A prisão temporária dos três suspeitos pela morte de corretora gaúcha Luciani Aparecida Estivalet Freitas no Norte da Ilha, em Florianópolis, no início de março, foi prorrogada. A informação é do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que afirmou, ao NSC Total, que essa é a atualização mais recente em relação ao envolvidos. O caso tramita em sigilo.

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Ângela Maria Moro, de 47 anos, Matheus Vinícius Silveira Leite, de 27 anos, e a companheira dele, de 30 anos, estão presos desde os dias 12 e 13 de março, respectivamente. A dupla teve a prisão decretada temporariamente por suspeita de envolvimento na morte da corretora.

Matheus e a companheira foram presos em Gravataí, no Rio Grande do Sul, a cerca de 430 km da Capital catarinense. Por isso, eles estão detidos no estado gaúcho. Até o início de março, eles ainda não haviam sido ouvidos pela polícia.

Como a investigação está em sigilo, o MPSC não divulgou por quanto tempo as prisões, de 30 dias inicialmente, foram prorrogadas. Ainda não se sabe se trata-se de um latrocínio, quando a finalidade patrimonial foi prévia à morte, ou um homicídio sucedido de posterior subtração patrimonial de ocasião, quando a finalidade patrimonial é posterior.

Ambos os crimes são considerados hediondos e, por isso, conforme a Lei n. 8.072/90, o prazo da prisão temporária deve ser prorrogado em 30 dias.

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O NSC Total não conseguiu contato com a defesa dos envolvidos. O espaço segue em aberto.

Quem era Luciani?

Suspeita de envolvimento de cada preso no caso

Angela foi presa em flagrante no dia 12 de março por estar em posse de diversos bens pertencentes à Luciani. Ela é responsável pela pousada onde a corretora morava, no Norte da Ilha. Perguntada pelos policiais, Angela disse que Matheus, que também morava na pousada, pediu para que ela guardasse objetos relacionados à corretora em um dos apartamentos desocupados da pousada.

No apartamento, foram encontradas malas com pertences pessoais, além de outros bens adquiridos por Matheus, como dois arcos de balestra, controles de videogame, e uma televisão.

Segundo a polícia, diversas compras estavam sendo feitas no CPF de Luciani desde 6 de março. As mercadorias seriam entregues em um endereço no norte da Ilha. Os policiais realizaram vigilância no local e avistaram o momento em que um adolescente chegou para retirá-los.

Ele, então, teria dito que as mercadorias eram de seu irmão, Matheus, e que moraria com a família no mesmo bairro que Luciani, local em que posteriormente foi encontrado o carro da mulher que, na época, estava desaparecida.

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Na conclusão do inquérito, o MPSC quer saber, com detalhes, o papel de cada suspeito na morte de Luciani. Para o órgão, a “ausência dessa individualização compromete a correta delimitação da responsabilidade penal e prejudica o adequado enquadramento jurídico das condutas, especialmente em
crimes complexos como o latrocínio, que exige a demonstração do liame entre a violência empregada, a finalidade patrimonial e o resultado morte”.

Investigação sobre a morte da corretora continua

A investigação ainda não foi concluída e continua sendo conduzida pela Delegacia de Roubos e Antissequestro da Diretoria Estadual de Investigações Criminais, com o caso sendo investigado como latrocínio. Uma outra investigação paralela também está sendo feita pela Delegacia de Homicídios da Capital para apurar a morte de Alberto Pereira de Araújo, de 29 anos, que foi encontrado morto próximo à pousada que ele e Luciani moravam como vizinhos, ainda em dezembro de 2025.

Corpo da corretora gaúcha ainda não foi liberado

O corpo de Luciani passa por uma perícia pela Polícia Científica desde que o corpo foi encontrado, no dia 11 de março, em Major Gercino, com outras possíveis partes do corpo sendo localizadas no mesmo local, nas margens do Rio Tijucas, no dia 17 de março.

Foram coletadas amostras que seguem em análise nos setores de Genética e Toxicologia. De acordo com a Polícia Científica, o resultado pode levar entre 20 a 40 dias para ser concluído. Se contabilizado em dias corridos, finalizaria no dia 26 de abril. Se contabilizado apenas os dias úteis, esse prazo pode chegar até o dia 14 de maio.

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O tempo que levará para a conclusão da perícia influencia diretamente para a liberação do corpo da gaúcha para a família, que quer realizar o enterro em Canoas. A perícia leva um pouco mais de tempo, segundo a Polícia Civil, porque o corpo foi encontrado de forma fragmentada. Nesse momento, já se sabe que todas as partes pertencem a uma mesma pessoa.

“A adoção desse protocolo é fundamental para assegurar a precisão pericial, evitando a necessidade de múltiplos exames genéticos isolados em cada fragmento e garantindo que se trata de um único óbito”, diz a Polícia Científica, em nota.

Esse tipo de procedimento também tem como objetivo “resguardar a dignidade da vítima e de seus familiares”, evitando que “novas etapas de luto decorrentes de eventuais identificações posteriores de partes”, finaliza o órgão.

Como o sumiço de Luciani foi descoberto

Luciani era corretora de imóveis e foi vista pela última vez na Praia dos Ingleses, no Norte da capital catarinense, em 4 de março. Ela morava em Florianópolis. Os familiares perceberam que havia algo estranho com Luciani no dia 6 de março, quando ela não entrou em contato com a mãe para desejar feliz aniversário.

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boletim de ocorrência foi registrado apenas no dia 9 de março, após a família desconfiar de erros gramaticais em mensagens enviadas pelo celular da corretora. Em uma delas, o contato da corretora disse que estava bem, mas que estaria sendo perseguida por um ex-namorado.

Dias depois, em 11 de março, um corpo esquartejado foi encontrado em Major Gercinona Grande Florianópolis. Dois dias depois, exames de DNA confirmaram que o cadáver era de Luciani.

Segundo a Polícia Civil, que investiga o caso, Luciani teria sido morta entre os dias 4 e 5 de março. O corpo permaneceu até a madrugada do dia 7 no apartamento dela, quando foi retirado e levado para uma área rural e jogado em um rio, dividido em cinco partes.