Parte do território entre as cidades de Joinville e Garuva, no Norte catarinense, foi classificado com “alto potencial” para a presença de terras raras. Apesar disso, no mapa elaborado a partir do estudo do Serviço Geológico do Brasil (SGB), divulgado na última quinta-feira (21) é possível ver que a maior parte do trecho aparece como intermediário e baixo.

Continua depois da publicidade

As terras raras são uma combinação entre 17 elementos químicos encontrados na natureza, geralmente misturados a outros minérios e de difícil extração. Apesar do nome, não são necessariamente raros, mas difíceis de isolar em alta pureza. 

Veja fotos do estudo que identificou potencial

Aplicação das terras raras na indústria

Esses materiais, principalmente o neodímio ferro boro, são utilizados para a fabricação de ímãs permanentes, extremamente essenciais na fabricação de motores de carros elétricos, mísseis, dispositivos eletrônicos, turbinas eólicas, equipamentos médicos e outros aparelhos da indústria.

Potencial em território catarinense 

O SGB divulgou um relatório técnico detalhando a descoberta de elementos de terras raras nas regiões Sul e Sudeste do país. A pesquisa identificou altas concentrações desses minerais estratégicos no Cinturão Ribeira, com foco especial nos estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

No Estado, o trecho entre Joinville e Garuva ganha destaque. Isso porque, como é possível observar no mapa do relatório, a região recebe classificações de potenciais presenças dos minérios estratégicos. As diferentes classes foram identificadas por cores, sendo verde como potencial mais baixo e laranja e vermelho como alto potencial.

Continua depois da publicidade

Confira o principal mapa elaborado

Parte do mapa que mostra território de SC entre Joinville e Garuva (Foto: Divulgação, SGB)

Como é possível identificar, apenas um pequeno trecho possui coloração alaranjada, de alto potencial, mas a presença dela coloca a região ainda mais no mapa do estudo. Da mesma maneira, a possibilidade intermediária também tem peso na análise.

O que os mapas dizem?

Embora os resultados sejam preliminares, o estudo representa um passo fundamental para a soberania tecnológica brasileira. Além disso, o SGB reforça que a identificação de anomalias geoquímicas e áreas favoráveis não significa, necessariamente, a existência de jazidas economicamente viáveis, mas representa um avanço no conhecimento geológico. 

A viabilidade ou autorização para exploração mineral futura, depende de etapas posteriores como avaliação de potenciais recursos e reservas, estudos tecnológicos e licenciamento ambiental, conduzidas por empresas e pelos órgãos competentes.

Entenda a classificação do mapa em detalhes

O Mapa do Potencial para Elementos Terras Raras (ETR) abrange as faixas Ribeira e Brasília Meridional, nos estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. O estudo utiliza uma modelagem de vários critérios que integra dados geológicos, geofísicos e geoquímicos para identificar áreas com maior probabilidade de mineralização. 

Continua depois da publicidade

Granitos pós-orogênicos e complexos alcalino-carbonatíticos recebem maior peso na análise por sua afinidade magmática com esses elementos estratégicos. A pesquisa destaca zonas de alto potencial baseando-se em anomalias de calor radiogênico e concentrações elevadas de terras raras encontradas em amostras de solo, rocha e sedimentos.

  • Classes 1 e 2: baixo potencial (associadas a rochas de menor favorabilidade metalogenética ou ausência de anomalias radiogênicas e geoquímicas significativas);
  • Classes 3 e 4: potencial intermediário ( indicam convergência parcial de fatores geológicos, geofísicos e geoquímicos favoráveis à concentração de ETR);
  • Classes 5 e 6: alto potencial (correspondem às áreas de maior coerência entre os diferentes modelos, caracterizadas por anomalias radiogênicas elevadas, assinatura geoquímica compatível com ETR e presença de granitos evoluídos de caráter anorogênico).

Granitos foram “peça-chave” para o estudo 

De acordo com o SGB, entre as áreas estudadas, foram selecionados para detalhamento os granitos Mandira e São Francisco devido aos teores obtidos, fertilidade geoquímica e desenvolvimento dos perfis regolíticos.

Os granitos destacaram-se por apresentar, nos dados preliminares, teores elevados de terras raras. Os demais granitos precisam de investigações mais aprofundadas.

Continua depois da publicidade

*Sob supervisão de Leandro Ferreira