Com tecnologia de ponta, um “raio-x” será usado para tentar frear o avanço do mar nas praias de Itapoá, no Litoral Norte de Santa Catarina. A cidade, que passa pelo maior alargamento de faixa de areia do Brasil, será pioneira no projeto em SC que acontece em âmbito nacional.

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A parceria entre o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a prefeitura de Itapoá e a Universidade Federal do Paraná (UFPR) foi divulgada nessa terça-feira (19). O objetivo principal é fortalecer a base de conhecimento sobre os processos de erosão costeira, fornecendo subsídios para o ordenamento territorial.

Confira fotos das praias de Itapoá

Ainda em abril deste ano, os envolvidos assinaram o Acordo de Cooperação Técnica (ACT) no âmbito do Projeto Estudo da Dinâmica Costeira Continental e Ocupação, executado pelo SGB. 

Como funciona o “raio-x” da praia

Com duração de dois anos, o plano de trabalho prevê o emprego de tecnologia de ponta, incluindo aerolevantamentos com sensores LiDAR, sigla em inglês para Light Detection and Ranging, ou “detecção de luz e alcance”, se traduzido.

Além disso, também haverá coleta de sedimentos e análises laboratoriais. Os dados viabilizarão o monitoramento da praia em diferentes estações do ano, identificando setores críticos de déficit ou aporte sedimentar. Duas etapas já foram concluídas na região, conforme divulgado pelo SGB.

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— O aprofundamento técnico sobre a dinâmica da costa é essencial para mitigar os impactos de eventos extremos, como as ressacas, além de otimizar a aplicação de recursos públicos e  fortalecer a capacidade de adaptação das zonas costeiras frente aos desafios impostos pelas variações ambientais — explica o pesquisador em geociências do SGB, Marcelo Jorge, coordenador do projeto. 

Projeto inédito na cidade catarinense dá “futuro” às praias

Itapoá será o município pioneiro em Santa Catarina a implementar um programa de monitoramento costeiro de alta precisão. De acordo com o engenheiro da Secretaria de Meio Ambiente (SEMAI) Lucas Henderson, o objetivo é identificar soluções para a erosão marinha, que há décadas afeta a cidade. 

— Com informações confiáveis em mãos, Itapoá poderá balizar futuros projetos de infraestrutura, buscar financiamentos para novas etapas de engorda, como a planejada para a zona norte, entre o bairro Continental e o Balneário Cambijú, e implementar políticas públicas que garantam uma orla preservada, segura e pronta para o futuro —, afirma.

“A relevância do projeto se confirma pois as regiões costeiras são consideradas ambientes naturalmente frágeis devido à dinâmica complexa associada à ação das marés, ventos e ondas, ao aumento do nível do mar e aos impactos provocados por atividades humanas, um cenário que  impacta diretamente a vida da população”, afirma o SGB.

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Avanço do mar no Litoral paranaense

Os diálogos para firmar a parceria começaram após o SGB iniciar, em março de 2025, o projeto Dinâmica Costeira no município de Guaratuba, no Paraná, em parceria com a UFPR. As atividades envolverão também alunos de graduação e pós-graduação.

Estudos sobre dinâmica costeira no Brasil

O SGB tem ampliado os estudos do projeto Dinâmica Costeira em parceria com universidades, sendo este o quarto acordo firmado dentro da iniciativa. Já foram entregues os resultados de São Vicente, em São Paulo, e há estudos em andamento em Maricá, no Rio de Janeiro e Guaratuba.  

*Sob supervisão de Leandro Ferreira