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Opinião

A arte que nos redime

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César
Por César Seabra
19/02/2022 - 06h00
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César Seabra: "Neste mundo brutal e distópico, o humanismo e a beleza da arte podem nos redimir e nos salvar" (Foto: Freepik)

A série “Estação Onze” mostra um cenário pós-apocalíptico. Depois de uma devastadora pandemia, conhecida como a “Gripe da Geórgia”, pouca gente sobra para contar a história. Um grupo se une, cria a Sinfonia Itinerante e sai levando a riqueza de Shakespeare aos miseráveis lugares onde há alguma vida. Cabe o esclarecimento: “Estação Onze” é baseado no livro homônimo da canadense Emily St. John Mandel e foi publicado em 2014 – seis anos antes de a Covid-19 aparecer.

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Então viajamos ao Brasil de 2022, este país caótico, empobrecido, dilacerado, rachado, desgovernado e completamente distópico. No meio de tanta desesperança e dor, encontramos Marisa Monte. E temos “Portas”, o novo show dessa carioca de 54 anos. São 32 músicas em duas horas. Cenário, banda, repertório, iluminação, figurino, uma artista na plenitude, duas horas de encantamento. Duas horas que nos oferecem a mais legítima leveza e levam a pensar: caramba, esse país tem jeito.

> A felicidade nas leituras

Este mesmo Brasil sinto bater no coração desgastado quando escuto “Recital na Boite Barroco”, de Maria Bethânia, lançado em 1968. Que país estranho era aquele, num ano que não terminou, como escreveu Zuenir Ventura. Tomei emprestado esse disco de minha mãe, não devolvi até hoje. Quinze músicas em 39 minutos, gravadas ao vivo numa boate de Copacabana. Tem Noel Rosa, Gil, Caetano, Tom e Vinícius, Pixinguinha, Dorival Caymmi, Billy Blanco, Assis Valente. Desde a inocência de moleque esse disco me fez acreditar num Brasil justo, bonito, rico de sonhos e oportunidades.

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O filósofo alemão Arthur Schopenhauer disse: “A arte é uma flor nascida no caminho da nossa vida e que se desenvolve para suavizá-la”. Neste mundo brutal e distópico, o humanismo e a beleza da arte podem nos redimir e nos salvar.

Pra refletir:

Livrar um pouco o passado de sua repetição, eis a estranha tarefa. Livrar-nos a nós mesmos – não da existência do passado – mas do seu vínculo, eis a estranha e pobre tarefa. Desatar um pouco o vínculo do que é passado, do que passou, do que se passa, essa é a simples tarefa.

Pascal Quignard, escritor francês

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César Seabra

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As percepções sobre Santa Catarina, o Brasil e o mundo a partir do olhar do diretor de jornalismo da NSC Comunicação, César Seabra.

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