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    Volta às aulas em SC tem incertezas de pais e medidas para possível retorno

    Estado prepara medidas de prevenção e adia para 12 de outubro a possível retomada presencial nas escolas, em meio a insegurança de pais e alertas de especialistas

    23/08/2020 - 06h00 - Atualizada em: 23/08/2020 - 08h19

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    Por Jean Laurindo
    Douglas, 11 anos, continua em rotina de ensino remoto durante a suspensão das aulas presenciais por causa do novo coronavírus
    Douglas, 11 anos, continua em rotina de ensino remoto durante a suspensão das aulas presenciais por causa do novo coronavírus
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    Schirlei já decidiu: ainda que as aulas presenciais em Santa Catarina retornem neste ano, o filho Douglas, de 11 anos, não volta a frequentar a escola até dezembro. O motivo é o medo contaminação pelo novo coronavírus

    > Especialistas e dirigentes aprovam novo adiamento da volta às aulas presenciais em SC

    A data de volta às aulas presenciais em SC sofreu novo adiamento nesta semana. A última previsão, que era de um possível retorno das escolas em 8 de setembro, foi alterada após uma reunião desta semana que discutiu números atuais da covid-19 no Estado. 

    Agora, o Estado confirma que as aulas estão suspensas até pelo menos 12 de outubro. O retorno vai depender do avanço da pandemia do novo coronavírus em SC. 

    Desde março o filho da pedagoga Schirlei da Silva Catarina, 36 anos, está em casa e faz as atividades de forma remota pela internet. É a mesma situação de 1,3 milhão de estudantes em SC - 537 mil da rede estadual e outros 785 mil nas redes municipais. As unidades também oferecem atividades impressas para alunos sem acesso a computador. 

    A moradora de São José diz que só pretende permitir que o filho volte às aulas presenciais no próximo ano, com um cenário de pandemia já controlado e, possivelmente, uma vacina. 

    – Conheço a realidade das escolas e sei que é impossível conseguir manter distância entre as crianças. É impossível que em um pátio eles não se esbarrem ou peçam algo emprestado do outro. O professor não tem como atender o aluno sem se aproximar, tocar no material. Não seria seguro nem para os alunos nem para professor – avalia. 

    Schirlei faz parte de um grupo que teme um possível aumento de casos se as aulas presenciais forem retomadas. Esta semana, uma pesquisa Datafolha mostrou que 79% dos pais dizem que uma reabertura das escolas poderia agravar a pandemia. O mesmo percentual defende que elas deveriam permanecer fechadas por mais dois meses. 

    Enquanto as escolas não reabrem, o filho de Schirlei deve permanecer nas atividades remotas. A mãe admite que a rotina é exaustiva para conseguir conciliar o trabalho e ajuda ao filho nas atividades, mas afirma que grupos de pais e professores no aplicativo Whatsapp ajudam. 

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    Michele Ferreira Lanza, 30 anos, mora em Joinville e tem dois filhos em idade escolar: um menino de 10 anos, aluno do 4º ano, e um de seis anos, no pré-escolar. Ela também admite que não se sente segura em deixá-los retornar às aulas em uma eventual volta das escolas. 

    Não que em casa esteja fácil. A rotina de mãe e dona de casa, com mais uma menina de 2 anos, e a necessidade de ajudar os filhos nas atividades remotas repassadas pelos professores têm tornado os dias de pandemia ainda mais desgastantes. Mas o receio de que as crianças não consigam adotar os cuidados contra a contaminação pelo novo coronavírus deve fazê-la pensar duas vezes na hora de decidir sobre um possível retorno. 

    – Para nós adultos, manter distância e os cuidados já não é fácil. Imagina uma criança em uma sala de aula. Ela não vão saber controlar distância, lembrar de lavar a mão toda a hora, trocar a máscara – pondera a mãe. 

    Estado definiu protocolo para quando retorno for possível

    Escolas estaduais não voltarão ao formato presencial antes de 12 de outubro
    Escolas estaduais não voltarão ao formato presencial antes de 12 de outubro
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    A secretaria de Educação já definiu um protocolo de segurança para quando as aulas presenciais forem retomadas, ainda que a data seja incerta. O governo sustenta que a decisão só será tomada com aval das autoridades de saúde.

    Uma das tendências é de que os primeiros a retornarem sejam os alunos acima de 14 anos. Esse público, aliás, foi o alvo das diretrizes de segurança divulgadas no final de julho. Normas para os públicos menores estão sendo elaboradas. 

    Nesta semana, o secretário de Educação de SC, Natalino Uggioni, afirmou em entrevista à CBN Diário que o reinício será feito de forma gradual, começando pelos mais velhos. 

    – Vamos iniciar pelos maiores, pelos alunos que estão no último ano do Ensino Médio, que vão prestar o Enem e que estão tendo mais dificuldade de acompanhamento nesse período. E o movimento não vai ser todo de uma vez só. Teremos alguns estudantes retornando e, semanalmente, vamos aumentando o número até atingirmos a totalidade. 

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    Outra definição do protocolo já aprovado para os alunos maiores é a possibilidade de aulas em formato híbrido, com parte das atividades presenciais e parte remota. Isso porque nem todos os professores podem voltar para a sala de aula por conta da estrutura física e dos grupos de risco. 

    Sindicato das escolas particulares reage contra novo adiamento 

    Embora referendada por especialistas da saúde e por parte dos pais, a decisão de manter as aulas suspensas não é um consenso no Estado. O novo adiamento no prazo para retorno das atividades presenciais é alvo de críticas contundentes do sindicato que representa as escolas particulares de Santa Catarina (Sinepe-SC).

    O presidente da entidade, Marcelo Batista de Sousa, defende o direito de as escolas particulares voltarem a funcionar e diz que o governo impõe “tratamento igual a situações desiguais”.

    – Se a rede particular de ensino tem condições de adotar protocolos rígidos de segurança e se há pais dispostos a mandar os filhos para a escola que escolheram, qual o sentido de manter a escola particular fechada? Respeitado o direito das famílias que quiserem continuar com aulas remotas para os filhos, por que não adotar um modelo flexível? – questiona.

    "Escolas têm condições de retomar aula em segurança", diz dirigente

    O representante das escolas particulares rebate o argumento de que a liberação para escolas particulares causaria “desvantagem” para os alunos das escolas públicas e diz que muitos pais precisam de um lugar seguro para as crianças porque precisam trabalhar. 

    Ele sustenta que as escolas privadas “têm condições de retomar as aulas em segurança”, afirma que famílias da educação infantil pressionam pela volta das escolas e defende que uma eventual volta não seria obrigatória para todos. 

    – Se a família entender que o “fique em casa” é melhor, a escola vai saber atender ao público presencial, que nos cobra a reabertura, e vai saber atender bem o público que preferir ficar em casa – ressalta. 

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    Normas para volta às aulas em SC 

    Confira abaixo as medidas sugeridas pelo governo do Estado para a volta das aulas quando for possível retornar em segurança, nas turmas para alunos acima de 14 anos:  

    - Volta gradativa, dividida por turmas ou cursos; 

    – Possibilidade de atividades em dias alternados para ampliar o distanciamento social; 

    – Professores deverão usar máscara descartável e trocá-las ao final de cada aula. Alunos poderão usar máscaras de tecido ou descartáveis, que também deverão ser trocadas a cada duas horas; 

    – As escolas deverão aferir a temperatura de todos na entrada e proibir a passagem de quem registrar temperatura igual ou superior a 37,8ºC; 

    – Possibilidade de que escolas apliquem um horário escalonado de saída dos alunos, assim como os horários de intervalo e refeições, além de usarem espaços como ginásio, quadras, bibliotecas, pátios etc; 

    – Suspensão das atividades esportivas coletivas - como futebol e vôlei. Há possibilidade de aulas de educação física somente teóricas. 

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