O prefeito de Canoinhas, Beto Passos (PSD), e o vice, Renato Pike (PL), foram presos na manhã desta terça-feira (29), numa operação que investiga fraudes e corrupção em serviços prestados ao poder público. A informação foi publicada em primeira mão pelo jornalista Raphael Faraco. Ainda não há informações sobre a motivação das prisões. A reportagem tentou contato com a defesa dos citados, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

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A assessoria do município divulgou uma nota, ainda nesta manhã, confirmando que Willian Godoy, presidente da Câmara de Vereadores da cidade, assumiu o cargo de prefeito interinamente, “a fim de garantir a continuidade dos serviços públicos municipais”. O texto ainda cita que a prefeitura não vai se manifestar neste momento, já que o caso corre em segredo de Justiça. 

Outras cidades alvo da operação

Além de Canoinhas, os 14 mandados de prisão – oito preventivas e seis temporárias – e 47 de busca e apreensão estão sendo cumpridos nas cidades Bela Vista do Toldo, Itaiópolis e Porto União, no Planalto Norte catarinense, e Bituruna, no Paraná. 

Nesta sétima fase da Operação Et Pater Filium são apurados crimes de organização criminosa, peculato, fraudes à licitação, corrupção e lavagem de dinheiro referentes a contratos de prestação de serviços nas áreas de educação e infraestrutura.

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Os documentos e objetos apreendidos serão analisados pelas equipes de investigação e apresentados em juízo.

A ação, realizada pelo Ministério Público de SC, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organização (Gaeco), conta com mais de 140 agentes, entre policiais e demais forças de segurança pública, além de integrantes do Gaeco do Paraná, do Instituto Geral de Perícias (IGP) e da Secretaria da Administração Prisional. 

Dois prefeitos já foram presos

Esta força-tarefa é fruto do desdobramento das investigações realizadas das fases anteriores da Operação Et Pater Filium em que se apuraram crimes contra a administração pública e outros na região do Planalto Norte, envolvendo agentes públicos e particulares.

Em agosto de 2020, o prefeito Orildo Antônio Servegnini, de Major Vieira, e o filho dele, Marcus Vinícius, foram presos na operação Et Pater Filium. Na ocasião, o prefeito também era presidente da Federação Catarinense de Municípios (Fecam). Orildo e Marcus, inclusive, foram condenados a 57 e 41 anos, respectivamente, pelos crimes. 

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O MP afirmou que havia suspeitas de uma ligação próxima entre empresários e funcionários públicos para direcionar as contratações públicas, a maioria no ramo de construção civil, para empresas parceiras em troca do pagamento de vantagens ilícitas aos agentes públicos, causando danos milionários aos entes públicos.

Em julho de 2021, o prefeito Adelmo Alberti, de Bela Vista do Toldo, também foi preso na quarta fase da operação Et Pater Filium. No último dia 25, a esposa dele, Maria Emília Schiessl Alberti, também foi presa durante a quinta fase da mesma operação.

Trechos da denúncia do Ministério Público contra Alberti, divulgados pelo portal JMais, mostram que o prefeito teria supostamento utilizado empresas em nomes de laranjas em contratos públicos. Em uma negociação gravada, o MP aponta que Alberti teria recebido dinheiro de propina e guardado o envelope na cueca.

O que dizem as prefeituras

A reportagem entrou em contato com as prefeituras das quatro cidades do Planalto Norte de SC que são alvo da operação. Questionados sobre a prisão do prefeito e vice, a assessoria de imprensa de Canoinhas disse que a administração vai se manifestar ainda hoje. 

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Em Porto União e Itaiópolis, as assessorias disseram que os mandados de prisão e busca e apreensão não foram cumpridos na sede das prefeituras. Já no caso de Bela Vista do Toldo, a comunicação disse que ter conhecimento da força-tarefa.

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