Crônica de domingo: Que seja simples

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Que seja simples (Foto: Felipe Carneiro/Arquivo NSC Total)

Quanto mais evolui a rede social, mais se criam estereótipos de uma vida feliz. É a foto na praia, regadas a drinks e pratos de camarão. Ou as noites em hotéis caros, com alta gastronomia e espumantes. Tudo virou questão de estética, mas muito distante do que realmente é bom, do que realmente faz bem para a alma. A vida de luxo perpetuada pelo Instagram e outros ambientes virtuais tem seu lado bom, evidentemente, mas em nada supera a singeleza das coisas.

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Preço nenhum compra o fato de se reencontrar com amigos depois de meses ou anos, aqueles amigos de verdade em que você nem faz cerimônia ao revê-los, não há timidez e nem formalidades. A ligação é tanta que parece que você terminou a conversa minutos antes, se despediu e depois voltou a ver a pessoa em seguida. Nisso tudo pouco importa se o reencontro acontece no lugar mais chique do mundo ou com todos sentados à calçada com um copo de cerveja na mão. Ou por que não com os pés na areia sem qualquer preparação e um pôr-do-sol ao fundo?

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O que interessa é o sentimento que tem ali. O sorriso sai fácil, a cumplicidade está no olhar e não há qualquer tipo de julgamento, muito menos aqueles comentários dignos de redes sociais. O singelo não faz cobranças, ele é tão barato que surge espontaneamente. Aliás, essa é a melhor parte das coisas simples, porque tudo acontece sem qualquer previsão. Fico com a sensação de que o que é montado já vem com uma expectativa carregada e uma experiência antecipada. Quando é espontâneo a vida vai rolando levemente.

Seria muito fácil viver se a simplicidade fosse um preceito básico já que o importante são as sensações e os aprendizados. Pouco importa se estávamos vestidos de terno, gravata ou sapato social. Pouco importa se comemos lagosta ou tomamos gin com tônica. O que fica guardado é a experiência, algo que passa não só pelo consumo, mas principalmente pelo nosso comportamento, pelos que sentimos quando estamos ali.

Por momentos assim é que conto os dias para reencontrar os amigos que citei ali em cima. Eles me fazem enxergar que mesmo nas mudanças da vida e acima de qualquer distância sempre haverá um ambiente sem firulas para me receber. Quando todos estamos por perto, fica de lado quem nos tornamos pelas nossas profissões ou as formas que a vida nos trouxe. A melhor parte é justamente a base daquilo que éramos quando nos conhecemos, há quase 30 anos: a simplicidade.

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