Santa Catarina registrou 225 tentativas de feminicídio durante o ano de 2025, segundo os dados divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública nesta terça-feira (20). O número coloca o Estado em 5° lugar entre os que mais registraram esse tipo de crime no Brasil no último ano, e representa uma alta de 6,64% em relação aa 2024, quando as cidades catarinenses tiveram 211 casos.

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O crime de tentativa de feminicídio, previsto no artigo 121 do Código Penal, acontece quando um homem tenta matar uma mulher por razões de gênero — incluindo violência doméstica, familiar ou por menosprezo, ou discriminação à condição feminina — mas a morte não se consuma.

Em Santa Catarina, a cidade com maior número de ocorrência foi Florianópolis, com 14 casos, segundo o relatório da pasta. Blumenau, Criciúma e Itajaí vêm logo em seguida no ranking, com 11 casos, enquanto Joinville e Palhoça registraram nove casos cada. Ao todo, 82 municípios catarinenses registraram ocorrências, o que equivale a 27% das 295 cidades no Estado.

O território catarinense teve, segundo os dados divulgados, 2,75 tentativas de feminicídio por 100 mil habitantes, um aumento em relação ao ano de 2024, quando a taxa ficou em 2,65 casos a cada 100 mil. O mês com mais tentativas de feminicídios no Estado foi fevereiro, com 47 casos, seguido por dezembro, com 21 registros, e março, com 19.

Já em relação aos feminicídios consumados, foram 52, uma média de um por semana ao longo de 2025 em Santa Catarina.

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Veja o ranking nacional em tentativas de feminicídio

  • SP: 677
  • RS: 264
  • BA: 254
  • MT: 241
  • SC: 225
  • GO: 209
  • PA: 207
  • MA: 154
  • PR: 147
  • MG: 143
  • PE: 142
  • DF: 133
  • AM: 109
  • CE: 97
  • PI: 75
  • RN: 75
  • AL: 67
  • ES: 66
  • SE: 66
  • AP: 60
  • MS: 60
  • TO: 60
  • RO: 56
  • AC: 51
  • RR: 34
  • PB: 30
  • RJ: 0

“Números são alarmantes”, diz especialista

A divulgação do número de casos de tentativas de feminicídio em 2025 abre espaço para a discussão de políticas de prevenção. É o que defende a presidente da Comissão Nacional de Combate à Violência Doméstica da OAB Nacional, Tammy Fortunato, que afirma que olhar para os números de tentativas é tão importante quanto olhar para os feminicídios consumados.

— Essas mulheres que sofrem uma tentativa de feminicídio têm sequelas. São mulheres atacadas com faca, por arma de fogo, sofrem esganaduras. São mulheres que, hoje, estão em cadeira de rodas, que têm um abalo emocional indescritível, sofrem de ansiedade, depressão — afirmou.

Tammy chama a atenção para a intenção do autor do crime, que é a de tirar a vida da mulher, sendo impedido apenas por fatores alheios a ele. Por isso, para ela, o Estado precisa trabalhar tanto com o número de feminicídios consumados quanto com o número de tentativas para a preparação de políticas públicas.

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— Quem vai fazer essa cobrança perante o legislador é a população, é o povo que vai trabalhar em cima disso, cobrando das pessoas que eles elegeram políticas públicas, de fato, efetivas. Não é só trabalhar a denúncia, nós precisamos trabalhar a prevenção. Enquanto não houver uma prevenção efetivamente eficaz, os números de feminicídio, sejam eles tentados ou consumados, vão continuar a subir — destacou.

Feminicídios em 2026

Em Santa Catarina, o número de feminicídios já chegou a pelo menos seis em 2026. Somente nos nove primeiros dias do ano, foram quatro. O primeiro caso deste ano ocorreu em 1° de janeiro, em São João Batista, na Grande Florianópolis. A vítima, Stephanny Cassiana, foi encontrada caída no chão da sala da casa de uma amiga com mais de 10 golpes de faca no peito e na cabeça. O suspeito é o companheiro da amiga.

No dia 2, Marivane Fátima Sampaio, de 25 anos, foi encontrada em estado grave dentro da própria casa em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina. Ela chegou a ser levada para o hospital, mas não resistiu e morreu quatro dias depois do crime. O principal suspeito é o ex-companheiro, de 27 anos, que, segundo a polícia, não aceitava o fim do relacionamento. Ele morreu no dia em que cometeu o crime.

No dia 9 de janeiro, Juvilete Kviatkoski foi encontrada morta dentro da residência, em União do Oeste, no Oeste catarinense, enquanto a filha, de 15 anos, apresentava ferimentos causados por golpes de faca. A adolescente chegou a ser levada para o hospital, mas não resistiu. A Prefeitura de União do Oeste confirmou que o suspeito do crime é o marido e pai das vítimas, respectivamente. 

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No dia 16 de janeiro, o corpo de Isabela Miranda Borck, de 17 anos, foi encontrado após cerca de 45 dias desaparecida. O pai, o principal suspeito do crime, está preso desde dezembro. Ele tinha sido condenado pelo estupro da filha poucos dias antes do desaparecimento. Ele vai responder por feminicídio.

No dia 17 de janeiro, Daiane Simão, de 35 anos, foi morta em frente à base da Polícia Militar em Balneário Piçarras. Ela foi até o local para pedir socorro e tinha uma medida protetiva de urgência que proibia o ex-companheiro de se aproximar. Almir Rogério de Sena Soares, de 42 anos, morreu no dia que cometeu o crime. Ele tinha saído da cadeia quatro dias antes, após ficar preso justamente pelo crime de violência doméstica.