Sem provas, Flávio Bolsonaro contesta eleição, mas TSE já legitimou resultado e PL teve recorde de eleitos

Vitória de Lula por mais de 4 milhões de votos foi confirmada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, que é aliado de Jair Bolsonaro (PL)

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Flávio Bolsonaro

Após a derrota para Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) publicou uma carta de teor golpista nesta quarta-feira (28), com alegações sem provas contra o processo eleitoral (Foto: Patrick Rodrigues, NSC)

Após a derrota para Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) publicou uma carta de tom golpista nesta quarta-feira (28), com alegações sem provas contra o processo eleitoral. A Justiça Eleitoral confirmou a vitória de Lula. Os dados da votação e as auditorias das urnas não sustentam as acusações de fraude. O sistema de votação brasileiro é um dos mais confiáveis do mundo e conta com mecanismos de segurança e fiscalização que permitem auditar os votos registrados nas urnas eletrônicas.

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Ainda no domingo, o resultado da eleição foi confirmado pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, que é aliado de Jair Bolsonaro (PL).

Em nota publicada nesta quarta-feira, Nunes Marques voltou a firmar que as eleições “transcorreram dentro da mais absoluta normalidade e com respeito aos ditames legais e constitucionais“:

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Ressalto o compromisso de toda a Justiça Eleitoral com a vontade soberana do eleitorado, que foi às urnas e legitimamente escolheu seus representantes. (…) Com o empenho de servidores públicos de todo o país, dos mesários, das forças de segurança e dos demais atores envolvidos, as Eleições 2026 transcorreram dentro da mais absoluta normalidade e com respeito aos ditames legais e constitucionais.

PL fez bancada recorde no 1º turno e campanha de Flávio nega fraude

Flávio foi o único a contextar o resultado. Nesta quarta-feira, o coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que nem ele nem o PL podem afirmar que houve fraudes nas eleições, porque “não há provas nesse sentido”.

Na segunda-feira, o PL reconheceu a vitória de Lula (PT) em uma nota assinada pelo presidente Valdemar Costa Neto. O partido elegeu 121 deputados federais (23,6% das 513 cadeiras), formando a maior bancada de um único partido na Câmara dos Deputados desde a Constituinte de 1988.

No Senado, o PL conquistou a maior bancada com 19 novos senadores (totalizando 28 senadores na Casa), além de formar uma bancada alinhada estimada em 44 parlamentares. O resultado contradiz a afirmação de Flávio, na carta, de que o Brasil vive um regime de exceção, já que o partido mantém uma bancada expressiva para exercer o papel de oposição ao governo Lula.

Votos registrados após as 17h representaram 0,027% do total

Na carta de teor golpista, Flávio Bolsonaro cita informações falsas de que o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), seria responsável pelos “mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno” conquistados por Lula. Na verdade, Zanin prorrogou as votações das 17h até as 19h após pedidos dos dois candidatos.

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Neste período, segundo levantamento do TSE, apenas 34.393 votos foram registrados, o equivalente a 0,027% do total de votos depositados durante o dia. Desse número, 32.399 foram computados entre 17h e 18h, 1.981 entre 18h e 19h e 13 após as 19h.

A extensão do horário não autorizou a reabertura de urnas que já haviam sido encerradas. A medida permitiu que a votação continuasse nas seções que ainda estavam em funcionamento, seguindo os procedimentos estabelecidos pela Justiça Eleitoral.

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A diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro foi de 4,43 milhões de votos. O total registrado após as 17h correspondeu a cerca de 0,8% dessa vantagem, uma proporção insuficiente para alterar o vencedor.

Sistema eleitoral tem mecanismos de segurança e fiscalização

O sistema eletrônico de votação brasileiro conta com procedimentos de segurança e auditoria antes, durante e depois das eleições. Entre eles estão a assinatura digital dos sistemas, a lacração dos programas, a criptografia dos dados, os testes públicos de segurança e a fiscalização por partidos políticos, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e outras entidades.

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Segundo o TSE, o processo eleitoral dispõe de mais de 40 oportunidades de auditoria ao longo do ciclo eleitoral. Em 30 anos de utilização das urnas eletrônicas, nenhuma fraude foi comprovada, de acordo com a Justiça Eleitoral.

Um dos mecanismos de conferência é o Boletim de Urna (BU), documento emitido ao fim da votação em cada seção eleitoral. Ele apresenta a quantidade de votos registrados para cada candidato e pode ser consultado publicamente. Os dados permitem comparar o resultado impresso pela urna com os números divulgados pelo TSE.

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No 2º turno de 2026, o teste de integridade realizado na sede do TSE também terminou sem divergências. A auditoria comparou 389 votos registrados em cédulas de papel com os resultados apresentados pelas urnas eletrônicas. Não foram identificadas diferenças.