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Convocação de Moisés e Daniela é desvio de foco na CPI da Covid

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Por Dagmara Spautz
30/05/2021 - 09h13
Carlos Moisés e Daniela Reinehr foram convocados pela CPI da Covid
Carlos Moisés e Daniela Reinehr foram convocados pela CPI da Covid (Foto: Julio Cavalheiro, Secom)

O escândalo dos respiradores é uma ferida aberta em Santa Catarina. Mais de um ano depois de o Estado ter investido R$ 33 milhões em uma fraude, ninguém foi responsabilizado até agora e boa parte do dinheiro não voltou aos cofres públicos. É urgente que as digitais dessa compra sejam expostas e seus donos, punidos.

Ação de governadores para não depor na CPI da Covid já está no STF

No entanto, resta a dúvida sobre como os depoimentos do governador Carlos Moisés (PSL) e da vice-governador Daniela Reinehr (sem partido), na CPI da Covid, ajudarão a esclarecer esses fatos.

Santa Catarina foi o único, de nove estados, a ter duas autoridades convocadas para falar na nova fase da investigação, que vai apurar desvios de recursos federais durante a pandemia. Uma apuração importante – tanto que já é tema de investigações da polícia, do Ministério Público e até de CPI nos respectivos estados. Em Santa Catarina também.

“Manobra política”, diz governo sobre convocação de Moisés pela CPI da Covid

O governo apontou “manobra política” na convocação de Moisés. O depoimento à CPI, requisitado inicialmente pelo senador Jorginho Mello (PL) - pré-candidatíssimo à cadeira de governador - e formalizado pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), deve colocar Santa Catarina em uma prévia de embate eleitoral para 2022.

CPI da Pandemia: "Não é Bolsonaro o culpado pelo vírus", diz Jorginho Mello

Expor os flancos dos adversários faz parte da política. Só que o debate eleitoral antecipado ocorre em contexto nebuloso. Os depoimentos dos governadores, listados como suspeitos de boicotar o combate à pandemia com corrupção, têm como objetivo servir de cortina-de-fumaça para o foco principal da CPI: a exposição dos erros do governo Bolsonaro na condução da maior crise sanitária que o país já enfrentou.

Se os escândalos de corrupção nos estados estão na mira dos órgãos de controle, isso não acontece com a condução da pandemia pelo Palácio do Planalto. O governo federal interdita o trabalho da imprensa e não presta contas à sociedade. Se vale da blindagem da Procuradoria Geral da República (PGR), que deveria fiscalizar as ações do presidente, e conta com a conivência do Centrão do Congresso Nacional.

Jorginho Mello falta na CPI da Covid para recepcionar ministro em SC

Nesse contexto, a CPI é o ambiente possível para que os brasileiros descubram, por exemplo, por que o governo demorou a negociar vacinas, por que sabotou as medidas mais básicas de prevenção, por que chegamos a mais de 450 mil mortos.

Às vésperas de uma já anunciada terceira onda, trocar o foco de Bolsonaro pelos governadores parece perda de tempo.

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