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    Portugal perde controle da Covid-19, colapsa sistema de saúde e pede ajuda internacional

    Nos últimos sete dias, o país tem o maior número mundial de novos casos diários por milhão de habitantes

    01/02/2021 - 15h54 - Atualizada em: 01/02/2021 - 15h55

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    Folhapress
    Por Folhapress
    Coronavírus em Portugal
    Janeiro concentrou mais de 42% dos contágios e quase 45% de todos os mortos por Covid-19 no país, que tem cerca de 10,1 milhão de habitantes
    (Foto: )

    Apontado como um bom exemplo de gestão nos primeiros meses da pandemia, Portugal viu a situação sair totalmente de controle em janeiro. Com alta generalizada de novos casos, internações e mortes, além de um sistema de saúde próximo do limite, o mês acabou com um pedido de ajuda a outros países da União Europeia.

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    O descontrole do último mês se traduz em números. Janeiro concentrou mais de 42% dos contágios e quase 45% de todos os mortos por Covid-19 no país, que tem cerca de 10,1 milhão de habitantes. Foram 5.576 óbitos em 31 dias, contra 6.906 entre março e dezembro.

    Nos últimos sete dias, o país tem o maior número mundial de novos casos diários por milhão de habitantes e está na vice-liderança das novas mortes por milhão de habitantes, de acordo com dados da Universidade Johns Hopkins.

    "É evidente que nós estamos no pior período da pandemia. Desde a mortalidade, até o número de internações e de novos casos. Não há nenhum indicador que não esteja, nestes últimos dias, nas suas piores condições", avalia o epidemiologista Ricardo Mexia, presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública.

    Com o aumento da demanda, o SNS (Sistema Nacional de Saúde), o sistema público de saúde, está próximo do limite. Cirurgias e consultas não urgentes foram suspensas, hospitais de campanha foram inaugurados e profissionais de outras áreas foram mobilizados para o combate à Covid-19. Mesmo assim, a situação em várias regiões é crítica.

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    No maior hospital do país, o Santa Maria, em Lisboa, as filas de ambulâncias se tornaram constantes. Em outras unidades, como o Garcia de Orta, em Almada, a situação é semelhante.

    Diante desse cenário, o governo português apelou à ajuda internacional de outros países da União Europeia. A cooperação entre os Estados-membros é prevista no projeto europeu e já ocorreu em vários países durante a pandemia.

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    Devido à localização isolada de Portugal, na ponta da península Ibérica e com fronteiras terrestres apenas com a Espanha, a logística é mais complexa.

    Mesmo assim, dois países já anunciaram reforços. Alemanha confirmou o envio de material hospitalar e respiradores, além de 26 profissionais de saúde (incluindo oito médicos), já na quarta-feira (3).

    A Áustria disse ter disponibilidade para receber pacientes críticos de Portugal em seus hospitais.

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    "É um imperativo da solidariedade europeia ajudar de forma rápida e sem burocracias, com o objetivo de salvar vidas. A Áustria já aceitou na pandemia pacientes de cuidados intensivos da França, da Itália e de Montenegro, e irá agora também aceitar os de Portugal ", afirmou o chanceler, Sebastian Kurz, em suas redes sociais.

    O envio de pacientes ainda não foi confirmado pelo ministério da Saúde, que, embora admita ajuda internacional, afirma que "todas as hipóteses estão sendo consideradas no sentido de continuar a assegurar os cuidados de saúde aos portugueses".

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    Para especialistas, o descontrole da pandemia em Portugal é multifatorial, mas é possível destacar as aglomerações no período de Natal e também a disseminação da variante britânica do Sars-CoV-2.

    O ECDC (Centro Europeu de Controle e Prevenção de Doenças), em seu mais recente relatório, confirma essa análise, citando que o aumento de casos "foi atribuído principalmente ao relaxamento das medidas" nas festividades de fim de ano, mas também, de uma maneira menos extensa, à difusão da variante britânica em algumas regiões do país.

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    Na contramão de vários países europeus, que apertaram as restrições nas festas de fim de ano, Portugal decidiu deliberadamente afrouxar as regras. Entre 23 e 26 de dezembro, não houve restrição aos deslocamentos nem à quantidade de pessoas reunidas.

    Mesmo com o aleta do governo britânico sobre a nova cepa do coronavírus em 14 de dezembro, Portugal seguiu recebendo, sem restrições, visitantes oriundos do Reino Unido, onde existe uma grande comunidade lusitana, durante mais de um mês.

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    Inquéritos epidemiológicos do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge indicam que a variante britânica está em disseminação rápida pelo país, com a probabilidade de se tornar dominante em breve.

    Com o recorde de mortes -por Covid-19.e por outros fatores-, o país também tem seu sistema funerário sob pressão. Há filas de espera para enterros e cremações, e hospitais já instalaram câmaras frigoríficas adicionais para lidar com o aumento no número de corpos.

    Em 15 de janeiro, quando a situação já se mostrava insustentável, o governo português avançou para um segundo confinamento geral. Com escolas e universidades abertas e várias exceções, o novo lockdown simplesmente não pegou.

    Com o avanço dos números de contágios, as autoridades decidiram, uma semana depois, suspender as aulas presenciais e apertar as regras sobre o toque de recolher e funcionamento de estabelecimentos comerciais.

    Mesmo assim, a queda nas infecções tem sido lenta.

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    No último fim de semana, o governo radicalizou as medidas e decidiu fechar as fronteiras do país, pelo menos, até 14 de fevereiro. O país também mandou cancelar todos os voos com destino ou origem ao Brasil.

    Lentidão na vacinação

    Portugal também tem enfrentado críticas à implementação de seu plano nacional de vacinação. De acordo com o sistema de monitoramento do ECDC, o país é um dos mais lentos da UE no processo de administração das primeiras doses.

    Responsável por divulgar os dados sobre a pandemia no país, a DGS (Direção-Geral da Saúde) não inclui a quantidade de vacinas disponíveis e administradas em seus boletins diários. Também não há informações sobre vacinados por região ou grupos prioritários.

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    Em meio à falta de transparência oficial, denúncias de pessoas furando fila e de desperdício de doses por negligência têm proliferado.

    No caso mais recente, no último fim de semana, o diretor do Instituto Nacional de Emergência Médica no Norte do país pediu demissão após ter sido revelado que ele autorizara a vacinação de 11 funcionários –fora do grupo prioritário– da pastelaria que costuma frequentar.

    Desde o começo da pandemia, Portugal já registrou 726.321 casos e 12.757 mortes por Covid-19.

    Por Giuliana Miranda

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