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CPI da Covid chega à reta final com risco de escorregar em casca de banana

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Por Dagmara Spautz
29/09/2021 - 05h00 - Atualizada em: 29/09/2021 - 09h59
Senadores Raldolfe Rodrigues, autor do requerimento que propôs a CPI, o relator Renan Calheiros e o presidente Omar Aziz
Senadores Raldolfe Rodrigues, autor do requerimento que propôs a CPI, o relator Renan Calheiros e o presidente Omar Aziz (Foto: Edilson Rodrigues, Agência Senado)

Depois de cinco meses de investigação, a CPI da Covid se encaminha para a reta final. A investigação conduzida pela Comissão no Senado chafurdou os equívocos do governo federal na condução da pandemia, escancarou negligências, apontou fortes suspeitas de corrupção na negociação de vacinas e chegou a indícios de um pacto macabro envolvendo uma operadora privada de saúde para incentivar o uso de remédios ineficazes e “salvar” a economia em parceria com o governo federal.

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O conjunto da obra será apresentado em um relatório final que já tem seis mil páginas e uma lista de indiciados e crimes. Há pontos de divergência entre o G7 – o grupo de senadores de oposição que é maioria na CPI da Covid – como a atribuição de charlatanismo e genocídio ao presidente Jair Bolsonaro. Isso deve demandar alguns ajustes nas próximas semanas. Mas a tendência, e isso os senadores do G7 têm repetido, é que será um relatório forte e contundente, que sugerirá a sequência das investigações em outras searas.

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Não será simples nem fácil responsabilizar o governo Bolsonaro, como pretendem os senadores do G7. Mas é preciso reconhecer que a Comissão cumpriu um papel importante ao longo dos últimos meses, que foi resgatar o Brasil do cercadinho. Desde 2019, o presidente Jair Bolsonaro vinha ditando o debate público com o que fala e o que cala, já que dificultou o acesso a dados públicos. A CPI conseguiu expor um governo que esconde seus flancos sob cortinas de fumaça, e isso significa muito. Mas a soberba é um pecado que namora a política, e uma parte dos membros da Comissão parece ter se deixado levar por ela.

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A CPI ouve nesta quarta-feira o empresário bolsonarista Luciano Hang, bilionário que se descobriu influencer e aprendeu a usar o marketing pessoal como poucos. Sua convocação dividiu opiniões mesmo entre o G7 porque, a rigor, a presença do empresário seria dispensável às investigações. Os senadores pretendem questioná-lo sobre publicação de informações a respeito da pandemia e incentivo ao tratamento precoce. Possivelmente, trarão à tona a campanha de arrecadação e entrega de medicamentos que integravam o "kit Covid" em Brusque que foi capitaneada por Hang, como publicou o jornal O Município em fevereiro deste ano.  

No afã de expor um aliado de primeira hora do presidente, os senadores podem ter oferecido o palco para alguém que sabe usá-lo em benefício próprio, e também do governo. A esta altura da CPI, em seu inconfundível terno amarelo, Hang é a casca de banana em que a CPI corre um sério risco de escorregar.

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