A morte da corretora gaúcha Luciani Aparecida Estivalet Freitas no Norte da Ilha, em Florianópolis, completa um mês no próximo sábado (11), quando o corpo da mulher foi encontrado em Major Gercino, há cerca de 135 quilômetros de distância de onde ela morava. Entretanto, Luciani permaneceu desaparecida por uma semana, com uma cronologia do caso que está longe de terminar.

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6 de março – familiares estranham comportamento da corretora gaúcha

Tudo começou no dia 6 de março, quando os familiares de Luciani, que moram no Rio Grande do Sul, perceberam que a corretora estava estranha, já que ela não havia entrado em contato com a mãe para desejar feliz aniversário. Segundo os irmãos, a partir desse momento, a família começou a mandar mensagens e a fazer ligações para a mulher, que supostamente retornou por mensagem afirmando que estava “na correria”.

De acordo com os irmãos, ela também mandava figurinhas e emojis, o que não era o habitual, desde o dia 4 de março, quando ela foi vista pela última vez na Praia dos Ingleses, no Norte da Ilha. De acordo com informações da Polícia Civil, que analisou imagens de câmeras de segurança, o carro dela foi visto por volta das 2h na região. Depois, às 4h, foi visto atravessando a Via Expressa, já na Grande Florianópolis e, por volta das 9h, entrando na Ponte Pedro Ivo Campos, na Capital.

Quem era a corretora gaúcha

9 de março – Luciani é dada como desaparecida

Desconfiados de erros gramaticais nas mensagens enviadas pelo celular da corretora. Em uma das mensagens, Luciani teria afirmado que estava bem e que iria ao Paraguai passar um tempo com uma amiga pois estaria sendo perseguida por um ex-namorado.

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Foi no dia 9 de março que o boletim de ocorrência do desaparecimento de Luciani foi registrado. No mesmo dia, o irmão da corretora, Matheus Estivalet Freitas, que mora em Itapema, no Litoral Norte, foi até o apartamento de Luciani acompanhado de policiais e gravou um vídeo, mostrando comidas estragadas e louça suja acumulada na cozinha.

11 de março – corpo é encontrado em Major Gercino

Uma mobilização nas redes sociais com pedidos da família foi feita para que a população ajudasse a encontrar Luciani. Foi no dia 11 de março que um corpo foi encontrado esquartejado em Major Gercino.

Conforme a Polícia Militar (PM), o corpo de uma mulher não identificada foi localizado esquartejado em um córrego por volta de 13h30min desta quarta-feira. 

12 de março – polícia vê possível relação do corpo encontrado com o caso de Luciani

Na quinta-feira (12), o delegado Cristiano Sousa, da delegacia de São Batista, informou que o caso do corpo encontrado em Major Gercino seria investigado pela Delegacia de Roubos e Antissequestro (DRAS) da DEIC “uma vez que há possível relação com o desaparecimento de Luciani Aparecida Estivalet Freitas”.

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A partir disso, a Polícia Científica começou a realizar exames periciais, além de coletas de vestígios. Os matérias recolhidos foram submetidos a exames laboratoriais, como de DNA para a identificação da vítima.

Ainda na quinta-feira, uma mulher, de 47 anos, foi presa em flagrante por suspeitas de envolvimento no caso. A prisão temporária dela foi homologada pela Justiça pela suposta prática de receptação. Segundo a polícia, diversas compras estavam sendo feitas no CPF de Luciani desde 6 de março.

As mercadorias seriam entregues em um endereço no norte da Ilha. Os policiais realizaram vigilância no local e avistaram o momento em que um adolescente chegou para retirá-los. Ele, então, teria dito que as mercadorias eram de seu irmão, e que moraria com a família no mesmo bairro que Luciani, local em que posteriormente foi encontrado o carro da mulher desaparecida.

Os policiais ainda descobriram pertences da vítima, como notebook e televisão, além de mercadorias compradas, escondidos em outro apartamento, que estava desocupado e trancado, e estava sob responsabilidade da suspeita.

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13 de março – polícia confirma que o corpo esquartejado é da corretora gaúcha

No dia 13 de março, a polícia e a família confirmaram que o corpo esquarteja era da corretora gaúcha. Segundo a polícia, Luciani teria sido morta entre os dias 4 e 5 de março. O corpo permaneceu até a madrugada do dia 07 no apartamento dela, quando foi retirado e levado para uma área rural e jogado em um rio, dividido em cinco partes.

No mesmo dia, Matheus Vinícius Silveira Leite, de 27 anos, e a companheira dele, de 30 anos, foram presos em Gravataí, a cerca de 430 km da Capital catarinense, suspeitos por envolvimento na morte da corretora. De acordo com a Polícia Civil, o homem estava foragido após ter cometido um latrocínio em 2022 em Laranjal Paulista, em São Paulo. Ele teria matado o proprietário de uma padaria com um tiro na cabeça. Ele e a companheira moravam em um apartamento vizinho ao de Luciani.

17 de março – possíveis partes do corpo de corretora são encontradas

No dia 17 de março, possíveis partes do corpo da corretora foram localizadas durante buscas nas margens do Rio Tijucas, em Major Gercino. No total, seriam cinco sacos com os possíveis restos mortais de Luciani.

Conforme os bombeiros, as buscas contaram com uso de drone e uma embarcação. As equipes fizeram varredura aquática em aproximadamente cinco quilômetros do rio, desde o afluente na Ponte Itereré até a região conhecida como Comunidade do Louro. O drone permaneceu em voo por aproximadamente 1 hora e 30 minutos, ajudando na varredura da área e na identificação de possíveis vestígios.

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Inicialmente, os bombeiros não encontraram novos vestígios na busca aquática. Por isso, as equipes passaram a concentrar esforços em buscas terrestres nas margens do rio, nas proximidades do ponto onde foram encontrados os primeiros restos mortais. Foram localizados os dois pés, partes compatíveis com as pernas, além de braços e antebraços.

18 de março – corpo encontrado em mala em praia em 2025 é identificado

No dia 18 de março, um corpo que foi encontrado esquartejado dentro de uma mala na Praia do Santinho em dezembro de 2025, em Florianópolis, foi identificado pela polícia. Segundo o delegado Alex Bonfim, da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), trata-se de Alberto Pereira de Araújo, de 29 anos.

No mesmo dia, a polícia descobriu que Alberto morava na mesma pousada que Luciani, a partir de informações e uma foto de Alberto com moradores antigos da pousada. Ele estava desaparecido desde dezembro. O desaparecimento do homem não havia sido registrado pela família, natural de São Paulo, já que não havia contato próximo entre os familiares e Alberto há algum tempo.

Alberto era natural de Laranjal Paulista, mesma cidade de um dos investigados pelo envolvimento na morte da corretora. 

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23 de março – polícia divulga que jovem encontrado em mala e suspeito de matar corretora eram colegas

No dia 23 de março, a polícia confirmou que Alberto e Matheus Vinícius Silveira Leite, preso suspeito de matar a corretora, eram colegas. Segundo o delegado Alex Bonfim, da Delegacia de Homicídios da Capital, apesar de a polícia ter identificado que Alberto e Matheus eram colegas, ainda não se sabe qual o grau exato de proximidade entre eles. Isso também fará parte do prosseguimento da investigação.

26 de março – perícia com laudo da morte da corretora pode levar até 40 dia

No dia 26 de março, a Polícia Científica confirmou que a perícia no corpo da corretora gaúcha pode levar entre 20 a 40 dias para ser concluída. As amostras foram coletadas e estão sendo analisadas para identificar a vítima e verificar se há a presença de substâncias no corpo, como drogas ou medicamentos.

Segundo o órgão, a análise está sendo feita nos setores de Genética e Toxicologia da Polícia Científica. Esse processo acontece porque o corpo foi encontrado de forma fragmentada e, nesse momento, já se sabe que todas as partes pertencem a uma mesma pessoa.

Por isso, o prazo, se contabilizado em dias corridos, finalizaria no dia 26 de abril. Se contabilizado apenas os dias úteis, esse prazo pode chegar até o dia 14 de maio.

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Investigação sobre a morte da corretora continua

Atualmente, a investigação continua sendo conduzida pela Delegacia de Roubos e Antissequestro da Diretoria Estadual de Investigações Criminais, com o caso sendo investigado como latrocínio. Uma outra investigação paralela também está sendo feita pela Delegacia de Homicídios da Capital para apurar a morte de Alberto.