Qual a situação dos sete réus do núcleo de Bolsonaro condenados por trama golpista

Condenados fazem parte do núcleo chamado de crucial da tentativa de golpe, julgados em setembro pelo STF

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Bolsonaro está na Superintendência da PF, em Brasília (Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Bolsonaro está na Superintendência da PF, em Brasília (Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Todos os sete réus no processo da trama golpista já tiveram as prisões determinadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes nesta terça-feira (25), incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Eles fazem parte do núcleo chamado de crucial. Alguns dos réus, no entanto, não estão no Brasil.

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Alexandre Ramagem, por exemplo, fugiu para os Estados Unidos, o que abriria a possibilidade de uma extradição para que a pena de 16 anos seja cumprida.

A definição das penas foi feita pela Primeira Turma do STF ainda em setembro. Bolsonaro recebeu a maior pena, de 27 anos de prisão por cinco crimes:

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  • organização criminosa armada;
  • tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • golpe de Estado;
  • dano qualificado pela violência e ameaça grave (com exceção de Ramagem); e
  • deterioração de patrimônio tombado (também com exceção de Ramagem).

Veja fotos do julgamento

Veja abaixo a situação de cada um dos réus

Jair Bolsonaro

O ex-presidente Jair Bolsonaro está, atualmente, preso na Superintendência da Polícia Federal. Ele foi detido na manhã de sábado (21) por descumprimento das medidas cautelares, com a tornozeleira eletrônica sendo danificada e risco de fuga, segundo Moraes.

Nesta terça-feira (25), no entanto, Moraes decretou o início do cumprimento da pena de Bolsonaro pela trama golpista na mesma unidade. O local, um sala de Estado, sendo um espaço reservado para autoridades como presidentes da República, tem 12 metros quadrados e possui TV, frigobar, cama e banheiro privativo.

A defesa de Bolsonaro considera o decreto de trânsito em julgado um “erro grave” e diz que entrará com um novo recurso. Na última semana, os advogados haviam feito um pedido para que Bolsonaro cumprisse a pena em prisão domiciliar, argumentando que o ex-presidente possui a saúde fragilizada, com crises intensas de soluço.

Alexandre Ramagem

Ramagem foi condenado a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão pelos crimes de organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

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No julgamento, os ministros entenderam que Ramagem usou a estrutura da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para vigiar adversários políticos. Isso porque ele foi diretor do órgão gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Além disso, Ramagem ajudou Bolsonaro nos ataques ao sistema eleitoral, de acordo com os ministros.

Ramagem teria viajado de avião para Boa Vista, em Roraima, e ido até à fronteira de carro. De lá, ele seguiu para outro país. Agora, a Polícia Federal investiga se o político teria saído pela fronteira com a Venezuela ou com a Guiana com um carro alugado em Roraima, de acordo com a TV Globo.

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No momento, ele se encontra em Miami, nos Estados Unidos, com a família. Nas redes sociais, ele afirma que “sofre perseguição” e que fugiu para o país americano por segurança. Com o decreto de trânsito em julgado, Ramagem é considerado oficialmente foragido.

Moraes também determinou que Ramagem perca o mandato de deputado federal. Isso porque, para o ministro, o cumprimento da pena em regime fechado impede que Ramagem esteja presente na Casa. Dessa forma, o parlamentar teria faltas acima do limite permitido.

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O nome de Ramagem foi incluído no Banco Nacional do Monitoramento de Prisões (BNMP), que consolida informações cruciais sobre pessoas presas, procuradas pela Justiça e submetidas a medidas penais.

Anderson Torres

Anderson Torres foi preso nesta terça-feira e cumprirá a pena de 24 anos de prisão no 19º Batalhão da PM, no Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal.

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Ele foi encontrado em seu escritório no Lago Sul, em Brasília. De acordo com o STF, ele atuou de forma ativa na tentativa de manter Jair Bolsonaro na presidência, com suporte jurídico para decretos de media de exceção.

Almir Garnier

Garnier, ex-comandante da Marinha, também foi preso nesta terça-feira. Ele cumprirá a pena de 24 anos de prisão na Estação Rádio da Marinha, em Brasília. Não há informações sobre onde ele estava no momento da prisão.

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Ele foi condenado pelos crimes de organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. De acordo com a sentença, ele foi responsável por ter colocado as tropas da Marinha à disposição de Jair Bolsonaro.

Augusto Heleno

O ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) cumprirá a pena de prisão no Comando Militar do Planalto, em Brasília. Ele foi o primeiro a ser preso pela Polícia Federal na tarde desta terça-feira.

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Augusto Heleno foi condenado a 21 anos de prisão.

Paulo Sérgio Nogueira

O ex-ministro da Defesa, condenado a 19 anos de prisão também foi preso e cumprirá pena no mesmo local de Augusto Heleno, no Comando Militar do Planalto, em Brasília. A prisão tanto de Nogueira quanto de Heleno foi acompanhada por generais.

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Walter Braga Netto

O ex-ministro general Walter Braga Netto cumprirá a pena pena na 1ª Divisão do Exército, Vila Militar, no Rio de Janeiro, mesmo local onde já está preso de forma preventiva desde dezembro de 2024. A prisão ocorreu, à época, depois de tentar atrapalhar as investigações do processo da trama golpista.

O tempo cumprido em preventiva poderá ser subtraído da pena definida pela Primeira Turma, mas isso ainda será avaliado.

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A defesa afirma que recebeu a notícia da condenação com “indignação”.

Mauro Cid

O ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, Mauro Cid, começou a cumprir a pena de 2 anos em regime aberto no final de outubro. Com isso, algumas condições foram impostas:

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  • Não pode sair da comarca sem autorização.
  • Recolhimento domiciliar noturno (20h às 6h) e nos fins de semana.
  • Comparecimento semanal à Vara de Execuções Penais do DF.
  • Proibição de deixar o país e cancelamento dos passaportes.
  • Suspensão do porte de arma e registros de CAC.
  • Proibição de usar redes sociais.
  • Proibição de contato com outros réus dos processos do golpe.

Também foi descontado da pena o período em que ele ficou preso de forma preventiva, e já teve a tornozeleira eletrônica retirada.