Santa Catarina terminará o ano com o maior número de óbitos em decorrência da dengue na história. Até esta sexta-feira (16), 90 pessoas morreram devido à doença no Estado — número 1.185% maior do que em 2022, quando foram sete mortes. Especialistas alertam a importância de reduzir o número de criadouros e controlar o mosquito, afim de evitar um novo avanço do vírus no próximo ano.

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Conforme dados da Diretoria de Vigilância Epideimiológica (Dive/SC), entre 2 de janeiro e 10 de dezembro, 83.246 casos de dengue foram confirmados no Estado. No mesmo período, no ano passado, foram 19.132 — aumento de 335% na quantidade de casos.

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Dos casos, 80.178 são autóctones (com transmissão dentro do Estado) em 142 municípios, sendo que desses 77 atingiram o nível de epidemia — isto ocorre pela relação entre o número de casos confirmados e de habitantes.

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Porém, a situação mais preocupante está no número de óbitos, já que houve salto em 2022. Dos 119 óbitos suspeitos da doença, 90 foram confirmados e 29 descartados. A semana com o maior número de mortes por dengue foi entre os dias 22 e 28 de maio, com 12 mortos.

Tabela mostra as mortes por dengue em Santa Catarina
Tabela mostra as mortes por dengue em Santa Catarina – (Dive/SC)

Segundo o infectologista Pablo Sebastian Velho, a falha nos cuidados para evitar a proliferação do mosquito contribuíram para o aumento no número de casos.

— Ela é uma doença que já está estabelecida e para transmissão depende do vetor. Agora, ela está conseguindo se multiplicar com facilidade. Outra coisa que nós observamos é que ao longo do tempo ela vem melhorando o seu poder de adaptação, para essa persistência no ambiente, conseguindo permanecer mesmo em ambientes com dificuldade — explica.

Por isso, ele reforça sobre a importância de reduzir os criadouros e a conscientização da população nos cuidado.

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— Nós já entendemos como fazer o combate, mas a gente precisa de uma parceria para que todos façam a sua parte e, assim, diminua a quantidade de criadouros e esse surto diminua — complementa.

Butatan trabalha em vacina

Nesta semana, o Instituto Butantan apresentou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) dados preliminares da vacina contra dengue, que está em produção pelo laboratório. No momento, o estudo está na fase 3, que analisa a eficácia e o perfil de segurança do imunizante. A previsão é de que a pesquisa seja finalizada até metade de 2024.

Ao menos 17 mil voluntários, de diferentes faixas etárias, participam do estudo. Dados preliminares, publicados em março, apontam que o imunizante induziu a produção de anticorpos em 100% dos indivíduos.

Conforme o infectologista, os primeiros resultados trouxeram uma boa expectativa. Mas, o receio é da capacidade de imunização da vacina, já que é importante que abranja todas as cepas do vírus.

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— O que nós sabemos é que quando o indivíduo tem um segundo caso de dengue, contrai por outro sorotipo, já que ele fica imune do outro tipo, isso gere uma suscetibilidade maior para casos graves da doença. Por isso, a vacina precisa ter essa mesma perspectiva, porque se o indivíduo fica imune a um sorotipo e depois se contamina com outro tipo, ele pode desenvolver casos graves da doença — diz.

Como evitar a proliferação do mosquito? 

  • Evite usar pratos nos vasos de plantas. Se usá-los, coloque areia até a borda; 
  • Guarde garrafas com o gargalo virado para baixo; 
  • Mantenha lixeiras tampadas; 
  • Deixe os depósitos d’água sempre vedados, sem qualquer abertura, principalmente as caixas d’água; 
  • Plantas como bromélias devem ser evitadas, pois acumulam água; 
  • Trate a água da piscina com cloro e limpe-a uma vez por semana; 
  • Mantenha ralos fechados e desentupidos; 
  • Lave com escova os potes de comida e de água dos animais no mínimo uma vez por semana; 
  • Retire a água acumulada em lajes; 
  • Dê descarga, no mínimo uma vez por semana, em banheiros pouco usados; 
  • Mantenha fechada a tampa do vaso sanitário; 
  • Evite acumular entulho, pois ele pode se tornar local de foco do mosquito da dengue;
  • Denuncie a existência de possíveis focos de Aedes aegypti para a Secretaria Municipal de Saúde; 
  • Caso apresente sintomas de dengue, chikungunya ou zika vírus, procure uma unidade de saúde para o atendimento.

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