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COLAPSO NO OESTE

"Se os doentes conseguiram ser internados é porque houve óbitos", diz médico de SC sobre falta de leitos

Avanço da pandemia em SC forçou cidades a improvisar leitos e espaços de atendimento aos doentes

12/03/2021 - 19h06 - Atualizada em: 12/03/2021 - 21h44

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Clarissa
Por Clarissa Battistella
Por falta de UTI, pacientes com Covid-19 morrem enquanto aguardam na fila em SC
Por falta de UTI, pacientes com Covid-19 morrem enquanto aguardam na fila em SC
(Foto: )

Ao menos 132 pacientes com coronavírus estavam na fila de espera por um leito de terapia intensiva no Oeste de Santa Catarina, na manhã desta sexta-feira (12), segundo relatório interno do Estado. Somente no Hospital Regional São Paulo, em Xanxerê, 31 pessoas aguardavam por uma vaga de UTI, de acordo com o informe da unidade divulgado todas as manhãs. Outros 138 pacientes já internados em terapia intensiva lutam contra a doença na região. A situação, vivida pelo médico intensivista de Maravilha, Robson Alexandre Vieira de Souza, é um retrato do avanço da pandemia na região.

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Na linha de frente contra a doença, Souza avalia que o vírus mostrou sua verdadeira agressividade no início deste ano, quando matou, em um único mês, nas cidades da região, quase o mesmo número de pessoas que perderam a vida durante um ano inteiro de pandemia. Um exemplo disso é Chapecó.

No dia 25 de janeiro, a maior cidade do Oeste catarinense acumulava 136 óbitos por complicações do vírus, segundo boletim da Secretaria de Estado de Saúde. Um mês depois, em 25 de fevereiro, a cidade somava 234 perdas por complicações da Covid-19. Em apenas 30 dias, foram 98 mortes na cidade. Nesta sexta-feira, o número é ainda mais alto: 395 óbitos - 161 deles foram confirmados nos últimos 16 dias.

- Neste momento a gente já está vivendo uma diminuição da curva de pacientes. E, infelizmente, os doentes conseguiram ser internados porque houve óbitos que possibilitaram a internação - diz o intensivista.

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E mesmo com essa diminuição da curva, considerada por Souza, a situação não parece melhorar. No Hospital Regional de São Miguel do Oeste, referência no atendimento da região, os 25 leitos de terapia intensiva existentes estão ocupados por pacientes com Covid-19. Outras 14 pessoas em estado grave de saúde aguardam por uma vaga no pronto socorro.

- Esses doentes (com coronavírus) se mantêm internados na UTI ou na enfermaria por 25 a 30 dias, no mínimo, enquanto que um paciente de infarto, por exemplo, fica em torno de cinco dias e um de apendicite, cerca de três dias. Então um paciente Covid, ocupa um leito por muito mais tempo - descreve.

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Além do tempo, os pacientes contaminados pelo vírus também demandam atenção redobrada dos profissionais da saúde, ainda segundo Souza:

- São pacientes que têm que ter dedicação extrema, porque da mesma forma que estão estáveis, rapidamente desestabilizam. São pacientes que usam doses de sedação, analgesia e relaxante muscular duas a três vezes a mais do que são utilizados em outras patologias. E depois do quinto ao sétimo dia de internação, ainda tem que escalonar antibiótico de forma mais agressiva, enquanto se monitoram funções, alterações e distúrbios.

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Conforme o último boletim divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde nesta sexta-feira, há 1.085 pessoas internadas em UTIs nas redes pública e privada de SC, 727 delas em ventilação mecânica. 

O Estado ainda divulga taxa de 98,9% de ocupação em leitos públicos, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Com isso, somente 15 leitos estariam disponíveis em todo o território e para todos os tipos de atendimento - outras doenças, infartos e acidentes, além de Covid-19.

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