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Literatura

A felicidade nas leituras

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Por César Seabra
23/10/2021 - 06h05
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César Seabra: "Corri o mundo nas diferentes épocas com os livros" (Foto: Freepik)

No seu pequeno livro “Notas sobre o Luto”, a escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie revela as dores e a saudade que sente do pai. Ela nos deixa um pequeno ensinamento que ele passou à família: “Aprender não tem fim”. Certeiro.

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No caso de um adolescente meio feio e muito tímido, que gostava de curtir as férias inteiras na casa de praia de Araruama (região dos Lagos do Rio de Janeiro), as leituras foram sempre a melhor companhia. Sem talento nos campos de futebol (sonhava ser uma espécie de Hugo de León), sem o magnetismo e o carisma exigidos para o jogo da conquista e sedução, me agarrava aos livros. Um mergulho ao acordar, o almoço farto da Dona Leila, a leitura incansável começando à tarde e invadindo a noite. Este era o dolce far niente de um rapaz na descoberta das incertezas, belezas e ambiguidades da vida.

Recentemente, o escritor argentino Pablo Katchadjian disse: “Se eu fosse ministro da educação, criaria uma cadeira nas escolas chamada Ambiguidade, para que todas as crianças aprendessem que em tudo na vida há pontos de vista opostos”. Certeiro, de novo.

Corri o mundo nas diferentes épocas com os livros. Conheci personagens apaixonantes e abomináveis – uns tenho vontade de abraçar e tomar uma taça de vinho, de outros sinto medo até hoje. Meus exemplares são todos rabiscados, tomados por anotações. Estes, não empresto de jeito nenhum.

Emprestá-los é permitir que as pessoas possam desvendar meu mundo secreto, com tudo de bom e ruim escondido nele. Penso sempre de onde vem a inspiração para textos tão brilhantes: a primeira frase, o título, uma imagem, a infância, a loucura, o amor correspondido ou fracassado, a violência, a raiva, as injustiças cotidianas, o nascimento, a morte. “A imaginação é mais importante do que o conhecimento”, disse Einstein.

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Até hoje trago a mania de, após ler a última frase da última página, fechar os olhos por alguns minutos. É uma espécie de despedida, em que penso no prazer, na alegria e no conhecimento oferecidos por mais um livro. “A felicidade é quase sempre uma irresponsabilidade. Somos felizes durante os breves instantes em que fechamos os olhos”, escreveu o angolano José Eduardo Agualusa.

A cada palavra que leio me convenço de uma coisa: nada seria sem os livros, os jornais, as revistas, as enciclopédias, os gibis, os panfletos, os dicionários. Para aprender, basta ter o espírito, a mente e o coração abertos, basta manter o estranhamento, a curiosidade e o entusiasmo acesos. Para entender, primeiro tem que não entender. Simples assim.

Para refletir:

Do nosso grande Mário Quintana:

Minha vida não foi um romance. Nunca tive até hoje um segredo. Se me amas, não digas, que morro De surpresa, De encanto, De medo...

Do poeta francês Charles Baudelaire:

Mas os verdadeiros viajantes são só aqueles que partem por partir; corações leves, semelhantes a balões, jamais se separam de seu destino. E, sem saber por quê, dizem sempre: Vamos!

Do escritor americano Paul Auster:

O mundo está em minha cabeça. Meu corpo está no mundo.

Do escritor francês Le Clézio:

Mais importante do que ensinar às crianças a história das guerras e das conquistas é ensinar como foi a descoberta da agricultura, das técnicas e das leis sociais universais.

De Rita Lee, em entrevista em 1978:

Do jeito que tudo anda, brevemente teremos que sair deste planeta. É uma pena, este planeta é demais. Era um paraíso, mas os anjos se rebelaram e começou esta brigalhada toda.

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As percepções sobre Santa Catarina, o Brasil e o mundo a partir do olhar do diretor de jornalismo da NSC Comunicação, César Seabra.

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