O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) confirmou que o El Niño já começou a influenciar o clima no Brasil, com reflexos principalmente na Região Sul, entre quinta-feira (16) e domingo (19). Segundo o órgão, o fenômeno favorece o fortalecimento dos Jatos de Baixos Níveis (JBN), correntes de vento que atuam no interior da América do Sul e transportam calor e umidade da Amazônia em direção ao Sul do país.

Continua depois da publicidade

Esse transporte de umidade impulsiona a formação dos chamados “rios atmosféricos“, corredores de vapor d’água que favorecem o desenvolvimento de áreas de instabilidade e podem aumentar o risco de chuvas intensas, tempestades, rajadas de vento e granizo.

De acordo com o Inmet, a atuação conjunta de uma área de baixa pressão sobre a Argentina, uma alta pressão sobre o Oceano Atlântico e o fortalecimento do JBN deve intensificar o transporte de umidade para o Sul do Brasil.

Continua depois da publicidade

O instituto emitiu alertas de perigo potencial e perigo para tempestades e vendavais, principalmente para áreas de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná, além de regiões do Centro-Oeste.

O JBN atua geralmente entre 1 km e 3 km de altitude e, quando se intensifica, aumenta a convergência de umidade e a instabilidade atmosférica. Segundo o Inmet, esse padrão favorece a formação de áreas de chuva e tempestades mais organizadas, especialmente quando há interação com sistemas como frentes frias e áreas de baixa pressão.

Continua depois da publicidade

Áreas do Brasil na rota do “rio atmosférico”

Segundo a previsão do Inmet, entre quinta-feira e sexta-feira (17), o corredor de umidade avança pelo interior da América do Sul e favorece a formação de áreas de instabilidade, principalmente sobre o Rio Grande do Sul. As principais áreas na rota são:

Continua depois da publicidade

  • Oeste de Mato Grosso: região onde o JBN ganha força e contribui para o transporte de calor e umidade.
  • Mato Grosso do Sul: especialmente o Oeste do estado e o Pantanal, por onde passa o fluxo de umidade em direção ao Sul.
  • Rio Grande do Sul: principal área de impacto do corredor de umidade, com previsão de formação de áreas de instabilidade, tempestades e chuva mais intensa.

Os efeitos do JBN também alcançam:

  • Oeste de Santa Catarina: com previsão de ventos moderados a fortes associados ao fortalecimento do jato.
  • Oeste do Paraná: onde o fenômeno também favorece a ocorrência de ventos mais intensos.

Continua depois da publicidade

Embora Santa Catarina e Paraná estejam sob influência do sistema, o principal canal de umidade e as áreas mais favoráveis a tempestades ficam concentrados sobre o Rio Grande do Sul, segundo o Inmet.

Inmet emite alertas para tempestades e vendavais

Alertas viagentes para o Brasil no sábado (18) (Foto: Inmet, Divulgação)

Entre quinta-feira e sexta-feira, está em vigor um alerta de perigo potencial para vendaval no Oeste, Sul e Serra de Santa Catarina, com previsão de ventos entre 40 km/h e 60 km/h. O aviso também abrange áreas do Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rondônia.

Continua depois da publicidade

Também na quinta-feira, o Inmet mantém um alerta de perigo potencial para tempestades no Rio Grande do Sul, com previsão de chuva entre 20 e 30 milímetros por hora, acumulados de até 50 milímetros por dia, ventos de até 60 km/h e possibilidade de granizo.

A partir de sexta-feira, um alerta de perigo potencial para tempestades passa a incluir o Oeste, Sul e Serra de Santa Catarina, além de diversas regiões do Rio Grande do Sul. A previsão é de chuva entre 20 e 30 mm/h, ventos entre 40 km/h e 60 km/h e queda de granizo.

Continua depois da publicidade

No mesmo período, entre sexta-feira e domingo, o Inmet emitiu um alerta de perigo para vendaval no Oeste, Sul e Serra catarinenses. O aviso prevê rajadas entre 60 km/h e 100 km/h, com risco de queda de árvores, destelhamentos e danos em edificações e plantações.

Já entre sábado (18) e domingo, o instituto elevou o nível de atenção para parte do Rio Grande do Sul, onde há um alerta de perigo para tempestades. A previsão é de chuva entre 30 e 60 mm/h, acumulados que podem chegar a 100 mm por dia, ventos entre 60 km/h e 100 km/h, granizo e risco de cortes de energia, alagamentos e queda de árvores.

Continua depois da publicidade

Primeiros efeitos do El Niño no Sul do Brasil

O Inmet confirmou na tarde de terça-feira (14) que o El Niño já afeta o clima no Sul do Brasil. Segundo o órgão, na última semana foram observados padrões atmosféricos característicos do fenômeno, que favorecem o aumento das chuvas em Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná.

Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, o El Niño altera o regime de chuvas em diferentes regiões do país. Durante episódios do fenômeno, ocorre o fortalecimento dos chamados Jatos de Baixos Níveis (JBN), que são correntes de vento que transportam umidade da região tropical para a Região Sul do Brasil.

Continua depois da publicidade

Entenda como funciona o El Niño

O que são Jatos de Baixos Níveis (JBN) e por que eles favorecem tempestades

Os Jatos de Baixos Níveis (JBN) são corredores de ventos fortes que sopram a cerca de 1,5 mil metros de altitude. Eles funcionam como uma espécie de “esteira” atmosférica, transportando calor e umidade da Amazônia em direção ao Sul do Brasil.

Quando esses ventos se intensificam, levam uma grande quantidade de vapor d’água para a região, aumentando a disponibilidade de umidade na atmosfera — um dos principais ingredientes para a formação de tempestades.

Continua depois da publicidade

Em episódios de El Niño, esse transporte de umidade costuma ficar mais intenso. Além disso, um bloqueio atmosférico sobre as regiões Centro-Oeste e Sudeste dificulta o avanço dos sistemas para outras áreas do país, fazendo com que a umidade permaneça concentrada sobre a Região Sul e aumente os volumes de chuva.

Em resumo, o Jato de Baixos Níveis:

  • transporta calor e umidade da Amazônia para o Sul do Brasil;
  • aumenta a quantidade de vapor d’água disponível para formação de chuva;
  • quando atua com áreas de baixa pressão e frentes frias, favorece a ocorrência de tempestades;
  • durante o El Niño, tende a ficar mais intenso, potencializando as precipitações na Região Sul.

Continua depois da publicidade

Defesa Civil recomenda distância de árvores e torres de transmissão

Em caso de rajadas de vento, a orientação é evitar abrigo sob árvores devido ao risco de quedas e descargas elétricas. Também é recomendado não estacionar veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda. Durante os temporais, a população deve evitar o uso de aparelhos eletrônicos ligados à tomada.

Em situações de emergência, a Defesa Civil pode ser acionada pelo telefone 199 e o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193.

Continua depois da publicidade