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Investigação

Sementes misteriosas da China possuem ácaro, fungos e bactérias, diz governo

Ministério da Agricultura também identificou outros países como origem das sementes, mas não apontou quais

06/10/2020 - 10h07 - Atualizada em: 06/10/2020 - 10h17

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Hassan
Por Hassan Farias
Sementes estão sendo estudadas pelo Ministério da Agricultura no Brasil
Sementes estão sendo estudadas pelo Ministério da Agricultura no Brasil
(Foto: )

Os pacotes de sementes vindos da China e de outros países estão sendo analisados pelo Ministério da Agricultura e dados preliminares já apontaram presença de microrganismos. Segundo o órgão federal, foram identificados fungos, bactérias e ácaro em amostras que estão em análise. Um dos primeiros casos registrados no país foi em Jaraguá do Sul, no início de setembro.

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O Ministério da Agricultura teve a notificação de 258 pacotes com sementes em 24 estados e no Distrito Federal - apenas Amazonas e Maranhão não tiveram registros. No entanto, apenas 39 já chegaram ao laboratório para análises. Em um dos pacotes foi identificado a presença de um ácaro vivo, em 25 amostras foram encontrados três espécies diferentes de fungos e duas amostras continham bactérias que ainda estão em identificação.

- São pequenas quantidades, mas que podem trazer pragas para a nossa agricultura. Podem ter plantas daninhas que não temos aqui e podem ser prejudiciais, podem produzir fungos ou outras bactérias - explica José Guilherme Leal, secretário de Defesa Agropecuária do Mapa.

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Nas análises em andamento também foi encontrada a possibilidade de haver a presença de plantas quarentenárias - que não existem no Brasil. As amostras em análise estão sendo sequenciadas para identificar quais são os tipos de fungos, bactérias e o ácaro encontrados. Isso poderá indicar se existem riscos - e quais são - em cada um dos microrganismos.

- Quando o risco é desconhecido, o risco é máximo. Por isso que a gente pede para que a população não plante esta semente - afirma José Luís Vargas, diretor do Departamento de Serviços Técnicos do Ministério da Agricultura.

Segundo ele, algumas identificações ainda podem demorar mais 30 dias porque as amostras continuam chegando. Como as sementes são muito pequenas, em alguns casos, não há material genético o suficiente para examinar. Por isso, os técnicos precisam colocar a semente para germinar, o que facilita a identificação do material.

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Ministério investiga origem dos pacotes

O Ministério da Agricultura também investiga as origens dos pacotes que chegaram ao Brasil. Até o momento foram identificados quatro países como origem, mas também é necessário confirmar se as informações dos pacotes são verídicas. A partir disso, o governo brasileiro vai trabalhar com a colaboração dos órgãos fitosanitários de outros países para constatar a origem dos materiais.

Os Estados Unidos são o país com o maior número de notificações de pacotes recebidos até o momento, mas também há registros de casos no Canadá, Chile e em países europeus. O Ministério da Agricultura apontou mais uma vez que o "brushing" - técnica fraudulenta de marketing no comércio virtual - é a principal hipótese para a chegada dos pacotes com sementes no Brasil e nos demais países.

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