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Covid-19

Mesmo com vacinação, pneumologista de Criciúma crê em "Papai Noel de máscara"

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Por Denis Luciano
10/06/2021 - 16h24 - Atualizada em: 10/06/2021 - 18h44
Pneumologista aponta para necessidade de uso de máscara por mais tempo
Pneumologista aponta para necessidade de uso de máscara por mais tempo (Foto: Divulgação)

O governo do Estado lançou nesta semana um calendário que prevê a vacinação de todos os catarinenses de até 18 anos contra a Covid-19, com ao menos a primeira dose. A meta é alcançar essa faixa até o dia 23 de outubro. 

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- Imagino, numa visão cautelosa, que mesmo assim ainda vamos ter que usar máscara por bastante tempo. Penso que o Natal, por exemplo, ainda será de máscara. O Papai Noel ainda estará de máscara em 2021 - aponta o pneumologista Renato Matos, que tem sido, desde o início da pandemia de Covid-19, uma das vozes de referência em relação à Covid-19 no sul de Santa Catarina. 

Atenção aos mais jovens

Um temor do especialista, com base em estudos que estão sendo realizados nos Estados Unidos, relaciona-se a uma preocupação com os mais jovens no futuro, quando a população adulta estiver maciçamente imunizada. - A maior parte dos assintomáticos está entre os jovens, mas o problema é que eles podem se tornar vetores, trazendo o vírus para casa. O ideal é que todos sejam vacinados, temos que começar a pensar em vacinar os jovens também - observa.

É necessário pensar na vacinação de jovens, aponta pneumologista
É necessário pensar na vacinação de jovens, aponta pneumologista
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Nos Estados Unidos, onde 56% da população está imunizada e existe uma meta de alcançar 70% em julho, estudos apontam para essa situação do risco entre os jovens. - Até os americanos, que estão muito à frente na vacinação, fizeram uma avaliação com 800 epidemiologistas, os pais estão vacinados mas as crianças e os adolescentes não, então eles terão que usar máscara por mais tempo - assinala Matos.

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Vacinas aos 56 anos

Criciúma começou, nesta quinta-feira (10), a vacinar o público de 56 anos. Na véspera, foi a vez da faixa etária dos 57 anos, na qual se enquadra o prefeito Clésio Salvaro (PSDB), que foi buscar a sua imunização na Unidade Básica de Saúde da Vila Zuleima (UBS), perto do bairro onde reside.

Prefeito de Criciúma foi vacinado nesta quarta-feira
Prefeito de Criciúma foi vacinado nesta quarta-feira
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- Eu tomei a vacina, esperei o meu tempo, dos 57 anos. Quero aproveitar e pedir que as pessoas não acreditem em discussões políticas, acreditem na ciência. A vacina é boa para você e para o próximo - diz Salvaro. - Tome a vacina, por favor, vai salvar vidas. Quando chegar a sua vez, não perca a oportunidade - convoca.

Pelo dado mais recente, Criciúma já aplicou 59.804 primeiras doses das vacinas contra a Covid-19 e 21.288 segundas doses, alcançando cerca de 10% da população. A cidade já registrou 530 mortes de contaminados pelo coronavírus. 

A flexibilização das máscaras

Renato Matos considera arriscado flexibilizar o uso de máscaras mesmo com avanço da vacinação em Santa Catarina e no Brasil até o fim do ano. - A vacina é um tratamento populacional, mas não há garantia plena. A vacina, hoje, promete que em vez de ter um quadro para hospitalizar, o sujeito terá uma gripe e não precisa internar. A promessa é que a maioria dos contaminados terá um quadro leve, mas existe um percentual de vacinados que terão quadro leve de Covid - observa.

- Os americanos liberaram o uso de máscara em muitas ocasiões e há quem ache muito risco. A nossa vantagem é que temos exemplos a seguir, vimos como foi na Itália, Alemanha, Portugal, Espanha e nos Estados Unidos. Mas temo que não estejamos aprendendo com os exemplos - avalia o pneumologista. 

Ele lembra que esses efeitos positivos da vacinação já estão sendo percebidos. - Hoje já vemos muito mais casos leves de Covid entre as pessoas de mais idade. Está se internando muito menos nessa faixa, que foi vacinada primeiro, e também há menos óbitos, por conta do efeito da vacina - salienta Matos. 

Especialista aponta preocupação com relação entre vacinação e uso de máscaras
Especialista aponta preocupação com relação entre vacinação e uso de máscaras
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A aposta nas novas vacinas

Há muitas novas vacinas por surgir contra a Covid-19. Esse é um fator que faz aumentar a confiança dos especialistas. - São 92 vacinas testadas em ensaios clínicos, e 30 delas já estão no último passo de comprovação de eficácia - relata Renato Matos. - E tem 77 vacinas em testes em animais - emenda.

Uma das vacinas promissoras para o futuro, segundo Matos, é a Medicago, do Canadá. - A fase 3 dessa nova vacina vai testar 30 mil voluntários no Canadá, Estados Unidos, América Latina, Reino Unido e Europa - informa. No Brasil, serão 3,5 mil voluntários que testarão o imunizante. - Essa vacina canadense apanha um vetor bacteriano, joga em uma folha de tabaco, a folha se infecta com facilidade. Daí é feito um jogo de pressão e a folha desenvolve partículas virais. Se funcionar, será de desenvolvimento barato e fantástica - analisa o pneumologista de Criciúma.

A preocupação com as variantes

Renato Matos lembra que as vacinas que estão sendo utilizadas no mercado brasileiro - Pfizer, Coronavac e Astrazeneca - seguem resistentes às variantes. - Essa é uma grande preocupação, que daqui a pouco surja um vírus que escape das vacinas. Mas isso não pode ser descartado - adverte Matos. - Por isso é importante vacinar o mundo inteiro, vacinar ricos e não vacinar pobres, não adianta. Por isso que países ricos estão doando vacinas para países pobres - constata.

O pneumologista levanta, ainda, uma preocupação sobre classes sociais no contexto da pandemia em um país continental como o Brasil. - Existem discussões no seguinte sentido: quem morre mais em uma determinada faixa etária? Muitas vezes são os pobres e desassistidos. Eles não deveriam ter preferência na vacinação? - questiona. - Não sei se essa discussão vai ser ampliada, mas ela tem sido frequente entre os epidemiologistas. Quem tem mais acesso a médico? Quem tem melhores condições financeiras - pontua.

Conforme Renato Matos, é preciso uma atenção às questões sociais na hora de vacinar
Conforme Renato Matos, é preciso uma atenção às questões sociais na hora de vacinar
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Mais máscaras, menos viroses

O pneumologista relata, ainda, a percepção de que tem havido uma redução drástica nos quadros virais respiratórios que não sejam Covid. - Dos casos de síndrome respiratória aguda, menos de 1% atualmente é Influenza, mais de 99% é Covid. E isso se dá por conta do uso da máscara, a frequência de infecções respiratórias diminuiu muito, tirando a Covid. De máscara, quem tem asma não pega viroses - exemplifica. - É mais uma prova de que a máscara funciona muito bem - finaliza.

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Jornalista com longa experiência no rádio e no digital, Denis Luciano aborda os principais assuntos do Sul catarinense, uma das regiões mais relevantes no Estado.

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