Mayanna Rodgers, mãe do menino morto por não dar “bom dia” ao pai, ficou cerca de 20 minutos no velório. O sepultamento foi realizado na quarta-feira (22), em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A mãe recebeu autorização da Justiça para acompanhar a cerimônia e foi escoltada até o local.
A despedida ocorreu em uma cerimônia fechada no Cemitério Nossa Senhora da Conceição e reuniu apenas dez pessoas. Segundo a advogada Isabel Cochlar, a liberação para Mayanna participar permitiu que a mulher pudesse se despedir do filho.
— Ela pôde efetivamente se despedir com dignidade do filho dela — afirma Cochlar.
O menino de três anos morreu em 8 de julho, três dias após ser espancado pelo pai, o missionário norte-americano D’Andre Grayson. Ele está preso preventivamente e não teve autorização para participar do velório.
Conforme a decisão judicial, a presença dele poderia representar riscos à integridade física do próprio investigado, dos agentes responsáveis pela escolta e das demais pessoas presentes. A defesa de Dandre afirmou que “respeita e compreende os fundamentos utilizados pelo Magistrado”.
A Polícia Civil apura a conduta da mãe para esclarecer se houve omissão diante das agressões ou eventual participação nos episódios de violência. A defesa de Mayana informou que pretende protocolar um pedido de habeas corpus para tentar reverter a prisão preventiva.
Veja fotos da família do menino morto por não dar “bom dia”
Corpo demorou a ser reconhecido e liberado
O corpo da criança foi reconhecido pelo Departamento Médico Legal (DML), que afirmou que realizou identificação por meio da papiloscopia, método que identifica indivíduos através das impressões digitais, palmares ou plantares. No entanto, era necessário que algum familiar liberasse o corpo. A Justiça entendeu que a melhor opção era entregar o corpo do menino para a prefeitura, já que os pais estão presos.
A família veio dos Estados Unidos há cerca de nove anos. Em Viamão, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul afirmou que o casal e os filhos passavam por uma situação de vulnerabilidade e contavam com doações e ajuda de pessoas da comunidade religiosa.
Pai confessou o crime
O homem confessou que deu socos no tórax e no abdômen do filho de 3 anos porque o menino não lhe deu “bom dia”.
Segundo informações do g1, ele também bateu a cabeça do menino contra o chão na casa onde a família morava, em Viamão. Em janeiro deste ano, o menino também teria quebrado o braço, com a justificativa de que a criança teria se machucado no sofá da casa.
Além disso, o filho mais velho do casal, de 9 anos, também foi levado a um centro de saúde com um ferimento no rosto, segundo o prefeito de Viamão, Rafael Bortoletti (PSDB).
Ao todo, 11 pessoas já foram ouvidas durante a investigação, que deve ser concluída em agosto. Os filhos do casal foram encaminhados para acolhimento institucional por determinação do Conselho Tutelar.



