Entre 2017 e 2022, o custo do transporte da indústria catarinense cresceu 75%, passou de R$ 0,04 por real faturado para R$ 0,07. Foi isso que apurou estudo Fiesc/UFSC divulgado nesta terça-feira pela Federação das Indústrias de SC (Fiesc). Apesar disso, as empresas conseguiram reduzir custos de logística com gestão eficiente. Contudo, enfrentam rodovias cada vez mais paradas nas horas de transportar os produtos pelo Estado.  

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Segundo o estudo da UFSC, liderado pelo professor de engenharia de produção Carlos Taboada, coordenador do Laboratório de Desempenho Logístico da instituição, graças a melhor gestão de estoques, as empresas conseguiram reduzir o custo de produção.  O custo logístico global da indústria por real faturado recuou de R$ 0,14 para R$ 0,11.  

Conforme a Fiesc, o gerenciamento de estoques permitiu redução global de custos de 75%. Passou de R$ 0,08 em 2017 para R$ 0,02% em 2022. O custo da armazenagem dobrou. De R$ 0,01 subiu para R$ 0,02 em 2022.

Dea cordo com estimativa da pesquisa, a redução de 1 centavo no custo logístico de SC garantiria uma economia de R$ 4 bilhões por ano ao Estado. Essa comparação é em relação ao PIB do Estado, que foi estimado em R$ 400 bilhões em 2021.

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Para a Fiesc, o custo logístico é um valor alto e impactado pelas perdas de um sistema viário engarrafado, tendo a sua rodovia principal e única duplicada, a BR-101, totalmente saturada. Essa realidade requer soluções e investimentos urgentes para melhorar o tráfego, informa o presidente da Fiesc, Mario Cezar de Aguiar. Como o setor público não tem recursos, soluções podem vir de concessões ao setor privado.

– Sabemos da restrição fiscal que passam, tanto a União quanto o Estado de Santa Catarina. Certamente, a participação da iniciativa privada é sempre bem-vinda. A Federação das Indústrias sempre defendeu a concessão porque entendemos que o maior impacto não é o pedágio, mas uma rodovia que não tem condições de dar competitividade para a nossa economia – alertou Aguiar.

O empresário chama a atenção para as rodovias, que são o principal modal de transporte de Santa Catarina, mas não têm tido investimento suficiente para melhorar a trafegabilidade, impactando fortemente no desempenho econômico do Estado. O custo de transporte representa 63,6% do total do custo logístico em SC.

Nessa terceira edição do estudo Fiesc/UFSC, foram analisados dados de 13 setores econômicos da indústria de SC. Enquanto a indústria vem fazendo o dever de casa, melhorando a gestão de estoques, as rodovias enfrentam precariedade crescente. Conforme o estudo, o transporte rodoviário representa 69% da matriz de transporte de Santa Catarina.

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Em análise apresentada pelo gerente de Assuntos de Transporte, Logística, Meio Ambiente e Sustentabilidade da Fiesc, Egidio Martorano, os trechos de rodovias mais obstruídos em Santa Catarina são os mais utilizados pela logística rodoviária de cargas. Os trechos com maior lotação de veículos estão na BR-101, BR-470, BR-282 e outras nas regiões de Joinville e Chapecó.

Para buscar reverter esse cenário, a Fiesc vai solicitar apoio à bancada catarinense para que sejam destinados mais recursos a rodovias no Estado.

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