Possível ida de Bolsonaro para o PP “mexe o jogo” em SC, analisa deputado

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A trinca Daniel Freitas, Luciano Hang e Jorginho Mello com os bolsonaristas em SC (Foto: Divulgação)

O presidente Jair Bolsonaro deu um passo importante para voltar a ter um partido visando a eleição presidencial de 2022. Ao escalar o senador Ciro Nogueira (PP-PI) para o núcleo duro do poder, entregando a ele a chefia da Casa Civil, Bolsonaro dá um claro indicativo de retorno ao PP. Ele comentou a respeito em entrevista a uma emissora de rádio do Mato Grosso do Sul na última sexta-feira (23).

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Uma das condições que Bolsonaro coloca para ingressar em um partido é ter controle. – Estou tentando um partido que possa chamar de meu – disse o presidente. A afinidade com Nogueira pode viabilizar isso, mas cria diversos cenários em relação ao posicionamento do PP nos estados.

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Por exemplo, a eleição em Santa Catarina. O senador Jorginho Mello (PL) é um dos catarinenses mais próximos de Bolsonaro, se coloca como pré-candidato a governador e vem em franca campanha, não é de hoje. Em tese, não haveria dificuldades para uma composição. Mas e se os progressistas, que não têm candidato a governador desde 2010, baterem pé e quiserem ter o 11 na cabeça de chapa? – Estou com saudades de votar no 11 para governador – disse outro dia o deputado estadual João Amin, com a autoridade de quem é filho da deputada federal Ângela e do senador e ex-governador Esperidião Amin.

Será um dos muitos palanques que o PP precisará ajustar Brasil afora se receber o presidente Bolsonaro. Amin teceu um elogio a Ciro Nogueira na última sexta que é um sinal. Em entrevista à Rádio CBN Diário, o senador disse: “a ida do Ciro Nogueira para o Ministério da Casa Civil significa a pessoa certa no momento certo”. Em seguida, Amin argumentou que o novo ministro, em um regime de presidencialismo de coalizão, será decisivo para dar estabilidade ao governo Bolsonaro. Trocando em miúdos, será o estrategista no gabinete ao lado para barrar qualquer risco de impeachment.

Os partidos de Bolsonaro:
PDC – 1988 a 1993
PPR – 1993 a 1995
PPB – 1995 a 2003
PTB – 2003 a 2005
PFL – 2005
PP – 2005 a 2016
PSC – 2016 a 2017
PSL – 2018 a 2019

“Não sei se o PP agregaria todos os bolsonaristas”

Estando certa a leitura de Amin, e tudo indica que sim, Ciro Nogueira prestará o serviço que levará Bolsonaro para os braços do PP. Voltando a Santa Catarina, fui buscar opiniões sobre todo esse cenário com o bolsonarista mais votado na eleição à Câmara Federal em 2018: o deputado Daniel Freitas (PSL), de Criciúma, vice-campeão na disputa passada com 142.571 votos.

– Eu vou acompanhar o presidente Bolsonaro, para onde ele for. Se ele for para o PP, para mim, particularmente, será muito confortável. É o partido onde comecei, onde construi minha base e pelo qual me elegi duas vezes vereador – lembra. – Sei da simpatia do presidente pelo PP. Esse movimento com Ciro Nogueira foi incisivo. Mas não sei se o PP em Santa Catarina agregaria todos os bolsonaristas – analisa o parlamentar. Ele cita casos de deputados estaduais que poderão, mesmo alinhados com o presidente, confirmar abrigo em outras legendas. – Os líderes do PP catarinense terão, se a filiação do presidente acontecer, que se alinhar ao PP nacional para que no Estado mais bolsonarista no Brasil não tenha ruídos nessa transição – resume.

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Daniel reconhece que a demora da decisão de filiação por Bolsonaro dificulta a missão dos deputados. – É natural que nossos deputados busquem o mesmo caminho do presidente, e ninguém pode se precipitar indo para um caminho errado – lembra. – Vou buscar conversar com o presidente em breve para ver se ele nos dá uma luz -, emenda.

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Como fica a candidatura de Jorginho Mello

Sobre a disputa ao Governo do Estado, Daniel Freitas alinhou-se desde cedo contra a gestão de Carlos Moisés, embora eleitos pelo mesmo partido. – Não tem qualquer possibilidade de estarmos juntos – garante o deputado. – O senador Jorginho Mello é o nosso candidato, tem o PL, o PSL e PTB estarão juntos. Jorginho tem história, é um fiel escudeiro do presidente, é atuante. Depois do equívoco de 2018, quando elegemos alguém sem experiência, precisamos de um governador experiente – avalia. Para Daniel, os índices de Jorginho são maiores que os apontados pelas pesquisas.

Mas o deputado criciumense tem uma opinião importante sobre o cenário das candidaturas ao Governo do Estado caso se confirme a ida de Bolsonaro para o PP. – Se o presidente for para o PP, isso vai mexer no jogo, quem sabe ao ponto de fazer o senador Jorginho repensar. É que o PP vai querer ter candidato ao governo – pondera Daniel, conhecedor dos progressistas, com os quais esteve filiado até pouco mais de três anos atrás. – Ou então o PP encampa a candidatura do PL com o senador Jorginho ao governo e lança um candidato ao Senado. Já tem o senador Amin, quem sabe mais um senador do PP – cogita.

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Senador dos bolsonaristas: Hang ou Daniel

E Daniel Freitas não esconde que ofereceu seu nome para concorrer a senador. – Sou candidato natural à reeleição para deputado federal mas coloquei meu nome sim à disposição do presidente Bolsonaro para concorrer ao Senado. Mas se o Luciano Hang for candidato, ele tem 100% do meu apoio – afirma, categórico.

Daniel tem feito gestos de aproximação com Luciano Hang. Recentemente, o convidou para um almoço em uma vinícola de propriedade da sua família em São Joaquim. – Tive duas conversas com ele. Nesse dia, na vinícola, fiz o convite para ele ser nosso candidato a senador. Depois fui a Brusque e reforcei o convite. Ele disse que tem resistências da família e por conta dos negócios, mas ele sempre foi ativista pelo Brasil – observa. Hang não foi categórico na intenção de concorrer. – Mas depois dos resultados positivos das últimas pesquisas ele começou alguns movimentos a mais. O presidente Bolsonaro já nos disse que se o Luciano quiser ser candidato a senador, a vaga é dele e não se discute – completa.

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Sobre uma possível candidatura ao Senado, Daniel Freitas se disse surpreso com os 2% alcançados nas pesquisas. – Gostei do resultado – sublinha.

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Com Jorginho governador, ex-prefeito de Imbituba no Senado

Se Jorginho Mello for eleito governador, abrirá vaga por quatro anos no Senado para um de seus suplentes. A primeira é a viúva do ex-governador Luiz Henrique da Silveira, Ivete Appel da Silveira (MDB). Daniel Freitas acredita que ela não assumirá o mandato. – Não acredito que dona Ivete assuma. Nesse caso, acredito que o senador deve ser o Beto Martins – responde. 

Daniel lembra que Beto é ex-prefeito de Imbituba, pertencia ao PSDB e migrou recentemente para o PL. – Acreditamos que ele vá representar toda a agenda do senador Jorginho, de defesa do governo Bolsonaro e das nossas pautas – opina o deputado. Ainda assim, ele aponta que o bolsonarismo terá uma candidatura ao Senado em Santa Catarina.

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Daniel foi cassado pelo PP

Antes de ser eleito deputado federal pelo PSL em 2018, Daniel Freitas foi duas vezes vereador pelo PP em Criciúma. Elegeu-se em 2012 com 2.125 votos e reelegeu-se quatro anos depois com 3.423 votos. 

Daniel teve um atrito com o PP em 2018. Em março daquele ano, migrou para o PSL, e os progressistas pediram a cadeira dele na Câmara. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) deu ganho de causa ao partido, e antes de posta em prática a decisão Daniel renunciou ao mandato. O ex-vereador alegava que havia duas vezes tentado espaço no PP para concorrer a deputado estadual e, sem aval, optou por trocar de legenda. Deu certo.

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O deputado federal tem a política no DNA. Seu bisavô, Diomício Freitas, foi deputado federal e suplente de senador entre os anos 60 e 70, tendo pertencido à UDN, Arena e PDS. Morreu em maio de 1981 após constituir um império: liderou empresas de mineração, cerâmica, comunicação, construção, hotelaria, reflorestamento e agropecuária.

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