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    Por que a previsão do tempo de chuva em Florianópolis persiste

    Sistema de baixa pressão, umidade e influência dos morros contribuíram com a chuva de mais de 100 milímetros em seis horas, concentrados na área central

    25/01/2021 - 05h00 - Atualizada em: 26/01/2021 - 10h45

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    Por Jean Laurindo
    Chuvas fortes atingiram Florianópolis e provocaram alagamentos e deslizamentos no domingo
    Chuvas fortes atingiram Florianópolis e provocaram alagamentos e deslizamentos no domingo
    (Foto: )

    As chuvas que atingiram Florianópolis no fim de semana impressionaram pelo volume acumulado de 100 milímetros em apenas seis horas e pelas cenas de alagamentos e estragos. Mas por que choveu tanto na Grande Florianópolis? A união de dois fenômenos é a resposta: neste fim de semana, um sistema que traz chuva ocorreu junto de um fluxo de ar quente e úmido, aumentando os volumes.

    Por conta desse grande volume de chuva, foram ao menos 30 ocorrências de deslizamentos em Florianópolis, segundo a Defesa Civil do município. Uma delas causou a morte de mãe e filha no bairro Saco Grande.

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    A cidade teve também duas quedas de muro no Morro da Penitenciária, no bairro Agronômica, e uma queda de calçada no José Mendes. Além disso, houve alagamentos em ruas centrais da Capital, no acesso às pontes e interdição do trânsito em um trecho da SC-401. Após os estragos, o domingo ainda seguiu com previsão de mais chuva até a noite.

    Como a combinação de fenômenos causou mais chuva

    Neste domingo, a presença do cavado sobre SC ocorreu junto de um fluxo de ar quente e úmido que vem do Norte do país em direção ao Sul. A influência desse fenômeno já teria sido sentida durante a semana, com a chuva que persistiu em todo o Estado, com mais intensidade em regiões como o Alto e Médio Vale. 

    Nesses casos, outros fenômenos e as áreas de baixa pressão exerceram influência para provocas as chuvas que também causaram enchentes no Vale. Essa umidade trazida pelos ventos ajuda a explicar a alta nebulosidade que pairou sobre a região.

    – Não é uma situação atípica, ainda mais em janeiro (época de chuvas). O que é um pouco mais atípico está sendo esse canal de umidade vindo do Norte do país, que deveria estar mais voltado ao Sudeste, estar desta vez mais voltado à região Sul. Por conta disso, cavados e outros fenômenos acabam sendo potencializados e gerando como consequência esse volume de chuvas – explica Tatiane.

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    Chuva orográfica ou de relevo também impacta Santa Catarina

    O técnico em Meteorologia e apresentador da NSC TV, Douglas Márcio, detalha que esse cavado não se deslocou, permanecendo sobre o Litoral de SC, e acrescenta um terceiro fator a essa combinação: a chuva orográfica, ou chuva de relevo. Isso acontece quando nuvens mais baixas encontram no caminho morros, que acabam reforçando a instabilidade já existente.

    – O que chama a atenção é que tivemos chuva, como previsto, em várias regiões, Litoral e áreas próximas, mas a chuva desse domingo ficou extremamente concentrada no Sul da Ilha e na região central, próximo ao bairro Itacorubi – explica.

    A chuva deste domingo ocorre depois de uma semana em que a instabilidade não deu trégua em praticamente todas as regiões do Estado. Em três dias, o Estado registrou o volume de chuva esperado para todo o mês. Por conta disso, em muitas áreas o solo já está encharcado, o que favorece a ocorrência de deslizamentos como os registrados na Capital.

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    Mais de 100 milímetros em seis horas

    As chuvas em Florianópolis chegaram a 100,8 milímetros em um intervalo de apenas seis horas, segundo dados do sistema Epagri/Ciram. O volume de chuva na Capital foi um dos maiores do Estado e considera o período da manhã até o início da tarde deste domingo (24), entre 7h50min e 13h50min. Guabiruba, no Vale do Itajaí, também teve índices elevados de chuva e destruição de casas, empresas e ruas neste domingo.

    Em algumas estações da Capital, como a da Casan, chegou a ser registrado o acumulado de 130 milímetros. A quantidade de chuva é quase metade do esperado para todo o mês. Segundo a Epagri/Ciram, a média histórica de janeiro costuma ficar entre 200 e 250 milímetros na Grande Florianópolis.

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    Grande Florianópolis fica em alerta

    Embora o alerta emitido nos últimos dias pela Defesa Civil envolvesse também outras regiões da área Leste do Estado, como Vale do Itajaí e Norte, a Grande Florianópolis foi a principal região atingida pelas chuvas deste domingo. Cidades da região também tiveram volumes expressivos de chuva, mas abaixo da Capital. Em Palhoça, o acumulado foi de 59 milímetros neste mesmo intervalo de seis horas. São José (59 milímetros) e Rancho Queimado (39 milímetros) também aparecem entre os mais atingidos.

    O volume de chuva pode ser comparado a outros episódios como as chuvas de janeiro de 2018 em Florianópolis, quando a capital sofreu com alagamentos e estragos em várias regiões e também registrou mais de 100 milímetros de chuva em 24 horas. No entanto, ficou abaixo de outros episódios de cheias. 

    Em novembro de 2008, quando regiões como o Vale do Itajaí sofreram com a calamidade, Florianópolis teve acúmulo de 160 milímetros em 24 horas, segundo material divulgado no site da Epagri/Ciram. Em entrevista à CBN Diário, o prefeito Gean Loureiro chegou a comparar o volume com o registrado na enchente de 1995, considerada a pior da cidade. Na época, no entanto, o acumulado de chuva chegou a 372 milímetros em três dias, o dobro da média mensal na ocasião, conforme reportagem do portal G1-SC que recordou o episódio.

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    Previsão do tempo indica mais chuva

    A previsão para os próximos dias ainda é de condição semelhante à deste domingo, com instabilidade, tempo fechado e chuva a qualquer hora. Por conta disso, o alerta permanece e moradores de regiões de encostas devem ficar atentos a barulhos e movimentações de terra. Qualquer situação de risco pode ser comunicada para a Defesa Civil pelo telefone 199.

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