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Ritmo da vacinação pode impedir plano para fim do uso de máscaras ao ar livre em SC

Para especialistas, estabilidade nos números é fundamental para garantir as flexibilizações previstas pelo governo

28/09/2021 - 06h00 - Atualizada em: 28/09/2021 - 09h04

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Por Luana Amorim
Para que 70% da população esteja totalmente vacinada, mais 2 milhões de pessoas precisam tomar a vacina
Para que 70% da população esteja totalmente vacinada, mais 2 milhões de pessoas precisam tomar a vacina
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Com o avanço da vacinação contra a Covid-19, uma pergunta surge: até quando será necessário usar máscaras em ambientes públicos? Em Santa Catarina, a projeção é que elas sejam liberadas em espaços abertos nos próximos meses, segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES). Mas, especialistas alertam que é preciso cautela ao tomar a medida, mesmo com boa parte da população imunizada.

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Segundo a SES, a liberação do uso de máscaras depende de dois fatores: o andamento da pandemia e a vacinação. Atualmente, 5.161.222 pessoas já receberam, ao menos, a primeira dose, enquanto outras 2.907.972 estão totalmente imunizadas. 

Por isso, o secretário de Estado da Saúde, André Motta Ribeiro, acredita que, com isso, é possível pensar em quais serão as próximas flexibilizações, entre elas, a liberação do uso da proteção em locais abertos.

— Com o transcorrer da imunização, nós temos que discutir algumas questões como a volta dos eventos com maior número de pessoas com protocolos seguros e também a utilização de máscaras. Há um entendimento que com um percentual ‘x’ de vacinados, 70% ou 75%, a gente pode discutir, por exemplo, o uso de máscaras ser opcional nos ambientes abertos — disse o secretário ao Bom Dia SC desta segunda-feira (27). 

A expectativa da SES é de que até o fim de outubro 70% da população esteja completamente vacinada em Santa Catarina. De acordo com o Monitor da Vacina do NSC Total, atualizado com dados do governo do Estado, para que isso ocorra, 2.180.624 de pessoas ainda precisam receber a segunda dose ou a vacina de dose única.

Além disso, o Estado também esbarra no ritmo da vacinação. Para que 70% dos catarinenses estejam completamente imunizados em 30 dias, por exemplo, é preciso que 72 mil segundas doses ou doses únicas sejam aplicadas diariamente, em média, até lá. Segundo o monitor, nesta segunda-feira (27), a média estava em 42.549 aplicações diárias.

Para a médica infectologista Carolina Ponzi, isso é um grande desafio para o Estado, principalmente por conta das diferenças entre cada município. Ao Bom Dia SC, o secretário de Saúde André Motta levantou a possibilidade da realização de multirões de imunização, além da busca ativa para que as pessoas se vacinem.

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"É uma decisão arriscada", diz especialista 

O médico infectologista Amaury Miele acredita que a decisão de liberar o uso de máscaras em ambientes abertos ainda é uma "decisão arriscada", mesmo com a melhora nos números da Covid-19. Ele alega que a peça foi fundamental nos últimos meses para evitar que a variante Delta causasse um maior impacto na pandemia.

— Acredito que nós estamos passando pela Delta de uma maneira mais tolerável porque estamos usando máscara. Nossa cobertura [vacinal] ainda não é ideal. Por isso, acho que se fizer isso agora [liberar o uso], as pessoas podem achar que acabou a pandemia e que está tudo liberado, o que não é o caso — argumenta. 

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A médica infectologista Carolina Ponzi lembra que existe uma recomendação do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos de que pessoas que estejam completamente imunizadas há 14 dias possam conviver com outras em ambientes abertos, sem a necessidade do uso de máscaras. Porém, o receio da especialista é como a população vai receber a medida.

— Em Santa Catarina nós ainda não temos uma quantidade adequada de pessoas completamente imunizadas. Por isso, não sei como o controle seria feito ou se nós, como população, temos maturidade para nos autogerir diante dessa situação — reforça. 

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Estabilidade nos números é solução para flexibilização 

O médico infectologista Amaury Mielle explica que é importante ter uma estabilidade nos números da Covid-19 para que haja as flexibilizações. Porém, ele salienta que as decisões precisam ser estudadas e acompanhadas. 

— Primeiro você precisa ter um monitoramento real do número de casos, hospitalizações e óbitos. Quando você tem uma queda acentuada é que você pode flexibilizar algumas situações pontuais. Tudo é uma questão de ciência por trás dos dados para ir chegando ao momento ideal — diz.

Mesmo assim, o especialista acredita que ainda não é possível prever quando as máscaras deixarão de fazer parte do dia a dia da população. 

— Até quando vamos usar máscara? Ainda não temos essa resposta, é uma incerteza — finaliza. 

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