O Rio Grande do Sul deve enfrentar uma nova onda de temporais nos próximos dias, com possibilidade de ocorrência de tornados, granizo, rajadas de vento intensas e volumes elevados de chuva. A Defesa Civil estadual emitiu alertas para o avanço da instabilidade e aponta que o período de maior risco será entre a noite de sexta-feira (17) e o sábado (18).

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A formação de uma frente fria sobre a Argentina, combinada com o fluxo de calor e umidade vindo do Norte do país, um cavado atmosférico e um bloqueio atmosférico, cria um ambiente favorável para tempestades de grande intensidade. Segundo a previsão, as condições atmosféricas também aumentam a possibilidade de formação de tornados em diferentes regiões do estado gaúcho durante o período mais crítico.

Enquanto municípios atingidos pelos temporais do último fim de semana, como Eldorado do Sul, ainda contabilizam os prejuízos, uma nova sequência de instabilidades deve avançar pelo território gaúcho.

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A Defesa Civil emitiu alerta laranja para tempestades e alerta amarelo para temporais isolados. A expectativa é de ventos que podem chegar a 90 km/h mesmo em áreas sem chuva, com rajadas ainda mais fortes durante as tempestades.

Infográfico explica como ocorre um tornado

Chuva começa pelo Sul e Oeste

De acordo com a Climatempo Meteorologia, a instabilidade começa a ganhar força nesta quinta-feira (16) pelas regiões da Fronteira Oeste, Campanha e Sul do Estado. Em Uruguaiana, a previsão indica cerca de 60 milímetros de chuva durante a manhã, acompanhados por ventos de até 90 km/h e temperaturas que podem alcançar 27°C.

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Na Região Metropolitana de Porto Alegre, o tempo permanece firme durante boa parte do dia, mas o calor favorece a formação de tempestades severas entre a tarde e a noite. Na metade Norte, o vento também deve ganhar intensidade, aumentando o risco de queda de árvores e galhos, destelhamentos e interrupções no fornecimento de energia elétrica.

Sábado concentra maior risco

O sábado (18) deve ser o dia mais crítico da sequência de instabilidades. A previsão indica a formação de uma linha organizada de tempestades que deve atravessar grande parte do Rio Grande do Sul.

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As áreas mais afetadas incluem a metade Sul, Oeste, Campanha, Missões, Noroeste, Centro, Costa Doce, Litoral, Vales e Região Metropolitana de Porto Alegre. Além da chuva intensa, há previsão de granizo, descargas elétricas, vendavais e condições favoráveis para tornados.

Os acumulados de chuva devem variar entre 30 e 80 milímetros na maior parte das regiões, mas podem ultrapassar 100 milímetros em pontos da Campanha, Oeste e Sul. Os ventos devem permanecer entre 70 e 80 km/h, inclusive fora das áreas de tempestade.

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Com o solo já encharcado em diversas localidades, aumenta também o risco de alagamentos, enxurradas e rápida elevação de rios e córregos.

Instabilidade continua no domingo

Mesmo com o afastamento gradual da frente fria, o domingo ainda será marcado por tempo instável. A chuva perde intensidade em parte do estado, mas os impactos dos elevados acumulados devem persistir.

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Ao longo do fim de semana, alguns municípios da região centro-oeste gaúcha poderão registrar até 200 milímetros de chuva, mantendo o cenário de atenção para transtornos associados aos temporais.

Há risco de tornado em SC?

Embora a instabilidade também avance sobre Santa Catarina, o cenário mais preocupante permanece concentrado no Rio Grande do Sul. Segundo a Defesa Civil catarinense, os temporais devem ganhar força gradualmente até o fim de semana, principalmente nas áreas do Oeste e na divisa com o estado gaúcho, mas a maior severidade das tempestades está prevista para ocorrer em território gaúcho.

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Em Santa Catarina, a tendência é de que a instabilidade mais intensa se concentre na próxima semana. No entanto, o órgão ressalta que a previsão ainda é monitorada, já que os modelos meteorológicos apresentam divergências sobre a evolução do sistema. Até o momento, não há indicação de um cenário tão severo quanto o previsto para o Rio Grande do Sul.

Inmet confirma primeiros efeitos do El Niño na Região Sul

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) confirmou na tarde de terça-feira (14) que o El Niño já afeta o clima no Sul do Brasil. Segundo o órgão, na última semana foram observados padrões atmosféricos característicos do fenômeno, que favorecem o aumento das chuvas em Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná.

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O Inmet emitiu uma série de alertas de tempestade para a região a partir desta quinta-feira (16), inicialmente para o Rio Grande do Sul. De acordo com o instituto, a combinação entre uma área de baixa pressão que se forma na Argentina e a atuação do Jato de Baixos Níveis (JBN), que transporta calor e umidade para o Sul do país, deve aumentar o risco de temporais.

Por que o El Niño aumenta chuvas no Sul do Brasil?

Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, o El Niño altera o regime de chuvas em diferentes regiões do país. Durante episódios do fenômeno, ocorre o fortalecimento dos chamados Jatos de Baixos Níveis (JBN), que são correntes de vento que transportam umidade da região tropical para a Região Sul do Brasil.

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Ao mesmo tempo, a atuação de centros de baixa pressão intensifica o fluxo de umidade, favorecendo a formação de nuvens e ocorrência de chuvas. Além disso, um sistema de alta pressão com centro no Oceano Atlântico e atuação sobre as regiões Centro-Oeste e Sudeste, estabelece um bloqueio atmosférico que dificulta o avanço dos sistemas para outras regiões do país.

Como consequência, a umidade permanece concentrada sobre a Região Sul, aumentando a persistência e os volumes de chuva.

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Mapa de previsão de água precipitável (quantidade de água disponível na atmosfera) para 15h do dia 16 de julho de 2026, proveniente do modelo de previsão numérica do tempo COSMO, destacando o canal de umidade (retângulo preto na imagem) formado pelo JBN. Cores em tons de verde e azul indicam maior disponibilidade de água precipitável. Cores em tons de vermelho e rosa indicam massas de ar seco. Fonte: INMET.
Mapa de previsão de água precipitável (quantidade de água disponível na atmosfera) para 15h do dia 16 de julho de 2026, destacando o canal de umidade (retângulo preto na imagem) formado pelo JBN (Foto: Inmet, Reprodução)

Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, o El Niño altera o regime de chuvas em diferentes regiões do país.

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Entenda como funciona o El Niño