Arthur Casas, um renomado arquiteto brasileiro com escritórios em São Paulo, Nova York e Lisboa, aparece nos arquivos de Jeffrey Epstein, criminoso sexual estadunidense morto em 2019. Os documentos foram tornados públicos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. As informações são da Folha de S. Paulo.

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Na última sexta-feira (30), milhões de novos arquivos relacionados ao bilionário foram divulgados. Três milhões da páginas, 180 mil imagens e 2 mil vídeos; o maior número de documentos compartilhados pelo governo desde que uma lei determinou sua divulgação no ano passado.

Arquiteto é citado em conversas sobre reforma em ilha de Epstein

Em trocas de mensagens entre uma assistente do arquiteto e Lesley Groff, que se apresenta como assistente pessoal de Epstein, é mencionada a possibilidade de uma reunião por videochamada entre o bilionário e o arquiteto brasileiro.

As conversas também citam uma eventual visita do arquiteto à ilha de Saint James, então pertencente a Epstein. Localizada no Caribe, a propriedade ficou conhecida como “ilha Epstein”.

Nos emails, uma pessoa chamada Jean Huguen encaminha uma mensagem a Epstein, no início de janeiro de 2016, indicando o trabalho do arquiteto brasileiro.

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“Encontrei o nome do arquiteto brasileiro. Eu gosto muito do trabalho dele”, escreveu Huguen, que encaminhou a foto de alguns dos projetos do arquiteto. No documento disponibilizado pelo Departamento de Justiça, não é possível ver quais os materiais que foram enviados ao abusador.

Depois, pelos documentos, a equipe de Epstein passa a se corresponder com o escritório de Casas. Em um momento, a assistente do americano avisa que o arquiteto gostaria de se encontrar com o bilionário em Nova York.

“Eles organizaram toda essa viagem (ilha, Miami, NY) e estão considerando cancelar a viagem inteira caso você não queira se encontrar com ele em Nova York. Eles esperam que você possa dar uma resposta ainda hoje.” Epstein respondeu que não havia “interesse em uma reunião em Nova York”.

Escritório diz que arquiteto esteve na ilha só pela visita técnica

Em nota, o escritório do arquiteto afirma que, em 2016, foi procurado pela assistente de Epstein com um pedido de proposta para o desenvolvimento de um projeto arquitetônico relacionado a uma possível reforma na ilha.

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“No contexto dessa abordagem inicial e em caráter estritamente preliminar, Arthur Casas realizou uma visita técnica, acompanhado de uma arquiteta que atuava como gerente de projetos internacionais”, diz o comunicado. Segundo a nota, o arquiteto esteve na ilha caribenha apenas para essa visita técnica, junto de uma integrante da equipe.

Ainda de acordo com o escritório, após essa etapa inicial, foram elaborados e encaminhados os esclarecimentos e as informações solicitadas, “sempre se limitando estritamente ao âmbito profissional e preliminar de uma possível prestação de serviços”.

O Studio Arthur Casas afirma, ainda, que a contratação não avançou e que não houve início de qualquer trabalho de desenvolvimento do projeto.

Novos arquivos de Epstein divulgados

Na última sexta, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos publicou um novo conjunto de arquivos relacionados a Epstein. A divulgação foi o mais recente esforço do governo de Donald Trump para cumprir a lei aprovada em novembro que exigia que a pasta divulgasse todos os registros relacionados a Epstein até 19 de dezembro de 2025.

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O departamento havia dito no final do ano que ainda tinha mais de cinco milhões de páginas para revisar e precisava realocar centenas de advogados para fazê-lo, atraindo críticas de alguns membros do Congresso de que o ritmo lento do governo na divulgação havia violado a lei.

O escândalo tornou-se um problema político persistente para Trump, que já enfrenta índices de aprovação em queda em uma série de questões, incluindo sua gestão da economia e as operações de repressão a imigrantes.

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