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INOVAÇÃO E INVESTIMENTO

Startups de SC revelam os segredos para se tornarem milionárias em menos de 10 anos

Santa Catarina se destaca como o sexto Estado do país na quantidade de startups; Joinville e Florianópois são consideradas berços de ideias inovadoras

29/11/2021 - 06h00 - Atualizada em: 29/11/2021 - 09h23

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Fernanda
Por Fernanda Mueller
Maria Eduarda
Por Maria Eduarda Dalponte
Santa Catarina é o 6º estado com maior número de startups no Brasil
Santa Catarina é o 6º estado com maior número de startups no Brasil
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Santa Catarina é o sexto estado com maior número de startups no Brasil. Os dados são do Startupbase, da Associação Brasileiras de Startups (Abstartups). A maioria concentrada em Florianópolis e em Joinville. Os principais cases catarinenses surgem de necessidades de empreendedores ou de nichos de mercado e aos poucos passam de uma empresa de apenas um funcionário para negócios milionários, com destaque internacional. 

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A reportagem selecionou cinco startups que se destacaram pela ascensão meteórica nos últimos anos: Pegaki, RD Station, Smarket, Eyemobile e Effecti. São negócios que se tornaram milionários e que seguiram uma tendência nacional de empresas que foram vendidas para grandes companhias, o que mostra o potencial do Estado para criar negócios inovadores.

— O que a gente vê de diferencial com relação aos outros ecossistemas, como Paraná, Rio Grande do Sul e outros estados, é o nosso tempo. A gente começou a trabalhar a inovação aqui no Estado no final da década de 70, início da década de 80 e agora estamos colhendo os frutos — destaca Alexandre Souza, gestor do Projeto Startup SC, do Sebrae.

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Segundo especialistas e relatos dos donos das ideias, startups surgem para resolver um problema e/ou facilitar uma atividade da sociedade, mas as grandes ideias não nascem milionárias. Para que o empreendedor consiga executar bem o projeto, é necessário conhecer bem como aquela dor atrapalha o potencial cliente.

A essência de uma startup é inovar, mesmo que isso implique quebrar regras e correr riscos maiores, o que não é arriscado para empresas maiores. Com isso, a compra de startups por esses negócios têm se tornado cada vez mais atrativa.

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As fusões e aquisições estão acontecendo de forma mais rápida, quando as startups ainda estão em estágio inicial de desenvolvimento, o chamado “early stage”. Dados do Inside Venture Capital, do primeiro semestre de 2021, mostram que 69% das 339 fusões e aquisições de startups no Brasil envolveram empresas em early stage. As empresas atraíram um valor recorde de US$ 5,2 bilhões em investimentos.

Em 2012, a venda da RD Station, de Florianópolis, para a Totvs por R$ 1,86 bilhão ficou marcada como a maior movimentação financeira já registrada no setor de tecnologia catarinense. É importante destacar que os valores da venda nem sempre são divulgados, por questões contratuais com a empresa que fez a aquisição.

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PEGAKI (BLUMENAU) | INTELIPOST)

Uma ideia que surgiu para resolver o problema de um e-commerce em Blumenau, no Vale do Itajaí, passou a valer mais de R$ 5 milhões em menos de cinco anos. Essa realidade parece inatingível, mas o caminho do sucesso exigiu muito trabalho e resiliência. A identificação de um impasse serviu para facilitar a logística de diversas empresas brasileiras.

Tudo começou em 2016, quando três empreendedores catarinenses se juntaram para criar a Pegaki, uma empresa de tecnologia que trabalha como um “correio particular”, ajudando a logística de entrega e conectando o consumidor com o e-commerce de forma rápida utilizando pontos de retirada. O modelo foi inspirado na França.

Em 2021, a startup foi vendida para a Intelipost, plataforma líder em gestão de fretes no Brasil. O valor milionário da compra não foi divulgado, mas varia entre R$ 5 e 50 milhões.

— A gente tem que desmistificar o mito de que vender é ruim. Isso vem da economia tradicional. Aqui a gente já começa uma startup pensando em vender. Além de ser abordado por grandes empresas, você pode se aproximar delas e fazer uma busca ativa — conta João Cristofolini, um dos sócios da Pegaki, de 31 anos, natural de Timbó.

A Pegaki já nasceu em 2016 com a cabeça de startup e como toda empresa inovadora os sócios almejavam uma grande compra. A empresa passou por uma aceleradora no primeiro ano de criação e teve duas rodadas de investimentos, totalizando 1,6 milhão de reais. 

A pandemia, em 2020, auxiliou no processo de crescimento. Entre 2019 e 2020, a Pegaki cresceu mais de 100 vezes e as propostas de aquisição começaram a chegar com maior frequência.

Depois da venda, a Pegaki continuou independente da Intelipost. A ideia é que as empresas tenham sinergia, com áreas compartilhadas e a mesma rede de clientes, mas juntar totalmente as organizações pode burocratizar a Pegaki, que nasceu para agir de forma rápida e simples. Na prática, as duas organizações andam na mesma direção mas em pistas diferentes. “Ganho de economia e escala”, acrescenta João.

A trajetória da Pegaki até a venda, assim como as histórias de outras startups catarinenses estão descritas no livro “Saída de Mestre: estratégias para compra e venda de uma startup”, que João Cristofolini escreveu ao lado do jornalista Eduardo Cosomano. O livro mostra a tendência atual da venda de startups em estágio inicial para grandes empresas.

Sócios-fundadores João Cristofolini e Daniel Frantz em ponto de retirada parceiro da Pegaki
Sócios-fundadores João Cristofolini e Daniel Frantz em ponto de retirada parceiro da Pegaki
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RD STATION (FLORIANÓPOLIS | TOTVS)

O ano de 2021 marcou a venda da RD Station para a Totvs por R$ 1,86 bilhão, a maior movimentação financeira já registrada no setor de tecnologia catarinense. A startup foi criada há 10 anos em Florianópolis por Eric Santos e André Siqueira, quando o marketing digital ainda engatinhava e a maioria das empresas ainda não sabia a sua importância. Ou seja, a empresa foi tão visionária que criou uma demanda que poucos clientes sabiam que tinham.

Chamada Resultados Digitais na época, a empresa desenvolve a RD Station, uma ferramenta para automação em marketing digital e vendas, com alertas e relatórios Em pouco tempo, a plataforma conquistou diversos clientes, e hoje é líder de mercado na América Latina. A startup foi além de disponibilizar um produto, mas criou um evento gigante sobre marketing digital e vendas: o RD Summit.

Em 2020, a companhia decidiu unificar toda a sua operação com um mesmo nome. Como "Resultados Digitais" dificultava a pronúncia em outros países e não era facilmente traduzido, a marca passou a se chamar RD Station.

RD Station foi criada em Florianópolis
RD Station foi criada em Florianópolis
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O sucesso ao longo dos 10 anos de história atraiu investidores e empresas maiores. Segundo o cofundador e CEO da RD, Eric Santos, a startup recebeu propostas de compra tanto por companhias brasileiras quanto do exterior. Em março de 2021, ela foi oficialmente vendida para a Totvs, empresa brasileira de softwares.

Na prática, pouca coisa mudou na empresa desde a venda para a Totvs. Na governança, o conselho de administração agora tem alguns assentos ocupados por pessoas indicadas pela Totvs. Já na operação do dia a dia não houve alteração.

Para o CEO, uma transação como essa impacta o ecossistema de tecnologia em Florianópolis positivamente.

— Primeiro, a gente começa a ver que é possível ter uma saída num tamanho bastante considerável. Além disso, é sempre bom para um ecossistema local você ter cases de sucesso, porque fica mais fácil atrair investimento de fundos localizados em São Paulo, principalmente, mas mesmo fora do país. Quando você tem um desconhecimento da cena empreendedora, é mais fácil para um fundo americano, por exemplo, entender que a empresa é baseada em um ecossistema que tem cases relevantes — explica Santos.

Apesar da venda ter sido um passo importante na trajetória da empresa, o CEO destaca que não iguala o sucesso de uma startup à capacidade de ela ser vendida.

— Na minha avaliação, o sucesso está muito mais relacionado ao impacto que essa empresa tem no ecossistema como um todo, para o seus clientes, parceiros e funcionários. No caso da RD a gente vê a saída como um marco, mas de forma alguma como final dessa trajetória. Eu não igualo o sucesso da startup a uma transação como essa que a gente teve. Essa transação é muito mais uma validação desse bom trabalho que nós estamos fazendo — destaca.

CEO da RD Station, Eric Santos
CEO da RD Station, Eric Santos
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SMARKET (FLORIANÓPOLIS | NEOGRID)

O mundo da tecnologia é rodeado por homens. O do varejo também. No meio dessas duas áreas, uma mulher transformou sua ideia em uma empresa de 17 milhões de reais. Sozinha e com um barrigão, ela vestia uma carão e entrava na sala de grandes investidores para negociar.

— Eu fiquei pensando como os investidores iriam olhar para uma empreendedora solo e grávida. A gente sabe que existe essa dificuldade, mas a gente faz um carão e vai. Uma mãe também consegue ser empreendedora e entregar resultados — conta Marcela Graziano, fundadora da Smarket.

O produto da startup é uma plataforma de gestão de promoções para mercados, farmácias e lojas de eletromóveis. O sistema automatiza um processo que antes era totalmente manual.

Quando perguntada sobre como fazer isso sozinha e obter sucesso, Marcela dá uma resposta simples e tranquila: “‘Timing’, essa é a palavra chave para uma startup”. Ela tirou a empresa do papel em 2015 e vendeu em 2021 para a Neogrid, gigante de software que oferece gestão automática de produtos para reduzir o excesso de estoque em comércios.

— No meu caso, eu tinha que tomar uma decisão: captar uma nova rodada de investimento ou vender. O fundo que investe tem uma tese de investimento. Eu invisto X e quero que seja vendida por 5X, por exemplo. Essa pernada de crescer 5X ia exigir muito mais tempo de dedicação. Eu estava grávida na época. Entendi que era a hora de vender. Sempre que a gente prolonga uma decisão de venda, a gente prolonga o risco, porque pode mudar o cenário — explica Marcela.

O começo dessa história foi de muito trabalho solo. Marcela era consultora em uma rede de supermercados de Florianópolis. Em 2013 ela teve a ideia e contou com a ajuda do local em que ela trabalhava para financiar e colocar a plataforma em prática. Foi assim que a empresa saiu do papel, com a primeira versão do software criado.

Dois anos depois, Marcela tomou a decisão de se dedicar integralmente à Smarket. A startup cresceu com dinheiro próprio: vendia contratos e fazia investimentos no time. Passou a trabalhar não só com mercados, mas também com farmácias e lojas de eletromóveis. 

Depois de quatro anos que abriu oficialmente a Smarket, Marcela começou a pensar em venda. Em 2017, surgiu a necessidade de dar um passo a mais e fazer uma rodada de investimento. Foi aí que a Smarket se aproximou da futura compradora. Muitas empresas fizeram propostas e a que mais encaixou foi a da Neogrid. As negociações iniciaram em janeiro de 2021 e a startup foi vendida em março.

A empresa começou com um cliente e uma empreendedora e foi vendida com mais de 60 clientes e 23 funcionários. A Neogrid adquiriu 100% da startup e manteve a Smarket de forma independente. Os líderes, times e escritórios continuaram os mesmos.

— Além de fazer a compra da empresa, eles injetam dinheiro para que a gente consiga fazer projetos mais estratégicos. A gente consegue unir aquela velocidade por cultura com o investimento de uma empresa — comemora Marcela.

A empreendedora continua trabalhando para cumprir as metas e fazer a Smarket crescer ainda mais. Agora, ela não está sozinha: tem a Neogrid e um grande time. E também não está mais com um barrigão, o filho pequeno já faz companhia nas horas de trabalho em casa.

Marcela Graziano, fundadora da Smarket
Marcela Graziano, fundadora da Smarket
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EYEMOBILE (FLORIANÓPOLIS | GETNET)

De jogador de basquete a empreendedor: essa foi a trajetória de João Gustavo Pompeo da Cruz, um dos sócios da Eyemobile, startup de Florianópolis vendida para a Getnet, do Grupo Santander, em agosto de 2021. Apesar de trocar de profissão, João tem o mesmo objetivo: "se destacar e levar o nome para fora”. E é exatamente esse o caminho que Eyemobile está tomando: o de internacionalização.

A startup surgiu de uma ideia em 2012 de criar um caixa móvel. Os sócios foram buscar alternativas no Google e encontraram uma impressora portátil na China que poderia ajudar no negócio. E foi aí que nasceu uma ferramenta de vendas, juntando um celular Android com uma pequena impressora portátil: o start de um caixa móvel.

Eyemobile surgiu de uma ideia em 2012 de criar um caixa móvel
Eyemobile surgiu de uma ideia em 2012 de criar um caixa móvel
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Foi em 2013 que a ideia realmente saiu do papel e o primeiro cliente surgiu. Uma balada de Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, contratou o serviço da empresa.

— A gente fazia um evento por mês. Eu era o primeiro a entrar e o último a sair. Nós fornecíamos os equipamentos com tecnologia e treinávamos a equipe para usar esse sistema de caixa móvel — relembra João.

O faturamento da startup começou já na primeira oportunidade e, desde então, 70 mil operações foram realizadas. O começo, porém, não foi com mentalidade de startup. Como a empresa já lucrava, os empreendedores não buscavam investimento. Aos poucos a ideia cresceu e o negócio expandiu. A empresa de Santa Catarina ofereceu os serviços para as Olimpíadas de 2016, para o Rock in Rio e para a Bienal do Livro, todos com sucesso.

2019 foi o ano auge da Eyemobile. A empresa fez show da Shakira, apareceu em diferentes eventos e fechou parceria para a oferta de máquinas com a solução da startup acoplada. Nesse mesmo ano, a Eyemobile recebeu diferentes propostas de compra, que não foram aceitas.

Em 2020, com a pandemia, o setor de eventos parou e os empreendedores precisaram se reinventar. Mais uma vez, uma nova ideia precisava surgir e o sistema foi ampliado para soluções de vendas digitais para o varejo. Agora com a venda, a startup continua independente, sem perder a essência, mas dentro de uma grande empresa de vendas.

João Gustavo Pompeo da Cruz é um dos sócios da Eyemobile
João Gustavo Pompeo da Cruz é um dos sócios da Eyemobile
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EFFECTI (RIO DO SUL | NUVINI)

A Effecti, startup de Rio do Sul, foi criada por Fernando Salla e Everton Porath para facilitar os processos burocráticos de licitações do governo.

Hoje em dia, muitos empreendedores começam uma startup já com a visão de negócio. No entanto, no caso da Effecti, os co-fundadores tinham todos os conhecimentos técnicos necessários, porém pouca noção de gestão. A ideia começou a ser discutida em 2006, mas a empresa só nasceu oficialmente em 2013.

— Naquela época a gente nem sabia que queria ser uma startup, nem sabia desse mundo — conta o cofundador e CEO Fernando Salla.

Mas de fato eles tinham uma boa ideia que chamou a atenção do mercado. A solução "Minha Effecti" foi criada para facilitar o dia a dia dos fornecedores do governo que conseguem filtrar os editais abertos relacionados ao seu produto ou serviço. Eles também conseguem participar de vários pregões ao mesmo tempo. A plataforma é como um "tinder da licitação", descreve Salla.

Depois de uma longa trajetória independente, sem investimentos e muitos "perrengues", como relata o CEO, eles perceberam que era necessário dar um novo passo para que a empresa continuasse a crescer. Depois de várias reuniões em 2020 para discutir o negócio, a Effecti deu match com a Nuvini, empresa de software as a service (SaaS). A venda foi anunciada oficialmente em março deste ano.

— Foi o contrato mais importante que eu assinei na minha vida, mas foi com a maior tranquilidade — conta Salla.

Atuais sócios da Effecti: Everton Porath, Lenilson Porath e Fernando Salla
Atuais sócios da Effecti: Everton Porath, Lenilson Porath e Fernando Salla
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O que as statups têm em comum

Apesar de ser difícil descrever a equação de sucesso de uma startup, já que cada empresa tem uma trajetória única, é consenso entre os empreendedores da lista que para ser bem-sucedida, uma startup precisa criar uma solução para um grande problema do mercado. 

O dono da Pegaki, diz que é essencial ainda ter uma boa relação entre as lideranças da empresa, e, no caso da venda, com a companhia que fez a compra. Fernando Salla, da Effecti, destaca que um fator importante é mostrar que a startup está aberta aos investimentos para garantir que ela continue crescendo.

Para João Gustavo Pompeo da Cruz, um dos sócios da Eyemobile, é preciso ter algo palpável e atingível antes de lançar um produto, para que o mercado acredite na ideia. 

A dica da Marcela Graziano, empreendedora da Smarket, é ter atenção ao momento de lançamento. Tem que ter ‘timing’. Se o mercado ainda não está pronto para receber a solução é ruim, mas se lançar a ideia muito depois talvez já tenha concorrentes. Na venda o mesmo acontece.

A equação do sucesso do CEO da RD Station, Eric Santos, inclui fatores importantes citados por todos os empreendedores: ter a solução para um grande problema de um mercado grande + capacidade de execução (time bom e talentoso) + capacidade de financiar o sonho ao longo do tempo (relação com potenciais compradores e investidores).

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Dicas para uma startup de sucesso

- Você não precisa necessariamente se tornar um Unicórnio (uma empresa com 1 bilhão de faturamento);

- Saídas antecipadas não são ruins. É preciso avaliar a situação particular e encontrar o ‘timing’;

- Você não precisa ser abordado por grandes empresas para pensar em vender, você pode fazer uma busca ativa e se aproximar dessas empresas;

- Antes de vender ou não, é preciso pensar se a tecnologia não vai se tornar obsoleta.

- A principal joia da startup são as pessoas que fazem acontecer;

- Há diferentes motivos para uma empresa comprar uma startup: ganhar mercado, melhorar a experiência do consumidor e agregar um bom time.

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