dos resultados positivos observados em algumas cidades, a experiência catarinense também mostra que essas intervenções não representam uma solução definitiva. Em Balneário Camboriú, por exemplo, ressacas posteriores provocaram a formação de escarpas e degraus na areia, exigindo obras complementares de contenção e monitoramento constante.
Confira imagens feitas logo após o fim da obra em BC
Dois meses depois do fim das obras, o desnível na faixa de areia foi flagrado por um banhista. A prefeitura da cidade informou que recebeu um parecer técnico da empresa Caruso, responsável pelo acompanhamento da obra até 12 meses após a finalização do alargamento.
Alargamento de praia resolve a erosão?
Especialistas costumam destacar que o alargamento artificial pode reduzir temporariamente os efeitos da erosão, mas não elimina as causas do problema, especialmente diante da elevação do nível do mar e da intensificação de eventos climáticos extremos.
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Além de Santa Catarina, projetos semelhantes vêm sendo adotados em diferentes regiões do país. Um dos casos mais conhecidos ocorreu na Praia de Ponta Negra, em Natal (RN), onde uma ampla obra de engorda foi executada para conter o avanço do mar e proteger a infraestrutura urbana. A intervenção alterou significativamente a faixa de areia da principal praia turística da capital potiguar.
No Paraná, Matinhos também passou por um grande projeto de recuperação costeira, com recomposição da praia e estruturas de contenção para enfrentar os processos erosivos que ameaçavam a orla.









