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Em segundo leilão, ninguém arrematou a Cooperminas, no Sul de SC

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Por Denis Luciano
23/08/2021 - 15h57 - Atualizada em: 23/08/2021 - 15h59
Paralisada em 2017, Cooperminas ainda tem grande capacidade de produção
Paralisada em 2017, Cooperminas ainda tem grande capacidade de produção (Foto: Miriam Zomer / Agência AL / Arquivo)

Mais um fato negativo para o setor carbonífero de Criciúma e região. Não bastasse a dúvida em relação ao futuro da atividade, com a indefinição sobre a continuidade ou não das operações do Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, e ainda a notícia da falência da Carbonífera Criciúma, agora um resultado não esperado para o leilão da Cooperminas, realizado em segunda tentativa de arremate na tarde desta segunda-feira (23). Não houve interessados na aquisição da empresa e da sua área para extração de carvão.

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A Cooperminas é uma cooperativa de trabalhadores da mineração que assumiram, na segunda metade dos anos 80, a área de lavra que restou em Forquilhinha após a falência da Companhia Brasileira de Carvão Araranguá (CBCA). O grupo usufruiu de bons resultados entre os anos 90 e 2000 entrando em crise nos últimos anos e paralisando as atividades em 2017.

Com cerca de R$ 350 milhões em dívidas, sendo mais de R$ 50 milhões em créditos trabalhistas, a Cooperminas foi alvo de processos via tribunais de Justiça (TJ-SC) e do Trabalho (TRT) que resultaram na decisão por um leilão para que, com os créditos obtidos pela venda do patrimônio, fosse possível, inicialmente, contemplar os trabalhadores que ficaram desempregados e sem suas indenizações. Daí veio a notícia ruim. No segundo leilão, nesta segunda, ninguém apresentou proposta na marge de valores estipulada.

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O lote dava direito à exploração de uma reserva de 10 milhões de toneladas de carvão, e estava cotado em um valor mínimo de R$ 26,8 milhões e máximo de R$ 52,6 milhões. - No primeiro leilão, no dia 13, até houve proposta, mas muito abaixo desse valor mínimo. No segundo leilão, não apareceram interessados - detalha o presidente do Sindicato dos Mineiros de Criciúma e região, Djonatan Elias. A única proposta apresentada no primeiro leilão foi da Carbonífera Santa Bárbara, de Forquilhinha. - Agora ficamos em uma incerteza muito grande - aponta.

TJ e TRT devem reassumir o processo e orientar pelos próximos passos. O temor dos trabalhadores é que a reserva da Cooperminas seja colocada em novo leilão por um valor inferior, o que não cobrirá todos os créditos trabalhistas. São cerca de 350 trabalhadores que moveram ações contra a cooperativa. - A Cooperminas está entre as 150 maiores devedoras da Previdência Social - observa o presidente do sindicato, que também é parte interessada no processo movido. Somente ele tem uma ação de R$ 490 mil contra a Cooperminas.

Trabalhadores no tempo em que a Mina João Sônego, em Forquilhinha, estava ativa
Trabalhadores no tempo em que a Mina João Sônego, em Forquilhinha, estava ativa
(Foto: )

Havia esperanças de bom resultado

A expectativa para o leilão era positiva. - Duas empresas de fora vieram à região conhecer a Cooperminas, sondar as possibilidades, havia interessados aqui de Criciúma também. Imaginamos que essas empresas estejam esperando um novo leilão, por valor inferior - cogita Djonatan. Além dos cerca de 350 trabalhadores que estão na expectativa pelos recursos, há os fornecedores e cooperados, que formam as outras parcelas significativas do passivo, além dos muitos impostos atrasados. - Os cooperados, em torno de 170, não receberão nada, pois eles eram donos da cooperativa. São trabalhadores como nós, que muitas vezes exerciam as mesmas funções que nós, e não terão direito a nada - lamenta o sindicalista.

Atualmente, a Cooperminas tem somente uma operação em andamento. - É o bombeamento de água da mina aberta, para que não ocorra alagamento, o que inviabilizaria de vez o uso da mina. Mas há equipamentos lá, e o próprio carvão a minerar, isso forma o patrimônio que foi posto em leilão - relata Djonatan. 

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O presidente do sindicato relata que o carvão das reservas da Cooperminas é de excelente qualidade. - Ele é carvão metalúrgico, que era vendido diretamente para muitas empresas grandes de Santa Catarina para queima de fornos, e é um carvão de tanta qualidade que nem precisa de misturas, era extraído e logo vendido - relata.

Um dos equipamentos da Cooperminas que fez parte do leilão
Um dos equipamentos da Cooperminas que fez parte do leilão
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A Cooperminas chegou a cogitar, em 2019, a retomada das operações. Porém, como é cooperativa, não pode ingressar com processo de recuperação judicial, o que tornou mais difícil a tentativa de retomada das atividades.

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Jornalista com longa experiência no rádio e no digital, Denis Luciano aborda os principais assuntos do Sul catarinense, uma das regiões mais relevantes no Estado.

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