Após a derrota para Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) publicou uma carta de tom golpista nesta quarta-feira (28), com alegações sem provas contra o processo eleitoral. A Justiça Eleitoral confirmou a vitória de Lula. Os dados da votação e as auditorias das urnas não sustentam as acusações de fraude. O sistema de votação brasileiro é um dos mais confiáveis do mundo e conta com mecanismos de segurança e fiscalização que permitem auditar os votos registrados nas urnas eletrônicas.
Ainda no domingo, o resultado da eleição foi confirmado pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, que é aliado de Jair Bolsonaro (PL).
Em nota publicada nesta quarta-feira, Nunes Marques voltou a firmar que as eleições “transcorreram dentro da mais absoluta normalidade e com respeito aos ditames legais e constitucionais“:
Ressalto o compromisso de toda a Justiça Eleitoral com a vontade soberana do eleitorado, que foi às urnas e legitimamente escolheu seus representantes. (…) Com o empenho de servidores públicos de todo o país, dos mesários, das forças de segurança e dos demais atores envolvidos, as Eleições 2026 transcorreram dentro da mais absoluta normalidade e com respeito aos ditames legais e constitucionais.

PL fez bancada recorde no 1º turno e campanha de Flávio nega fraude
Flávio foi o único a contextar o resultado. Nesta quarta-feira, o coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que nem ele nem o PL podem afirmar que houve fraudes nas eleições, porque “não há provas nesse sentido”.
Na segunda-feira, o PL reconheceu a vitória de Lula (PT) em uma nota assinada pelo presidente Valdemar Costa Neto. O partido elegeu 121 deputados federais (23,6% das 513 cadeiras), formando a maior bancada de um único partido na Câmara dos Deputados desde a Constituinte de 1988.
No Senado, o PL conquistou a maior bancada com 19 novos senadores (totalizando 28 senadores na Casa), além de formar uma bancada alinhada estimada em 44 parlamentares. O resultado contradiz a afirmação de Flávio, na carta, de que o Brasil vive um regime de exceção, já que o partido mantém uma bancada expressiva para exercer o papel de oposição ao governo Lula.
Votos registrados após as 17h representaram 0,027% do total
Na carta de teor golpista, Flávio Bolsonaro cita informações falsas de que o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), seria responsável pelos “mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno” conquistados por Lula. Na verdade, Zanin prorrogou as votações das 17h até as 19h após pedidos dos dois candidatos.
Neste período, segundo levantamento do TSE, apenas 34.393 votos foram registrados, o equivalente a 0,027% do total de votos depositados durante o dia. Desse número, 32.399 foram computados entre 17h e 18h, 1.981 entre 18h e 19h e 13 após as 19h.
A extensão do horário não autorizou a reabertura de urnas que já haviam sido encerradas. A medida permitiu que a votação continuasse nas seções que ainda estavam em funcionamento, seguindo os procedimentos estabelecidos pela Justiça Eleitoral.
A diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro foi de 4,43 milhões de votos. O total registrado após as 17h correspondeu a cerca de 0,8% dessa vantagem, uma proporção insuficiente para alterar o vencedor.
Sistema eleitoral tem mecanismos de segurança e fiscalização
O sistema eletrônico de votação brasileiro conta com procedimentos de segurança e auditoria antes, durante e depois das eleições. Entre eles estão a assinatura digital dos sistemas, a lacração dos programas, a criptografia dos dados, os testes públicos de segurança e a fiscalização por partidos políticos, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e outras entidades.
Segundo o TSE, o processo eleitoral dispõe de mais de 40 oportunidades de auditoria ao longo do ciclo eleitoral. Em 30 anos de utilização das urnas eletrônicas, nenhuma fraude foi comprovada, de acordo com a Justiça Eleitoral.
Um dos mecanismos de conferência é o Boletim de Urna (BU), documento emitido ao fim da votação em cada seção eleitoral. Ele apresenta a quantidade de votos registrados para cada candidato e pode ser consultado publicamente. Os dados permitem comparar o resultado impresso pela urna com os números divulgados pelo TSE.
No 2º turno de 2026, o teste de integridade realizado na sede do TSE também terminou sem divergências. A auditoria comparou 389 votos registrados em cédulas de papel com os resultados apresentados pelas urnas eletrônicas. Não foram identificadas diferenças.
