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Chuvas em SC

Quem eram mãe e filha que morreram soterradas no deslizamento em Florianópolis

Ana Cristina e Letícia foram sepultadas no fim da manhã desta segunda-feira; filho escapou porque foi ajudar vizinho que estava com alagamento em casa

25/01/2021 - 13h00 - Atualizada em: 25/01/2021 - 16h06

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Jean
Por Jean Laurindo
Letícia (E) e Ana Cristina morreram após deslizamento em casa no bairro Saco Grande, em Florianópolis
Letícia (E) e Ana Cristina morreram após deslizamento em casa no bairro Saco Grande, em Florianópolis
(Foto: )

Mãe e filha que morreram soterradas em um deslizamento em Florianópolis foram sepultadas no fim da manhã desta segunda-feira (25), o Cemitério do Itacorubi. Ana Cristina Martins Lopes, 49 anos, e a filha Letícia Lopes Machado, 21, moravam há mais de 12 anos no bairro Saco Grande, na casa que neste domingo (24) veio abaixo após a queda de um muro que ficava nos fundos da residência. A ocorrência foi a mais grave registrada em um dia de alagamentos nas ruas centrais e fortes chuvas que atingiram Florianópolis.

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Ana Cristina era diarista e Letícia trabalhava na rede de lanchonetes Bob’s, em um shopping do bairro em que morava. Eliton Jefter Laurentino é vizinho das vítimas e foi um dos primeiros a chegar ao local do desabamento neste domingo, junto com o pai e o cunhado.

– Nós moramos do lado, escutamos um barulho alto, um estalo, e descemos rápido para ver. Foi terrível – conta, emocionado.

Ana Cristina morava com Letícia e com o outro filho, de 17 anos. Segundo o vizinho, o rapaz só escapou do deslizamento porque 10 minutos antes teria saído para ajudar outro morador, que estava com água dentro de casa por causa fortes chuvas. Ele estaria tentando desobstruir uma boca de lobo para ajudar na vazão das águas.

Eliton conta que a vizinha saía sempre cedo para trabalhar e costumava ir aos cultos de uma igreja à noite. Ela era bem comunicativa e também frequentava a casa Eliton nos fins de tarde para conversar e brincar com a filha dele, uma menina de 2 anos.

– Era uma pessoa muito carinhosa, bondosa, brincalhona, então ela sempre estava junto com a gente – conta.

Os bombeiros contaram que encontraram os corpos das vítimas logo na chegada ao local da ocorrência. Outro vizinho, João Laurentino, afirmou que ouviu um barulho segundos antes do desabamento.

– Só deu um estralo no muro e ele caiu. Não dava nem tempo de sair – contou, em entrevista à NSC TV.

Ana Cristina e Letícia foram veladas na capela mortuária do Itacorubi e sepultadas no fim da manhã desta segunda, segundo vizinhos. O filho de Ana Cristina por enquanto deve ficar na casa de um amigo da família. A comunidade está começando a se reunir para levantar recursos para reconstruir uma moradia para o jovem caso ele queira continuar morando no local.

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Soterramento ocorreu em dia de estragos com chuvas

O soterramento das duas mulheres no bairro Saco Grande ocorreu em um domingo marcado por fortes chuvas que chegaram a 100 milímetros em apenas seis horas. Nas últimas 72 horas, o acumulado em alguns pontos da Ilha chega a 300 milímetros, mais do que o esperado para todo o mês.

Houve alagamentos nas ruas centrais e no acesso às pontes, bloqueios em rodovia e na Via Expressa. A situação fez a prefeitura decretar situação de emergência e manteve a Defesa Civil em alerta para o alto risco de deslizamentos, em função do solo encharcado por causa da semana de instabilidade.

A chuva e os estragos na Capital continuaram nesta segunda-feira. Na Lagoa da Conceição, o rompimento de uma lagoa alagou casas e arrastou carros. Na Via Expressa, nova queda de barreira interrompeu totalmente o fluxo de carros no sentido Ilha-BR-101. (Colaborou Marina Dalcastagne, da NSC TV)

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