Para a Federação das Indústrias de SC (Fiesc), a assinatura do Acordo Interino de Comércio Mercosul-União Europeia, neste sábado (17), significa um passo importante para a economia brasileira. Isso porque o país poderá avançar em negócios nesse novo mercado que se forma, o maior do mundo, com mais de 700 milhões de pessoas. O acordo também abre portas para o fortalecimento dos negócios da indústria catarinense, diz a Fiesc.

Continua depois da publicidade

Dados dos últimos meses de 2025 levaram as lideranças da indústria catarinense a terem mais confiança ainda no mercado europeu. Diante do tarifaço dos EUA, a região se tornou o segundo maior mercado de exportações do estado, respondendo por 11,1% do faturamento e superando a China. SC exportou US$ 1,35 bilhão para a Europa em 2025, com um crescimento de 10,66% frente ao ano anterior.

– Para SC e o Brasil, ter acordos como esse é importante para diversificar destinos de exportações e minimizar impactos de mudanças repentinas nas relações comerciais, como o que ocorreu com o tarifaço norte-americano – afirma o industrial Gilberto Seleme, presidente da Fiesc.

Na avaliação do empresário, a assinatura do acordo Mercosul e União Europeia acontece num momento em que as tensões geopolíticas estão reconfigurando as cadeias produtivas globais. Mas o estado tem um relacionamento comercial “robusto” com o mercado europeu e, com o novo acordo, pode crescer ainda mais.

– Já temos uma relação forte e estabelecida com o bloco (europeu), e o acordo vai potencializar as possibilidades de parceria, já que Santa Catarina tem relevância geopolítica e econômica para o Mercosul. O estado é um hub logístico, produtivo, turístico, de serviços e de integração física graças a sua posição geográfica e infraestrutura portuária. O acordo também abre espaço para alianças estratégicas e intercâmbio tecnológico – destaca Seleme.

Continua depois da publicidade

O presidente da Fiesc ressalta também que Santa Catarina tem relações históricas com a Europa em função da imigração que veio de diversos países. Além disso, existem pontos comuns como o compartilhamento de valores e princípios democráticos, de respeito às regras e normas do multilateralismo e de respeito aos direitos humanos.

Diferenciais do novo acordo

A Fiesc chama a atenção para o fato de que esse acordo vai além do comércio de produtos e serviços. Acentua que o “Acordo de Parceria entre União Europeia-Mercosulé o mais moderno e abrangente já negociado pelo Mercosul. Vai possibilitar alianças estratégicas em áreas como mudanças climáticas, sustentabilidade, defesa, tecnologia, direitos humanos e relações do trabalho.

A Fiesc explica que diante dessa complexidade, a União Europeia decidiu fatiar o acordo em duas etapas. A primeira inclui apenas a parte comercial e foi denominada de Acordo Interino de Comércio entre os blocos. Ele abrange produtos e serviços, cronogramas redução ou eliminação gradual de tarifas, cotas, regras de origem, normas regulatórias e de investimentos.

Depois da assinatura deste sábado, a próxima medida será a aprovação pelo Parlamento Europeu e pelos parlamentos dos países do Mercosul. Quando forem aprovados e publicados pelos executivos, os negócios poderão ser iniciados. O acordo interino será integrado ao Acordo de Parceria (EMPA, na sigla em inglês) quando este for aprovado.

Continua depois da publicidade

Para da ideia do potencial de negócios com a União Europeia, a Fiesc cita estudo da Confederação Nacional da Indústria com dados de 2024. Segundo essa análise, de cada R$ 1 bilhão exportado pelo Brasil para a Europa foram gerados 21,8 mil novos empregos. A produção rendeu receita de R$ 3,2 bilhões e o montante salarial chegou a R$ 441,7 milhões.

Leia também:

Nasce o primeiro bebê no Hospital Baía Sul Mulher, em Florianópolis

CREA-SC anuncia os eventos Medalha do Mérito 2025 e CREA Summit 2026

SC terá rota de cachoeiras com ênfase em turismo religioso até o Campo dos Padres

Instituição forte em graduaçao na área de saúde ganha novo campus em Joinville

JBS Terminais reativa Porto de Itajaí e se prepara para disputar concessões

De carnes a produtos industriais: como o acordo Mercosul-UE deve impactar a economia

Títulos podres de antigo banco de SC foram usados em fraudes do Master, diz jornal