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    Impasse sobre Navegantes mostra a falta de planejamento aeroportuário de SC

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    Por Estela Benetti
    15/10/2020 - 08h09 - Atualizada em: 15/10/2020 - 11h42
    Aeroporto de Navegantes
    Aeroporto de Navegantes (Foto: Marcos Porto, NSC, BD)

    Lideranças empresariais e políticas de Santa Catarina pressionam o governo federal para fazer mudança no plano de concessão conjunta de nove aeroportos do Sul do país. O empenho é para incluir nova pista de 2,3 mil metros quadrados para o aeroporto internacional Ministro Victor Konder, de Navegantes. O Ministério da Infraestrutura alega que as decisões foram técnicas e que não há demanda para pista maior, informou a colunista da NSC Dagmara Spautz. Mas aviões maiores não podem pousar na estrutura atual e isso inibe o desenvolvimento econômico.

    Como Santa Catarina perdeu para o Paraná na batalha do leilão dos aeroportos

    Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiesc), Mario Cezar de Aguiar, esse impasse resulta da falta de planejamento aeroportuário de Santa Catarina. O leilão, previsto para março do ano que vem, tem como atração principal o aeroporto Afonso Pena, de Curitiba, que ganhará uma nova pista de 3 mil metros. Apesar de serem regiões próximas e ricas, o Norte de SC e a Grande Curitiba, com algumas exceções, não usam a mesma estrutura aeroportuária.

    O terminal de Navegantes atende o Vale do Itajaí e o Norte catarinense porque o aeroporto de Joinville, a maior cidade do estado, apesar de ter mais equipamentos, ainda enfrenta grandes problemas de meteorologia. Joinville está a 69 quilômetros do aeroporto de Navegantes e a 122 quilômetros do terminal de Curitiba.

    Vale destacar que o Vale do Itajaí e o Norte catarinense são regiões que estão entre as que mais crescem no Brasil desde 2012 (estudo da consultoria Mckinsey) e respondem por 50% do Produto Interno Bruto (PIB) catarinense, cifra estimada em quase R$ 160 bilhões em 2019. A Grande Curitiba responde por 41% do PIB do Paraná, o equivalente a cerca de R$ 200 bilhões no ano passado.

    Além do terminal de Navegantes ter hoje uma pista curta, de apenas 1.701 metros, ela não tem a resistência necessária (PCN) para receber aeronaves mais pesadas, tanto com passageiros quanto com cargas. Apesar disso, em função da dinâmica economia regional, o aeroporto foi o que mais cresceu nos últimos anos, recebeu em 2019 mais de 1,8 milhão de passageiros é líder na movimentação de cargas aéreas em SC.

    Mas como uma infraestrutura completa para carga acabou de ser instalada no Aeroporto Internacional de Florianópolis, não haveria necessidade de fazer outra em Navegantes, avalia Mauro Sena, diretor comercial da Cotia Trading, uma das maiores importadoras do país. Segundo ele, a distância de 110 quilômetros entre Florianópolis e Navegantes não encarece o transporte, diferente da entrada de cargas por Curitiba.

    Essa discussão em torno do aeroporto de Navegantes também remete para um projeto muito defendido pelo ex-governador Luiz Henrique da Silveira, de que o Norte do Estado precisaria de um único grande aeroporto regional para passageiros e cargas, que deveria ser sediado em Araquari. O presidente da Fiesc lembra que o projeto, apresentado pela SC Parcerias em 2013, previa sistema de transporte intermodal, conectando transporte rodoviário, ferroviário e marítimo. Além disso, na opinião do empresário, um grande aeroporto teria maior número de voos e isso reduziria custos de passagens, entre outros.

    Governador autoriza Chapecó a fazer concessão de aeroporto

    - O plano aeroviário de Santa Catarina está ultrapassado. É do início da década de 1990. Não houve um planejamento adequado do transporte aéreo. Se o estado tivesse colocado suas prioridades, mandado para a Infraero, em Brasília, talvez a situação fosse outra, hoje, para o terminal de Navegantes – afirma Aguiar.

    O presidente da Fiesc tem razão em defender novo plano para o sistema aeroportuário do Estado, que deveria ser elaborado pelo governo estadual e atualizado com periodicidade. SC tem o tamanho de diversos países europeus, mas conta hoje com apenas dois polos ligados entre si por linhas aéreas: Florianópolis e Chapecó.

    Com exceção da Capital, que ganhou aeroporto novo, privado, ano passado, após quase 30 anos de espera, todas as demais cidades apontam problemas nas suas estruturas aeroportuárias. Chapecó tenta conceder o seu à iniciativa privada. Se o Estado tivesse menos terminais, mas que atendessem as respectivas regiões, o impulso do transporte aéreo para o desenvolvimento econômico, em especial ao turismo, seria bem maior.

    Pelas condições meteorológicas e ausência de recursos para fazer um novo aeroporto na região do litoral Norte do Estado , o terminal de Navegantes é a melhor alternativa. Uma pista maior e melhor permitiria receber aeronaves de maior porte do Brasil e exterior. Um dos articuladores de projetos econômicos para a região, o ex-secretário de Desenvolvimento do Estado, Paulo Bornhaunsen, alerta que para viabilizar a nova pista de até 2.600 metros, a ser construída numa posição transversal na atual área, é fundamental finalizar as desapropriações (cerca de 30% que faltam). Isso requer investimento de até R$ 140 milhões. Segundo ele, essa nova pista permitirá chegadas e partidas pelo mar, liberando construções mais altas na região. Para viabilizar as desapropriações e a nova pista, as decisões precisam ser tomadas agora.  

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