O projeto de um novo complexo turístico em Balneário Camboriú, com hotel e residencial, vai incorporar um dos símbolos da cidade – o prédio redondo do Hotel Marambaia, ícone da arquitetura modernista dos anos 1960. Mas esta não é a primeira vez que a construção civil agrega um patrimônio municipal aos novos – e valorizados – arranha-céus. Um sintoma da falta de espaço na cidade que tem o metro quadrado mais caro do Brasil.

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A solução não é nova. É utilizada, por exemplo, em diversas grandes cidades na Europa, em construções modernas que preservam a fachada dos prédios antigos.

O exemplo mais curioso de Balneário Camboriú é o da Capela da Paz, uma antiga igreja luterana, tombada como patrimônio histórico, que foi incorporada por um prédio de luxo na Rua 2.300. O edifício foi construído ao redor da igrejinha, que permanece aberta à visitação pública em alguns horários do dia, e pode ser alugada para casamentos.

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A história da capela remonta à década de 1950, construída pela comunidade luterana que passava os verões em Balneário. O numero de frequentadores aumentou, uma nova igreja foi construída em outro endereço, no Bairro das Nações, e a antiga igrejinha passou a servir como sala de reuniões para a Ordem Auxiliadora de Senhoras da Igreja Evangélica de Confissão Luterana, dona do terreno da igreja e de outras duas construções no entorno, que eram usadas em retiros espirituais.

Em 2008, já tombada como patrimônio histórico do município, a igreja passou a ser um problema para a associação, que não tinha recursos para a manutenção. Foi quando a entidade ofereceu a área à construtora Ciaplan, que resolveu o impasse legal colocando a igreja “dentro” do projeto.

Conheça a capela:

No caso do Hotel Marambaia, o projeto, revelado em primeira mão pela coluna em fevereiro do ano passado, prevê a manutenção do simbólico prédio redondo, de frente para a Avenida Atlântica. A hotelaria é o setor que mais foi impactado pelo crescimento do mercado imobiliário em Balneário. Conforme a demanda por terrenos aumentou, muitos hotéis acabaram sendo vendidos e demolidos para dar lugar a novos residenciais.

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Construído em um momento histórico conturbado, em 1964 – ano da emancipação política de Balneário Camboriú – o Marambaia foi o primeiro hotel redondo do Brasil. Estruturas semelhantes foram construídas, na mesma época, no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Belo Horizonte. O projeto original é do arquiteto gaúcho Roberto Veronese.

A proposta do novo complexo prevê que o icônico prédio redondo seja restaurado e reformado. Terá uma praça, jardim, e restaurante aberto ao público, além de um museu sobre Balneário Camboriú e uma área para exposições e eventos. O edifício circular será “hall de entrada” para o complexo de edifícios, que prevê a construção de um hotel de luxo com 252 quartos e área residencial com 146 apartamentos, também de alto padrão.

Projeto do Hotel Marambaia:

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