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Crise no governo

Relação com a família Bolsonaro mantém ministro da Educação no cargo

Em áudio, Milton Ribeiro afirma que prioriza prefeituras cujos pedidos de liberação de verba foram negociados por dois pastores

24/03/2022 - 09h11

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Folhapress
Por Folhapress
Presidente Jair Bolsonaro com o ministro da Educação, Milton Ribeiro
Presidente Jair Bolsonaro com o ministro da Educação, Milton Ribeiro
(Foto: )

A relação com a família Bolsonaro tem sido fundamental para segurar o ministro Milton Ribeiro (Educação) no cargo. Ele é próximo da primeira-dama, Michelle, e tem entre seus maiores defensores no Congresso o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

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Na sexta-feira (25), a Câmara de Miracatu (SP) dará título de cidadão honorário a Ribeiro, pela implantação de uma escola e uma universidade no local. O projeto é de um vereador aliado de Renato Bolsonaro, irmão do presidente e chefe de gabinete da prefeitura.

O ministro tem sido alvo de críticas e de pedidos de investigação nos últimos dias. Em conversa gravada obtida pelo jornal Folha de S.Paulo, Ribeiro afirma que o governo federal prioriza prefeituras cujos pedidos de liberação de verba foram negociados por dois pastores que não têm cargo e atuam em um esquema informal de obtenção de verbas do Ministério da Educação (MEC). Ele diz que isso atende a uma solicitação de Jair Bolsonaro.

O prefeito Gilberto Braga (PSDB), do município maranhense de Luis Domingues, afirmou que um dos pastores que negociam transferências de recursos federais para prefeituras pediu 1 kg de ouro para conseguir liberar verbas de obras de educação para a cidade.

Segundo o gestor, o pedido foi feito em um restaurante de Brasília na presença de outros políticos.

Ribeiro disse nesta quarta-feira (23) que levou denúncia à Controladoria-Geral da União (CGU) a respeito de uma suposta atuação indevida de pastores em agosto do ano passado.

Depois disso, no entanto, o ministro ainda encontrou os pastores em ao menos cinco vezes. A agenda oficial de Ribeiro registra outros três encontros do ministro com os pastores em seu próprio gabinete. Realizados ainda em 2021, todos reuniram políticos.

A controladoria diz ter recebido duas denúncias do Ministério da Educação no ano passado a respeito dos pastores que não têm cargo e atuam em um esquema informal de obtenção de verbas do MEC.

*Reportagem de Fábio Zanini

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