“Legitimar o ilegitimável, compra feita às pressas”: veja frases da votação do impeachment de Moisés

Sessão foi marcada por longos votos, com duração de 1 a 2 horas cada um

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Tribunal de julgamento aconteceu nesta sexta-feira (26) em sessão virtual (Foto: TVAL / Reprodução)

A sessão do tribunal desta sexta-feira (26) que decidiu pelo afastamento do governador de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL), durou mais de 14 horas. Os 10 votos, quatro contra e seis a favor do prosseguimento à denúncia da compra dos respiradores, tiveram uma média de duração de 1 a 2 horas cada um. A maioria deles com argumentos técnicos, baseados na legislação. Entretanto, em alguns momentos, os deputados e desembargadores deixaram mais evidente o posicionamento sobre o assunto e a orientação do voto. Algumas frases ajudam a entender os argumentos dos que votaram contra e a favor de Moisés:

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Votos contra Moisés 

“A responsabilização política está focada no fato de que o representado tenha tido ciência de que o contrato previa a hipótese de pagamento antecipado sem a prestação de garantias ao Estado. Isso por si só, sem a tomada de qualquer providência a fim de obstar o prejuízo ao erário, já é fato suficiente para a responsabilização política, pouco importando se o contrato administrativo foi firmado por conluio e fraude de terceiros”.

Rosane Portella Wolff, desembargadora e relatora do caso 

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“A soma dos eventos permite cogitar que o chefe do governo não apenas sabia das negociações, como também de suas nuances irregulares, tendo ainda assim o concretizado”. 

Desembargadora Sônia Schmitz 

“Ainda que não seja o ordenador direto da despesa tida por ilegal, é passível a responsabilização do administrador que podendo impedir, nada faz para evitar a concretização (de ato lesivo ao erário)”.

Desembargador Roberto Pacheco 

“Em resumo, há nos autos fortes indícios de prova de que o governador de SC, antes de efetuado o pagamento antecipado, tinha ciência sobre a compra dos respiradores, tendo em vista os depoimentos prestados na CPI específica perante a Alesc, o depoimento do presidente do TCE-SC, as declarações do próprio governador em entrevistas coletivas, bem como a apresentação de projeto de lei à Alesc com o propósito de facilitar a dispensa de garantias em contratação mediante o pagamento antecipado, nos dias anteriores à transferência dos cofres públicos para a empresa Veigamed. Logo, o perigo de dano era manifesto diante do expressivo valor que envolvia a compra dos respiradores”. 

Desembargador Luiz Zanelato 

“Toda a tratativa da compra espúria foi negociada através de ligação telefônica e por mensagens por Whatsapp. Uma verdadeira inovação para nosso tempo, ao arrepio de toda a disposição legal”. 

Desembargador Luiz Fornerolli 

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“Não havia, como não há, espaço para dúvida junto à doutrina nacional a respeito (de pagamentos antecipados). Logo, tudo leva a crer que gostariam ambos, secretário e governador, de legitimar o ilegitimável”. 

Desembargador Luiz Fornerolli 

“Uma coisa é a Polícia Federal dizer em simples palavras que o governador não botou a mão no dinheiro. E, apesar desse assunto não ter se esgotado no Superior Tribunal de Justiça, eu acredito do fundo do meu coração que o governador não botou a mão no dinheiro público que iria para a compra dos respiradores. Mas o inquérito não responde onde foi parar esse dinheiro”. 

Laércio Schuster (PSB), deputado estadual 

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Votos a favor de Moisés 

“De toda a prova testemunhal colhida ao longo da investigação, não se extrai nenhuma ligação direta a Carlos Moisés da Silva. (…) Conclui-se, portanto, que não restou comprovado que o governador Carlos Moisés autorizou pagamento antecipado sem adoção de medidas cautelares” 

Marcos Vieira (PSDB), deputado estadual 

Contexto: O deputado José Milton Scheffer (PP), quinto a votar e que pediu o arquivamento do caso, defendeu que o pagamento foi feito com base em uma nota fiscal atestada como se os respiradores tivessem sido entregues, e não exatamente de forma antecipada. 

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“O pagamento não foi antecipado. Alguém atestou no processo administrativo as condições de pagamento, que os equipamentos haviam sido entregues. Se ocorreu alguma coisa foram documentos fraudados. Promover o impeachment por presunções ou por palpites ou suposições é por demais pesar a espada sobre a cabeça do governador”. 

José Milton Scheffer (PP), deputado estadual 

“Se os órgãos de investigação não acharam causa provável de crime de responsabilidade, não cabe a mim como julgador e sem nenhuma prova atribuir conduta diversa que a não responsabilização do governador do Estado”. 

Valdir Cobalchini (MDB), deputado estadual 

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“Até aqui, temos uma única certeza. A compra foi feita às pressas. A escolha pela dispensa de licitação, embora justificável, fora no mínimo desprovida de qualquer análise mais aprofundada” 

Fabiano da Luz (PT), deputado estadual 

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