Sabemos que hoje muitas crianças tem alguma dificuldades ou seletividades alimentares não é mesmo? E pensando nisso convidei a doutora Ana Paula Kappel que faz parte do time de Nutricionistas da minha clínica, é Nutricionista Infantil e Terapeuta Alimentar Especialista em Seletividade e Dificuldade alimentar e Nutrição no Autismo para falar sobre esse assunto que merece destaque.

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As dificuldades alimentares são eminentemente prevalentes na infância. Estudos demonstram que cerca de 30% das crianças típicas apresentam problemas com a alimentação, e estima-se que esse problema afeta 67% a 89% das crianças com transtorno do espectro autista (TEA).

A seletividade alimentar é comum na fase pré-escolar, principalmente entre 2 e 3 anos, período que a criança busca por autonomia e começa a escolher e selecionar os alimentos. Porém, quando a família relata haver um problema, precisa ser investigado.

Comer é um comportamento aprendido e bastante complexo, envolvendo diversos fatores: orgânicos, comportamentais de dinâmica familiar, habilidades motoras orais e sensoriais, mas, quando pais, cuidadores, ou até mesmo profissionais não conduzem da forma correta, o problema pode acentuar-se e permanecer até a vida adulta.

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No autismo essa dificuldade na alimentação é ainda mais comum, principalmente devido ao comportamento rígido e repetitivo, assim como desordens gastrointestinais e disfunções sensoriais comumente presentes em crianças com desenvolvimento atípico, sendo fundamental a aplicação de técnicas planejadas e direcionadas ao tratamento da dificuldade alimentar por um profissional especializado. O nutricionista Terapeuta Alimentar tem um papel fundamental nesse processo de mudança de comportamento alimentar e na relação dos pequenos com os alimentos.

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O que é Terapia Alimentar

É uma metodologia de trabalho muito recente no Brasil e no mundo da Nutrição. Até pouco tempo não se falava em tratamento responsivo para dificuldades

alimentares, porém é muito utilizada nos Estados Unidos por profissionais com mais de 40 anos de experiência na área.

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A Terapia Alimentar usa comida como principal ferramenta. É uma abordagem baseada na confiança e no relacionamento com a criança. Visa ressignificar a alimentação e aproximar a criança dos alimentos. São técnicas que geram habilidades com a comida, oferecem estímulos sensoriais que trazem conforto para a criança ter interesse pela comida, aceitar novos alimentos e comer com prazer.

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Qual criança deve fazer Terapia Alimentar?

Existem alguns sinais que devemos nos atentar, são eles: criança com menos de 20 alimentos no seu repertório alimentar, criança com baixo peso, que exclui um grupo alimentar inteiro, como, por exemplo, exclui todos os vegetais ou carnes, com atraso na evolução da consistência do alimento (só come liquidificado ou amassado), ou que apresenta padrão mastigatório limitado, crianças com aversão ou recusa aos alimentos, comportamento alterado no momento da refeição, refeições prolongadas, falta de autonomia na hora de comer.

Outros sinais importantes que envolvem fatores comportamentais e ambientais: alimento que não pode tocar um no outro, criança com alteração de comportamento se o alimento não é oferecido como esperado, mesma forma de apresentação, mesma embalagem ou marca, mesmo prato ou copo, mesmo local.

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A investigação da seletividade alimentar é extremamente criteriosa e transdisciplinar — envolvendo Nutricionista, Terapeuta Ocupacional, Médico, Psicólogo, Fonoaudiólogo, entre outros. Procure um profissional especializado para avaliação. Quanto mais cedo a familiar buscar ajuda, mais cedo a reversão do quadro de recusa alimentar.

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Então, convido você e seus filhos para entrarem nessa viagem pelo mundo da nutrição e conhecer mais sobre a Terapia Alimentar Infantil.

O Nutricionista Terapeuta Alimentar acredita que a nutrição feita para crianças deve ser diferente da convencional. Ela deve ser pensada especialmente para esse público tão encantador e tão desafiador. Uma nutrição que conversa com a criança, fala a língua dela! Vamos?

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