Tecnologias digitais que facilitam transações financeiras, negócios e investimentos, como tokenização de patrimônio, open finance e criptomoedas foram temas da segunda edição do evento Fintech Trends, realizado quinta-feira Vertical de Fintechs da Associação Catarinense de Tecnologia (Acate).

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– É comum ouvir que as fintechs estão transformando mercados, mas o que isso significa? A gente tem a mania de inovar e por isso fomos transformando aquele monte de notas [dinheiro] e colocando em espaços menores, no mercado online. Depois trouxemos as transações online de volta para o mundo físico, com integração em compras, por exemplo. A gente começou a ir além e amplificar essa relação de valor até chegar na criptomoeda. Agora, tudo o que existe fisicamente passa a participar cada vez mais do mundo digital. É uma transformação que começa nas fintechs e vai a todos os setores da nossa economia – afirmou na abertura do evento o diretor da vertical, Ricardo Toledo.

Moeda digital e tokenização

As tendências de inovação vão muito além do Pix. A curiosidade agora está em torno do Drex, projeto de moeda digital desenvolvido pelo Banco Central do Brasil (BCB). A expectativa é de que, além de criptomoedas, a tecnologia ofereça registros seguros de bens e patrimônios.

Reinaldo Rabelo, palestrante e CEO do Mercado Bitcoin, destacou que tudo é eletrônico, mas nem sempre é digital. O saldo no aplicativo no banco, por exemplo, depende de fatores físicos.

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– A moeda digital não precisa [do físico] e, a partir da tokenização, a gente pode tokenizar todos os outros artigos. Se tudo já nascer tokenizado, a gente vai ter uma mudança, com uma economia muito mais fácil de monetizar o patrimônio em um espaço onde os sistemas todos se comunicam – disse Rabelo.

Esse movimento implicaria em mudanças em todos os mercados, mas principalmente para o imobiliário e automobilístico, com registros tokenizados. Tokenizar é registrar de forma digital um produto numa rede blockchain.  

Investimento no Brasil e no exterior
A internacionalização dos negócios é um debate crescente no setor de tecnologia, que oferece soluções diversas para problemas muitas vezes comuns. Mas, para Anderson Wustro, da Questum, o mercado nacional ainda é o mais recomendado para as fintechs.

– São poucas as empresas [para tecnologia financeira] atuando no mercado internacional, porque tem muito problema a ser resolvido dentro do Brasil. Vejo empresas que dominaram primeiro o aqui, e, a partir disso, se deslocaram para outros lugares, como o Nubank. É um espaço escasso de internacionalização – afirmou Wustro.

Mas o avanço do uso de inteligência artificial em soluções para transações financeiras tem gerado mais interesse por parte de investidores.

– O primeiro trimestre do ano [2024] teve um número maior de startups sendo investidas em comparação com o ano passado. Há boas perspectivas para quem está empreendendo dentro do segmento [financeiro] – afirmou Otávio Augusto, da Darwin Startups, empresa que desenvolve relacionamentos estratégicos entre corporações, investidores e startups.

Os palestrantes lembraram que as fintechs costumam ser as mais investidas no segmento de tecnologia, mas sugerem que elas comecem grandes porque é difícil atrair clientes neste mercado.

– O próximo passo que as fintechs vão abordar com Inteligência Artificial é a segurança – afirmou Fábio Ferrari, que é do Grupo Temático de Investimento da Acate e também foi painelista sobre o tema.

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Presidente da Vertical de Fintechs da Acate, Ricardo Toledo, durante painel do evento (Foto: Divulgação)

Open Finance e operabilidade
O compartilhamento de dados criptografados entre instituições financeiras é conhecido como Open Finance. Bancos, fintechs e outros setores do mercado podem acordar, junto ao cliente, o compartilhamento de dados para melhorar a operação e a criação de serviços hiper-personalizados.

Atualmente, são 40 milhões de usuários que permitiram essa troca de informações entre instituições, como dito no evento. Os resultados podem ser vários, como melhora na concessão de crédito, gestão de dados, inteligência comercial e aumento do poder de barganha dos usuários a partir de seu histórico no mercado.

 – Hiper-personalização quer dizer que o banco vai poder dar um produto que tenha as features e os preços que ele acha competitivo para você. O cartão de crédito terá ofertas personalizadas, específicas – afirmou no Fintech Trends Paulo Valadares, da Akropoli.

– O paradigma do open finance vai se tornar tão grande que dificilmente quem está no mercado financeiro vai conseguir operar sem começar a utilizar e mostrar ao cliente que ele pode ter um produto e uma experiência melhor – disse também Valadares.

Setores como varejo, saúde, prestação de serviços e outros perceberão as mudanças a partir do compartilhamento de dados que chega com o open finance.

Pagamentos e sustentabilidade
Além dos temas de moeda digital, tokenização e open finance, o Fintech Trends abordou Interoperabilidade e Futuro dos Pagamentos, com Rogerio Melfi, da ABFintechs; Jamile Leão, da Capgemini; Elder Nakashima, do Inovabra, com mediação de Ricardo Toledo, diretor da Vertical Fintech.

Outro painel abordou Finanças Sustentáveis e Impacto Social, que esboçou o papel das fintechs no ESG das empresas. A digitalização das finanças traz agilidade para os negócios e evita deslocamentos de pessoas, o que gera um impacto positivo para o meio ambiente. A programação completa pode ser assistida no Youtube da Acate. (Colaborou Erika Artmann)

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