O início de 2026 é marcado por tensão política e jurídica em Brasília, centrada na investigação sobre o Banco Master e a atuação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). A crise envolve irregularidades financeiras que motivaram a liquidação extrajudicial do banco, além de possíveis vínculos com o Resort Tayayá, no interior do Paraná — empreendimento imobiliário que esteve ligado a familiares de Toffoli. O episódio abala o poder no Brasil justamente por transbordar o setor financeiro e atingir os pilares institucional, político e judiciário do país.

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Operação Compliance Zero e a liquidação da Reag

A Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero para investigar um suposto esquema de fraudes financeiras de grande magnitude, incluindo emissão irregular de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) sem lastro e movimentações atípicas envolvendo fundos ligados ao Banco Master.

Em 15 de janeiro de 2026, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da ReagCBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., uma gestora de fundos citada nas apurações e vinculada ao caso Master, após identificar graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional.

Segundo a Agência Brasil, as investigações apontam que as fraudes podem superar R$ 11 bilhões, envolvendo suposta ocultação de beneficiários finais de recursos e movimentações atípicas que percorrem diferentes fundos sob suspeita.

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O elo paranaense: quem são os envolvidos no Resort Tayayá

Diversas reportagens indicam que o Tayayá Resort, localizado em Ribeirão Claro (PR), esteve ligado a familiares do ministro Dias Toffoli. Um fundo de investimento administrado por empresa citada no caso Master realizou um aporte de cerca de R$ 4,3 milhões para comprar ações do empreendimento, que já teve no quadro societário a Maridt Participações S.A., pertencente aos irmãos de Toffoli.

Registros públicos mostram que a Arleen Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia — administrado pela Reag — foi o veículo utilizado na operação.

Em outra análise, apurações apontam que Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, foi flagrado como cotista em fundos que adquiriram parte da participação da família de Toffoli no resort, operação que movimentou cerca de R$ 20 milhões no total.

Importante destacar que não há comprovação de participação direta de Toffoli como sócio no empreendimento; porém, o resort teve vínculos societários com seus parentes enquanto o caso Master ganhava destaque nas investigações.

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Toffoli na relatoria do inquérito e decisões judiciais sob escrutínio

O ministro Dias Toffoli assumiu a relatoria no STF do inquérito que apura as irregularidades no Banco Master e em operações conexas, atendendo a pedido da Polícia Federal para prorrogar as investigações por mais 60 dias e manter sigilo sobre os autos.

Em decisões que ganham atenção no meio jurídico, Toffoli autorizou diligências como quebra de sigilos bancário e fiscal de mais de 100 investigados, incluindo bloqueio de bens e valores da ordem de bilhões, conforme pedido da PF com aval da Procuradoria‑Geral da República (PGR).

O teor e os efeitos desses atos estão no centro de debates sobre a condução do caso, especialmente em relação à amplitudes das decisões e o uso de sigilo no processo.

Controvérsias e repercussões institucionais

As decisões de Toffoli sobre o caso Master e sua relatoria no STF têm sido alvo de críticas e questionamentos por parte de deputados, juristas e movimentos políticos, que veem nas medidas uma possível restrição à atuação da Polícia Federal e dos órgãos de controle.

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Além disso, manifestações públicas pedindo impeachment do ministro foram protocoladas por grupos na esfera política, e representações foram apresentadas ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), sob argumento de possível violação do Código de Ética da Magistratura — ainda que tais pedidos não tenham resultado em medida disciplinar até o momento da publicação deste conteúdo.

O que é liquidação extrajudicial e por que foi aplicada

A liquidação extrajudicial é a medida mais rigorosa que o Banco Central pode aplicar antes da falência de uma instituição financeira. Ela é adotada quando o regulador identifica que a empresa não possui condições de honrar seus compromissos nem recuperar sua solidez financeira.

No caso do Banco Master, além das fraudes apontadas, a compra de carteiras de crédito sem lastro pelo Banco de Brasília (BRB) levou à necessidade de ajustes bilionários no balanço de instituições e chamou a atenção do mercado para o risco sistêmico da instituição.

A liquidação implica que os bens dos administradores e controladores ficam indisponíveis por determinação legal, e o Banco Central passa a orientar a gestão dos ativos remanescentes com o objetivo de proteger credores e o sistema financeiro.

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Posicionamentos oficiais e próximos passos

Em notas oficiais divulgadas à imprensa, a assessoria de Dias Toffoli nega qualquer irregularidade, ressaltando que as decisões judiciais seguem os ritos processuais e o devido processo legal.

Da mesma forma, os advogados de investigados, como o empresário Daniel Vorcaro, afirmam que a liquidação do banco e outras medidas adotadas pelo Banco Central foram resultado de análises técnicas, e negam qualquer favorecimento ou conduta irregular.

O cronograma de diligências no âmbito do processo inclui a oitiva de testemunhas e envolvidos, marcada para os dias 26 e 27 de janeiro de 2026, com expectativa de novos desdobramentos.

O resort que já foi de irmão de Toffoli

Linha do tempo do caso

  • Novembro de 2025: O Banco Central decreta a liquidação extrajudicial do Banco Master após identificar irregularidades e riscos à solvência.
  • Dezembro de 2025: Dias Toffoli assume a relatoria do inquérito no STF e determina sigilo das investigações.
  • Janeiro de 2026 (meados): Nova fase da Operação Compliance Zero, com liquidação da gestora Reag pela autoridade monetária.
  • Janeiro de 2026 (meados): Reportagens destacam transações envolvendo familiares de Toffoli e o Resort Tayayá em meio às apurações.
  • 26 e 27 de janeiro de 2026: Depoimentos agendados no âmbito das diligências do inquérito.

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