A rebelião dos botões: por que os carros estão voltando no tempo?

Concentração de ajustes nas telas multimídia aumentam os riscos de distração e acidentes. Veja o que marcas estão fazendo para reverter isso

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Interior minimalista do Volvo EX30, onde tudo está concentrado na tela (Foto: Divulgação)

Imagine dirigir seu carro e, de repente, precisar ajustar o ar-condicionado. Em vez de um clique rápido em um botão à sua mão, você se vê navegando por telas e submenus, desviando o olhar da estrada por preciosos segundos.

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Parece familiar? Pois é, os carros modernos se tornaram telas ambulantes, e isso está causando uma verdadeira revolução — ou melhor, um retorno às origens.

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Por anos, fabricantes como Tesla, Volvo e chinesas emergentes apostaram alto em painéis minimalistas dominados por telas sensíveis ao toque. A ideia era futurista: tudo à distância de um toque digital. Mas essa obsessão pela multimídia trouxe um efeito colateral inesperado: a distração ao volante.

Quando o digital leva a riscos

Especialistas em segurança veicular, como a Euro Ncap, estão batendo o pé. Em 2026, novas e mais rigorosas regras de teste entrarão em vigor, exigindo que funções essenciais — como desembaçador do para-brisa ou ajustes de temperatura — sejam acessíveis por botões físicos. A razão é simples: reduzir o tempo que seus olhos passam longe da estrada, promovendo uma direção mais segura.

A situação é tão crítica que empresas de assistência emergencial, como a Start Rescue no Reino Unido, estão notando um aumento preocupante de chamadas. Motoristas ficam literalmente “na mão” porque as telas touchscreen de seus veículos travam ou simplesmente param de funcionar, interrompendo viagens de forma abrupta.

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Lee Puffett, diretor-executivo da Start Rescue, diz que o seu centro de suporte está recebendo chamadas de clientes com problemas na tela sensível ao toque.

— Estamos recebendo relatos de telas “congelando” e operações individuais que não respondem, com os clientes acreditando que há um problema muito maior.

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Marcas dão meia volta

A boa notícia é que algumas das maiores montadoras do mundo já estão ouvindo o clamor dos motoristas e das autoridades. Marcas que antes priorizavam o digital estão agora reintroduzindo botões, interruptores e controles giratórios em seus novos modelos.

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É um aceno claro de que a usabilidade e a segurança estão voltando ao centro das atenções.

Stuart Masson, da The Car Expert, portal britânico na cobertura automotiva, confirma: “A boa notícia é que os fabricantes estão respondendo às necessidades dos clientes. Carros novos que avaliamos, de diversas marcas importantes, agora oferecem botões mais bem posicionados, e isso é um resultado direto do feedback dos clientes.”

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Além disso, a personalização de alertas de sistemas de assistência ao motorista – como os volantes que tremem para advertir sobre a saída de faixa sem utilizar a seta – também está se tornando uma realidade, permitindo que o motorista ajuste as configurações para evitar distrações desnecessárias.

O futuro é híbrido

A Start Rescue defende uma abordagem equilibrada: painéis que combinem o melhor das interfaces digitais e físicas. Eles pedem aos fabricantes para focar em painéis híbridos que combinem telas intuitivas com botões físicos indispensáveis.

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Assegurar que funções essenciais de segurança sejam facilmente acessíveis, sem ficarem ocultas em menus complicados. Prover aos motoristas a opção de ajustar seus alertas e configurações de exibição conforme preferência. Melhorar o software para evitar travamentos ou lentidão nas telas.

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Se o touchscreen do seu carro está causando dores de cabeça, a orientação é clara: consulte um profissional especializado. Pode ser mais do que um bloqueio temporário, indicando uma questão de hardware ou dano na tela.

Essa é uma tendência que vale a pena seguir de perto. Será que estamos prestes a presenciar o renascimento dos botões nos carros, trazendo de volta a simplicidade e a segurança que tanto fazem falta?

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Por Lucia Camargo Nunes da @viadigitalmotorsoficial

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