Após o governo federal publicar a MP número 1.175 para dar descontos na compra de veículos, a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) divulgou nota favorável. Seguiu a Anfavea, que reúne os fabricantes, apoiou a iniciativa e previu vendas de até 300 mil unidades a mais com a medida. Mas é uma solução temporária porque os obstáculos do setor, como juro alto e competitividade continuam.

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Serão incluídos automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões. Os descontos para automóveis serão de R$ 2 mil a R$ 8 mil. Para caminhões, poderão chegar a R$ 60 mil e para ônibus, poder ser de até cerca de R$ 100 mil. O desconto ficará em vigor por quatro meses ou até quando durar o total de incentivo liberado pelo governo, que é R$ 1,5 bilhão.

Em nota, a Fenabrave disse que a medida traz soluções inteligentes para que o consumidor possa comprar o primeiro carro ou trocar o usado. Abrange pontos importantes para o setor que são os parâmetros sociais, ambientais e de densidade industrial, para conceder os descontos.

Um dos grandes desafios que continuam é o juro alto. Para conter a inflação, o Banco Central elevou a taxa Selic em até 13,75% ao ano. Vai começar a reduzir agora, no segundo semestre. A inflação oficial divulgada nesta quarta-feira, de 0,23%, abaixo do esperado, vai ajudar.

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Mesmo assim, o mercado prevê taxa Selic de 12,50% até o fim deste ano e 10% para o ano que vem. Esse é um juro alto ainda para aquecer vendas a prazo, como é o caso dos veículos.

Outro obstáculo do setor automotivo é a falta de competitividade. O Brasil cobra uma das cargas tributárias mais altas do mundo ao setor. Estudo da Anfavea de 2021 apurou que a carga de impostos é de 44% no Brasil enquanto nos países desenvolvidos está em torno de 15%. Assim, é difícil competir nos mercados interno e externo.

Além disso, no Brasil, tanto a União quanto os Estados não oferecem incentivos para carros elétricos, que tomaram conta do mundo. A última prova disso foi que no primeiro trimestre deste ano um carro da Tesla, o Model Y, elétrico, superou o RAV4 e o Corolla, da Toyota, e alcançou liderança mundial de vendas.

O país perdeu a corrida do mercado de elétricos, mas pode recuperar com políticas diferenciadas, que precisam ser criadas. Seria bom para o país ter suas novas montadoras de elétricos, como tem, principalmente, os EUA e a China. Esses cenários indicam que o setor de veículos não terá um grande impulso de vendas nem este ano, nem no primeiro semestre do ano que vem.  

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